Capítulo Nove

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Andrew percebeu que algo estava diferente, assim que entrou na sala do trono. Henry estava estranhamente feliz, depois de dois meses de puro mau humor.

— Me chamou, Majestade? — Andrew perguntou, assim que se reverenciou em frente do Rei.

— Sim, acabei de voltar da caça. — Henry mantinha um sorriso que não conseguia esconder, enquanto um servo lhe servia água.

— Eu não disse que você tinha que sair um pouco, meu amigo? — Andrew estava realmente feliz por Henry. — Todos conseguem ver o quanto isso te fez bem.

— Se eu soubesse o que eu iria encontrar, já teria saído há muito tempo. — Henry comentou pensativo. O conselheiro franziu o cenho, percebeu na mesma hora que o Rei estava ocultando algo.

— Ainda estamos falando de uma suposta caça?

— Não, meu amigo. — Henry riu do jeito que Andrew havia falado.

Pediu para que apenas alguns guardas ficassem, e ordenou que o resto saísse para ele poder conversar com o seu Conselheiro real.

— Henry... — Andrew falou o nome de sua Majestade, o repreendendo, não sabia o que era, mas sabia que o seu amigo havia aprontado.

— Acalme-se, Andrew. — O rei continuou com um sorriso brincalhão no rosto antes de continuar. — Sabe quem eu encontrei caminhando pela floresta? Camille.

— Tem certeza de que era ela? — Andrew perguntou, temendo um pouco a resposta.

— Absoluta, meu amigo. — O sorriso brincalhão se tornou algo mais malicioso. — Eu a beijei.

Andrew se engasgou com a própria saliva, depois de ouvir aquilo. Ele a beijou? Ele enlouqueceu? O conselheiro não sabia dizer o porquê de ter ficado incomodado com aquilo.

— Foi a melhor sensação que eu tive, depois de tanto tempo. — Henry comentou, sem ao menos ter percebido que seu amigo teve um pequeno sobressalto. — Só consigo pensar em poder fazer isso novamente.

— Mas... – Andrew pigarreou para se recompor, antes de continuar. —  Camille parece ser um pouco relutante com o senhor, você a beijou à força?

— Não... — Henry ainda recebia o olhar desconfiado de Andrew. — Na verdade, a beijei e no início ela lutou um pouco para me afastar, mas por fim ela retribuiu.

— Então, isso significa que ela ainda sente algo por você. — O conselheiro engoliu em seco sem perceber.

— Não, logo depois do beijo, recebi um tapa e uma sentença de morte, se isso acontecer novamente. — Henry comentou brincando o que fez Andrew rir um pouco, mas sem humor.

— Suponho, então, que ainda terei que ir atrás dela?

— Sim Andrew, não vou desistir de Camille por nada deste mundo.

[...]

Para a alegria de todos, Scarborough Fair havia voltado, desta vez à todo vapor. Muitas pessoas de outros países estavam indo para Inglaterra, para conhecer o famoso comércio de Scarborough.

Andrew caminhava pela feira despreocupado, havia saído do palácio para apenas dar uma volta e acabou indo parar ali. A feira havia se expandido por conta das pessoas que eram de outros países. Havia coisas diferentes em Scarborough Fair, como desta vez, estavam vendendo algumas ervas, plantas e raízes para chás.

Aquilo acabou interessando Andrew.

O conselheiro se aproximou da barraca que tinha essas especiarias, e viu alguns vidrinhos com aquelas ervas misturadas.

— Mas que honra receber alguém do palácio na minha humilde barraca. —  Uma senhora, já idosa e com um sotaque forte, chamou a atenção do rapaz que estava distraído. — Sabes o que procura, meu jovem?

— Não estou à procura de nada. – Andrew sorriu um pouco envergonhado. — Estou apenas observando, eu estudo algumas dessas plantas.

— Que interessante. — Ela sorriu amigável, a idosa era do qual chamamos de uma senhora fofa. — Então, o senhor deve conhecer o segredo de várias dessas plantas.

— Alguns. — Ele respondeu dando de ombros. – Apenas o que o Médico da cidade me ensina.

— Então, Vossa Graça não conhece os segredos da salsa, salvia, do tomilho e do alecrim?

— O que eles tem de especial? — Para Andrew, aquilo só servia para temperar comida.

A senhora se aproximou do homem, como se fosse contar lhe um segredo.

— Algumas mulheres, que são do país da onde eu venho, dizem que se essas coisas forem misturadas juntas, elas serão uma poção... — Andrew acabou interrompendo a senhora idosa.

— Perdão, mas a última vez que eu me envolvi com magia ou poção, não foi uma experiência agradável. — O conselheiro se lembrou da camisa de cambraia.

Andrew não queria ser mal educado, ele só não queria mais problemas para si mesmo.

— Não, meu jovem. — A senhora negou com a cabeça. — Não é uma poção qualquer.

Por mais que lutasse contra a sua curiosidade, Andrew não resistiu e olhou para a mulher esperando que continuasse.

— Quando essas ervas são misturadas juntas, elas se tornam uma poção que pode trazer o seu amor verdadeiro.

Scarborough FairHistórias para pegar e não largar. Descubra agora