— Uma camisa de cambraia? - Henry questionou confuso.
— Que não tenha nenhuma costura ou trabalho de agulha. - Andrew recitou o que Camille havia lhe dito algumas horas atrás. — E só assim, terá o amor dela de volta.
— Isso é tecnicamente impossível! Como tecer uma camisa sem agulha ou costura? - O rei passou a mão pelo seus cabelos loiros, os deixando um pouco bagunçado.
Andrew ficou apenas em silêncio, sua cabeça raciocinando com aquele pedido. Qual era intenção de Camille com aquilo?
— Ela deve estar me testando. - Henry sussurrou para si mesmo, mas Andrew ouviu mesmo assim.
— Deve ser isso mesmo Majestade, mas de qualquer modo, falarei com as melhores costureiras de Scarborough Fair.
— Faça isso, meu amigo. - Antes de sair do aposento real, Andrew fez uma breve reverência ao rei.
Henry ficou andando pelo seu quarto pensando em resolver de algum modo o pedido de Camille. Será que havia algum modo de fazer esta maldita camisa?
[...]
— Pediu lhe pra fazer isto mesmo? - Os olhos da mãe de Camille faltava sair pelas órbitas.
— Sim. - Camille respondeu com um sorriso irônico.
— Mas você sabe que isso é impossível.
— Mas esse é objetivo mamãe. - Camille só conseguia imaginar em como Henry teria ficado frustrado com o pedido. - Isso o manterá longe por muito tempo.
Não deixarei que nada seja fácil, porquê ele nunca mais terá meu amor de volta.
[...]
No dia seguinte à feira, Camille estava cumprindo o seu trabalho de reabastecer as barracas. Estava com um cesto cheio de grãos quando viu um rosto familiar. As roupas sofisticadas e o modo de desespero que falava com a costureira, não deixava dúvidas de que era o nobre do dia anterior.
Andrew estava realmente um pouco em pânico, já havia falado com diversas costureiras e nenhuma delas sabiam em como conceder o desejo de Camille. Até que ele encontrou a senhora costureira com quem conversava, porém estava com um certo receio, ela havia lhe dito algo peculiar.
— Bom dia Vossa graça, parece que algo lhe preocupa. - Andrew não precisou se virar pra saber que aquela voz doce e cheia de sarcasmo pertencia à Camille.
— Ah! Se não é a plebeia petulante? - Andrew finalmente se virou para olhar para a camponesa, ela estava com o ar arrogante, mas ainda continuava belíssima. Sua vida ia muito bem, quando desconhecia totalmente à sua existência.
— Eu seria uma pessoa muito mais agradável, se o Seu Rei saísse do meu pé. - Andrew revirou os olhos para o que Camille disse. — Como vai em sua missão?
— Está perguntando isso para me humilhar, certo?
— Talvez.
— Para o seu azar, você não vai conseguir fazer isto hoje. Consegui realizar o teu desejo. - Foi a vez de Andrew sorrir sarcástico, o que fez Camille arregalar os olhos desacreditada.
— O quê?!
— Consegui encontrar alguém que não trabalha com agulha nas roupas. Você irá ter a sua camisa de cambraia.
Andrew estava mentindo, certo? Bom, Camille não saberia dizer, ele parecia sincero.
— Melhor pra mim, não é mesmo? Já vou indo, Vossa Graça. Espero que tenha um lindo dia. - Ela fez uma leve reverência e quando olhou para os olhos do homem a sua frente, viu que tinha um brilho de malícia. O pulso de Camille acelerou de raiva.
— Até mais, doce camponesa.
Camille saiu pisando duro e já tentando formular uma nova estratégia em sua mente, para quando se reencontrar com Andrew, deixar sua missão ainda mais difícil.
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Scarborough Fair
Historical FictionVocê está indo para a feira de Scarborough? Não se esqueça de trazer salsa, sálvia, alecrim e tomilho. Iremos fazer uma poção para a senhoria, e quem sabe, tu terás o teu amor verdadeiro de volta? 🌿 (Inspirado na Cantiga Scarborough Fair) ➛ Lembre...
