Capítulo Vinte

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A respiração de Marie estava mais calma e as lágrimas não escorriam mais, quando ela ouviu uma pequena confusão próximo ao jardim. Se levantou e seguiu em direção ao som de gritos inconformados e a voz de um soldado.

Assim que chegou perto do portão do Palácio, próximo ao jardim, pôde ver uma garota ruiva com roupas simples que gritava enfurecida com o soldado que tentava lhe segurar e acalmar.

Depois de dar mais um grito e ser empurrada pelo soldado, a garota olhou para o lado e avistou a rainha que os observavam com curiosidade.

— O que está acontecendo aqui? — Marie perguntou com autoridade.

— Vossa Majestade — O soldado se reverenciou antes de continuar. — Esta plebéia exige falar com rei, estou apenas fazendo o que fui orientado.

— Majestade. — A garota lhe chamou com lágrimas nos olhos, isso compadeceu o coração de Marie. — Eu preciso...

Ela não conseguiu continuar, pois logo começou a soluçar e chorar. A Rainha se aproximou da garota, fazendo com que o soldado se afastasse um pouco para dar privacidade.

— Qual é o seu nome e por que deseja falar com o meu marido?

— Meu nome é Camille. — A garota respondeu engolindo em seco tentando conter as lágrimas. — E eu preciso falar com o rei, pois só eu posso salvar a vida de Andrew.

Isso foi o bastante para Marie conectar os fatos, aquela garota era a camponesa por quem seu marido estava louco. Sentiu a pontada de ciúmes no peito e isso fez com que olhasse a camponesa com raiva.

— Já não acha que estragou vidas o bastante, Camille?

— Eu preciso tentar mostrar que o Rei está errado, que não sou eu quem ele deve amar. — Os olhos de Camille continham desespero, e ela só conseguia pensar que cada minuto perdido era um passo de Andrew para morte.

— E como pretende fazer isso? — Aquilo interessou Marie, que só conseguia olhar com desconfiança para a plebéia.

A camponesa apenas se limitou a mostrar um pequeno frasco de vidro para a Rainha que ficou ainda mais desconfiada.

— Foi feito por Andrew. — Camille disse com as mãos ainda estendidas. — Ele alega ser uma poção de amor verdadeiro.

Marie se afastou surpresa com aquela informação, sua mente a levou para as lendas que haviam na França.

"Salsa, sálvia, alecrim e tomilho. E você terá seu amor verdadeiro."

— A poção... existe. — Foi a única coisa que Marie conseguiu dizer.

[...]

Todas as sentenças aconteciam em lugares públicos para servirem de exemplo. Então, Andrew estava sendo levado para um desses lugares amplos.

Assim que chegou ao centro, Andrew pôde ver Henry que estava em um palanque para poder ver com mais clareza a sentença. O seu antigo amigo, o observava com frieza e não havia nenhum remorso em seus olhos.

O general Harry orientou seus soldados para que começassem a amarrar as cordas nos quatro cavalos, postos em diferente direções, que haviam na arena e amarrar as outras pontas da corda nos braços e pernas de Andrew. Para que quando fosse dado o sinal, os cavalos dispararem correndo e o corpo do ex conselheiro fosse puxado, até estar desmembrado.

Andrew suspirou assustado, aquilo estava sendo ainda mais aterrorizante do que havia imaginado. Mas seria rápido, era algo que o confortava.

Estava fazendo uma prece a Deus, quando a voz de Henry calou a todos.

Scarborough FairHistórias para pegar e não largar. Descubra agora