Capítulo Sete

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Henry havia ficado muito frustrado com que Andrew havia dito sobre o que aconteceu com a camisa de cambraia. Ele estava sozinho na sala do trono, espantava todos com uma careta feia, ou aos gritos. Então, todos concordaram que o rei precisava de um tempo a sós para se acalmar.

Bem... excepto uma pessoa.

Henry estava tão disperso em seus pensamentos, que não havia percebido que a rainha - Marie - havia acabado de entrar no cômodo. Só percebeu a presença da mulher, quando ela fez uma elegante reverência bem a sua frente.

— Soube que o meu Rei não está muito disposto hoje, vim ver se podia ajudar de algum modo. – Marie disse sorrindo.

A beleza da rainha era magnífica, todos a adoravam tanto pela sua beleza, quanto pela sua bondade. Apesar de não ter sido um casamento por amor, Henry se sentia feliz por ter se casado com alguém que acabou se tornando uma amiga e conselheira.

— É apenas uma dor de cabeça que eu e Andrew não conseguimos resolver. – Henry havia achado um adjetivo bom para definir Camille, dor de cabeça.

— Então, torço para que as coisas se resolvam, meu marido. – Se Marie soubesse o verdadeiro significado das palavras do Rei, não iria se sentir feliz em torcer por seu marido.

— E tu, como estás? – Ele perguntou se servindo do vinho que o criado havia levado, e oferecendo para a rainha, que aceitou de bom agrado.

— Com saudades da minha família. – Ela suspirou, e Henry se sentiu mal por não permitir que Marie visitasse sua família frequentemente em seu país de origem.

— Sinto muito, minha esposa.

— Porém... a saudade da minha família, não se compara com a saudade que eu sinto do meu Rei. – Ela disse antes que se arrependesse, e Henry a analisou com uma sobrancelha erguida.

A rainha havia falado mais aquilo por conta da cobrança que recebia diariamente de seu pai, de ter um herdeiro do Rei. Mas mesmo que não admitisse para si mesma, ela sentia realmente falta de Henry.

O Rei se levantou do trono, e Marie tentou não abaixar sua cabeça com vergonha, ao contrário, ela tentou olhar diretamente nos olhos do seu marido. Por algum motivo, aquilo fez Henry se lembrar da coragem de Camille.

Ele se aproximou de Marie, e com carinho, depositou um beijo rápido nos lábios dela. Mesmo que tenha sido breve, ela pode sentir o gosto do vinho nos lábios do marido.

— Sinto muito, Marie. – Henry a olhou com ternura, podia não sentir amor pela sua esposa, mas as vezes ele deixava-se levar para os braços dela. — Depois do jantar irei ao seus aposentos. Irei lhe recompensar pela minha ausência.

[...]

Andrew estava estudando pela madrugada à dentro, sobre algumas flores e ervas de alimento. Era um hobby que tinha, e não escondia isso de ninguém. Gostava de ir atrás do médico de Scarborough, para que ele lhe ensinasse sobre algum unguento, ervas e temperos.

Estava tomando notas de uma raiz de camomila, que havia pego na cozinha, esta plantinha era muito boa para servir de calmante - E ultimamente, ele e o rei andavam muito estressados - até que seus pensamentos lhe trouxeram a memória de uma jovem camponesa.

Camille...

Andrew passava tanto tempo fazendo coisas por ela, ou falando dela para Henry, que sua mente passou a lhe trazer certas memórias. E as vezes deixava até sua mente viajar um pouco a mais...

Como seria passar os dedos por aqueles cabelos? Apesar de sempre estarem um pouco bagunçados, não deixavam de fazer parte do charme da camponesa.

Os lábios de Camille sempre carregava um sorriso sarcástico quando se dirigia a Andrew, mas de algum modo, eles pareciam ser tão doces...

Andrew percebeu que estava divagando demais, e balançou a cabeça para afastar esse tipo de pensamento. Estava tanto tempo acordado, que já estava começando a pensar em coisas idiotas.

Ele se deitou na cama e seus olhos pesaram de sono. Não demorou muito para que ele dormisse, mas antes, um certo sorriso sarcástico lhe veio a mente.

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