Capítulo Quatro

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— Uma camisa de cambraia? - Henry questionou confuso.

Que não tenha nenhuma costura ou trabalho de agulha. - Andrew recitou o que Camille havia lhe dito algumas horas atrás. — E só assim, terá o amor dela de volta.

— Isso é tecnicamente impossível! Como tecer uma camisa sem agulha ou costura? - O rei passou a mão pelo seus cabelos loiros, os deixando um pouco bagunçado.

Andrew ficou apenas em silêncio, sua cabeça raciocinando com aquele pedido. Qual era intenção de Camille com aquilo?

— Ela deve estar me testando. - Henry sussurrou para si mesmo, mas Andrew ouviu mesmo assim.

— Deve ser isso mesmo Majestade, mas de qualquer modo, falarei com as melhores costureiras de Scarborough Fair.

— Faça isso, meu amigo. - Antes de sair do aposento real, Andrew fez uma breve reverência ao rei.

Henry ficou andando pelo seu quarto pensando em resolver de algum modo o pedido de Camille. Será que havia algum modo de fazer esta maldita camisa?

[...]

— Pediu lhe pra fazer isto mesmo? - Os olhos da mãe de Camille faltava sair pelas órbitas.

— Sim. - Camille respondeu com um sorriso irônico.

— Mas você sabe que isso é impossível.

— Mas esse é objetivo mamãe. - Camille só conseguia imaginar em como Henry teria ficado frustrado com o pedido. - Isso o manterá longe por muito tempo.
Não deixarei que nada seja fácil, porquê ele nunca mais terá meu amor de volta.

[...]

No dia seguinte à feira, Camille estava cumprindo o seu trabalho de reabastecer as barracas. Estava com um cesto cheio de grãos quando viu um rosto familiar. As roupas sofisticadas e o modo de desespero que falava com a costureira, não deixava dúvidas de que era o nobre do dia anterior.

Andrew estava realmente um pouco em pânico, já havia falado com diversas costureiras e nenhuma delas sabiam em como conceder o desejo de Camille. Até que ele encontrou a senhora costureira com quem conversava, porém estava com um certo receio, ela havia lhe dito algo peculiar.

— Bom dia Vossa graça, parece que algo lhe preocupa. - Andrew não precisou se virar pra saber que aquela voz doce e cheia de sarcasmo pertencia à Camille.

— Ah! Se não é a plebeia petulante? - Andrew finalmente se virou para olhar para a camponesa, ela estava com o ar arrogante, mas ainda continuava belíssima. Sua vida ia muito bem, quando desconhecia totalmente à sua existência.

— Eu seria uma pessoa muito mais agradável, se o Seu Rei saísse do meu pé. - Andrew revirou os olhos para o que Camille disse. — Como vai em sua missão?

— Está perguntando isso para me humilhar, certo?

— Talvez.

— Para o seu azar, você não vai conseguir fazer isto hoje. Consegui realizar o teu desejo. - Foi a vez de Andrew sorrir sarcástico, o que fez Camille arregalar os olhos desacreditada.

— O quê?!

— Consegui encontrar alguém que não trabalha com agulha nas roupas. Você irá ter a sua camisa de cambraia.

Andrew estava mentindo, certo? Bom, Camille não saberia dizer, ele parecia sincero.

— Melhor pra mim, não é mesmo? Já vou indo, Vossa Graça. Espero que tenha um lindo dia. - Ela fez uma leve reverência e quando olhou para os olhos do homem a sua frente, viu que tinha um brilho de malícia. O pulso de Camille acelerou de raiva.

— Até mais, doce camponesa.

Camille saiu pisando duro e já tentando formular uma nova estratégia em sua mente, para quando se reencontrar com Andrew, deixar sua missão ainda mais difícil.

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