Camille esperava pacientemente por Henry no celeiro. Era para ele ter chegado à alguns minutos atrás, mas por incrível que pareça, ele se atrasou. Por fim, a camponesa decidiu se sentar no chão cheio de feno, e prometeu a si mesma que se ele demorasse mais um pouco, iria embora.
Seus pensamentos foram interrompidos, quando ouviu a porta do celeiro sendo aberta e uma silhueta masculina adentrando o local. Camille ficou em pé e em alerta, ao perceber que não era Henry.
— Ei, Acalme-se! É apenas eu. — Andrew estendeu as suas mãos na frente da camponesa, quando percebeu que ela ia gritar.
— Andrew... - Camille suspirou se acalmando. — Pensei que era algum saqueador.
Eles se olharam por alguns minutos, enquanto tentavam acalmar os seus corações.
— Onde está Henry? — Ela finalmente perguntou.
— Há algo que você precisa saber mais do que ninguém. — Andrew engoliu em seco, claramente desconfortável. Tinha tomado uma decisão naquela noite. — Henry e a Rainha, Marie, tem tido uma relação um pouco difícil... Ela sabe que o Rei tem uma amante, no caso você.
Camille ficou desconfortável no mesmo instante, sabia desde o começo que aquilo que teria com Henry era errado, mas acabou deixando-se levar.
— Ontem, acabamos descobrindo que ela ficou grávida do Rei. — O conselheiro continuou soltando um longo suspiro. — Henry está desnorteado com a notícia, e por hora, ele deseja não se encontrar mais com você, Camille.
A plebéia sentiu como se uma ferida tivesse sido reaberta. Doía muito, mas não tanto quanto a primeira vez.
— Pelo menos dessa vez, ele me mandou um mensageiro. — Ela riu sem humor. — Eu não dei ouvidos aos meus instintos, sempre soube que não daria certo.
Andrew respirou fundo, tomando coragem antes de tocar no braço da camponesa, fazendo com que ela olhasse em seus olhos.
— Camille, eu posso te ajudar.
— Como?
Ele deslizou sua mão no braço dela, fazendo com que a pele da mesma se arrepiasse. Alcançou a mão de Camille, fazendo com que a abrisse, e depositou um frasco na palma dela.
— Beba essa poção, ela trará seu amor verdadeiro. — Ele respondeu dando um sorriso singelo.
Foi essa decisão que Andrew tomou: não deixaria Camille sofrendo pelo seu amigo tolo. Não deixaria a história se repetir, mesmo que isso custasse o seu próprio amor.
— E-Eu... — Camille encarava aquele frasco assutada e com curiosidade. — Como isso pode acontecer? É impossível!
— Pois eu digo que não é.
Camille deu um passo para trás, enquanto ainda encarava o frasco. Abriu com cautela, e um aroma bom invadiu as suas narinas. Sem pensar muito, virou o frasco contra a sua boca tomando o conteúdo e um sabor meio amargo, mas gostoso, desceu pela sua garganta.
Andrew não sabia o que exatamente esperava, assim que Camille terminou de beber a poção. Talvez que Henry surgisse na frente dos dois, mas não foi nada como imaginou.
De um instante para outro, os olhos de Camille se tornaram mais brilhantes. Ela estava mais bela do que nunca, e quando seus olhos se encontraram, Andrew sentiu seu coração aquecer e parecia que havia borboletas no estômago. Sentia-se entorpecido, embriagado, e queria mais daquilo.
As mesmas sensações sentia Camille, e como se algo a puxasse para perto de Andrew. Se aproximou e as suas mãos se encaixaram no rosto do conselheiro, e o puxou para que ficasse mais próxima do dela.
— A poção funcionou? — Camille sussurrou, querendo diminuir ainda mais o espaço entre eles.
— Eu não sei. — Ele respondeu confuso, tanto pela poção quanto pela proximidade. — O que você sente?
— Em uma intensidade maior, o mesmo que sempre senti por você, desde o momento em que te vi.
Isso foi o bastante para que Andrew acabasse com o espaço entre eles, segurou na cintura da camponesa e roçou seus lábios com os dela. Camille estremeceu em seus braços, e ele ainda nem havia lhe tocado direito. Selou seus lábios de uma vez e logo suas bocas se movimentavam em uma perfeita sincronia, como se as duas tivessem o encaixe perfeito da outra.
A camponesa sentia as borboletas ainda mais agitadas em seu estômago, o que era uma das melhores sensações que já sentiu. Em meio ao seu desespero de tê-lo mais perto de si, as pernas dos dois se entrelaçaram fazendo com que perdessem o equilíbrio e caíssem no monte de feno. Pelo choque da queda, Camille acabou mordendo o lábio inferior de Andrew.
— Meu Deus! Perdoe-me, Andrew! — Ela se sentiu culpada, assim que viu o mesmo tocando no lábio ferido e saindo um pouco de sangue.
— Não se desculpe, não foi nada sério. E você, se machucou? — Ele perguntou voltando a sua atenção para a garota que estava deitada embaixo de seu corpo.
— O feno amorteceu a queda, porém, Vossa Graça está me esmagando. — Ela riu contagiando Andrew.
Ele saiu de cima dela e deitou-se ao lado, passou um braço pela cintura de Camille para que seus corpos ficassem perto e de frente um para o outro.
— Então, desde sempre sou o seu amor verdadeiro? — Andrew sorriu convencido, fazendo a camponesa corar.
— Acredito que sim. — Ela sorriu tímida. — Achei que era apenas um apego de amizade, mas agora consigo ver as coisas com clareza.
— Acho que foi o mesmo comigo, sempre senti algo de especial por você. — Ele passou delicadamente seus dedos pela face da plebéia, a fazendo fechar os olhos.
— Por que você sumiu? — Camille perguntou.
— Pois estava atrás dessa poção, não queria sair do quarto até que ela estivesse pronta. E também, para me poupar de ouvir Henry falando de uma certa camponesa. — Ele respondeu, o que fez Camille sorrir, mas percebeu que algo abalou o conselheiro.
— Algo de errado?
— Henry ama você. — Ele suspirou um tanto chateado.— E ele é meu melhor amigo. Nem que ele não fosse Rei, isso é traição.
Camille acariciou os cabelos de Andrew e depositou um beijo no canto dos seus lábios.
— Pense no agora, meu amor. Você está aqui comigo, é o que importa neste momento.
Isso fez Andrew sorrir novamente, e os dois se envolveram num beijo apaixonado. A noite foi cheias de carícias e beijos românticos, mas logo pela manhã, teriam que arcar com certos conflitos.
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Scarborough Fair
Ficción HistóricaVocê está indo para a feira de Scarborough? Não se esqueça de trazer salsa, sálvia, alecrim e tomilho. Iremos fazer uma poção para a senhoria, e quem sabe, tu terás o teu amor verdadeiro de volta? 🌿 (Inspirado na Cantiga Scarborough Fair) ➛ Lembre...
