Andrew percebeu que algo estava diferente, assim que entrou na sala do trono. Henry estava estranhamente feliz, depois de dois meses de puro mau humor.
— Me chamou, Majestade? — Andrew perguntou, assim que se reverenciou em frente do Rei.
— Sim, acabei de voltar da caça. — Henry mantinha um sorriso que não conseguia esconder, enquanto um servo lhe servia água.
— Eu não disse que você tinha que sair um pouco, meu amigo? — Andrew estava realmente feliz por Henry. — Todos conseguem ver o quanto isso te fez bem.
— Se eu soubesse o que eu iria encontrar, já teria saído há muito tempo. — Henry comentou pensativo. O conselheiro franziu o cenho, percebeu na mesma hora que o Rei estava ocultando algo.
— Ainda estamos falando de uma suposta caça?
— Não, meu amigo. — Henry riu do jeito que Andrew havia falado.
Pediu para que apenas alguns guardas ficassem, e ordenou que o resto saísse para ele poder conversar com o seu Conselheiro real.
— Henry... — Andrew falou o nome de sua Majestade, o repreendendo, não sabia o que era, mas sabia que o seu amigo havia aprontado.
— Acalme-se, Andrew. — O rei continuou com um sorriso brincalhão no rosto antes de continuar. — Sabe quem eu encontrei caminhando pela floresta? Camille.
— Tem certeza de que era ela? — Andrew perguntou, temendo um pouco a resposta.
— Absoluta, meu amigo. — O sorriso brincalhão se tornou algo mais malicioso. — Eu a beijei.
Andrew se engasgou com a própria saliva, depois de ouvir aquilo. Ele a beijou? Ele enlouqueceu? O conselheiro não sabia dizer o porquê de ter ficado incomodado com aquilo.
— Foi a melhor sensação que eu tive, depois de tanto tempo. — Henry comentou, sem ao menos ter percebido que seu amigo teve um pequeno sobressalto. — Só consigo pensar em poder fazer isso novamente.
— Mas... – Andrew pigarreou para se recompor, antes de continuar. — Camille parece ser um pouco relutante com o senhor, você a beijou à força?
— Não... — Henry ainda recebia o olhar desconfiado de Andrew. — Na verdade, a beijei e no início ela lutou um pouco para me afastar, mas por fim ela retribuiu.
— Então, isso significa que ela ainda sente algo por você. — O conselheiro engoliu em seco sem perceber.
— Não, logo depois do beijo, recebi um tapa e uma sentença de morte, se isso acontecer novamente. — Henry comentou brincando o que fez Andrew rir um pouco, mas sem humor.
— Suponho, então, que ainda terei que ir atrás dela?
— Sim Andrew, não vou desistir de Camille por nada deste mundo.
[...]
Para a alegria de todos, Scarborough Fair havia voltado, desta vez à todo vapor. Muitas pessoas de outros países estavam indo para Inglaterra, para conhecer o famoso comércio de Scarborough.
Andrew caminhava pela feira despreocupado, havia saído do palácio para apenas dar uma volta e acabou indo parar ali. A feira havia se expandido por conta das pessoas que eram de outros países. Havia coisas diferentes em Scarborough Fair, como desta vez, estavam vendendo algumas ervas, plantas e raízes para chás.
Aquilo acabou interessando Andrew.
O conselheiro se aproximou da barraca que tinha essas especiarias, e viu alguns vidrinhos com aquelas ervas misturadas.
— Mas que honra receber alguém do palácio na minha humilde barraca. — Uma senhora, já idosa e com um sotaque forte, chamou a atenção do rapaz que estava distraído. — Sabes o que procura, meu jovem?
— Não estou à procura de nada. – Andrew sorriu um pouco envergonhado. — Estou apenas observando, eu estudo algumas dessas plantas.
— Que interessante. — Ela sorriu amigável, a idosa era do qual chamamos de uma senhora fofa. — Então, o senhor deve conhecer o segredo de várias dessas plantas.
— Alguns. — Ele respondeu dando de ombros. – Apenas o que o Médico da cidade me ensina.
— Então, Vossa Graça não conhece os segredos da salsa, salvia, do tomilho e do alecrim?
— O que eles tem de especial? — Para Andrew, aquilo só servia para temperar comida.
A senhora se aproximou do homem, como se fosse contar lhe um segredo.
— Algumas mulheres, que são do país da onde eu venho, dizem que se essas coisas forem misturadas juntas, elas serão uma poção... — Andrew acabou interrompendo a senhora idosa.
— Perdão, mas a última vez que eu me envolvi com magia ou poção, não foi uma experiência agradável. — O conselheiro se lembrou da camisa de cambraia.
Andrew não queria ser mal educado, ele só não queria mais problemas para si mesmo.
— Não, meu jovem. — A senhora negou com a cabeça. — Não é uma poção qualquer.
Por mais que lutasse contra a sua curiosidade, Andrew não resistiu e olhou para a mulher esperando que continuasse.
— Quando essas ervas são misturadas juntas, elas se tornam uma poção que pode trazer o seu amor verdadeiro.
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Scarborough Fair
Fiksi SejarahVocê está indo para a feira de Scarborough? Não se esqueça de trazer salsa, sálvia, alecrim e tomilho. Iremos fazer uma poção para a senhoria, e quem sabe, tu terás o teu amor verdadeiro de volta? 🌿 (Inspirado na Cantiga Scarborough Fair) ➛ Lembre...
