— A-Andrew? — Marie acabou se enrolando com as palavras, mas logo recuperou a compostura. — Saibas que é rude da tua parte escutar a conversa alheia!
— Ah, pois sei muito bem disto. — Ele abanou as mãos descontraído. — Mas é muito rude também, esconder assuntos que são do interesse do Rei.
A dama de companhia apenas ficou com a cabeça baixa, desejava poder sair daquela situação em que pôs a Rainha.
— Por que está escondendo essa gravidez? — Andrew perguntou mais próximo da duas e um pouco mais baixo. — Por acaso esse filho que carrega em seu ventre, não é do Rei?
— Não! — Ela negou de imediato. — Não sou baixa à este ponto. Henry foi o único homem com quem eu já me deitei.
Andrew ergueu uma de suas sobrancelhas esperando que Marie continuasse, e logo viu o seu semblante entristecer. De modo discreto, o conselheiro pediu para que a dama de companhia saísse, o que ela fez em silêncio e de bom agrado.
— Mas talvez, este filho não me ajudaria no momento. — A Rainha suspirou contendo as lágrimas. — Henry, não me ama. E ultimamente ele anda atrás de uma plebéia, dando todo o seu amor à ela.
— Marie. — Andrew sentia-se triste por ela. — Você tem que contar para o Rei. Um herdeiro não ia ajudar apenas na relação de vocês, mas também alegrará o povo.
— Eu vou contar para ele no momento certo. — Ela respirou fundo e enxugou algumas lágrimas que haviam caído. — Assim que eu conseguir sufocar esse sentimento em mim.
Andrew apenas lhe ofereceu um singelo sorriso, pois acreditava que Marie ainda falava sobre Henry. A real verdade, era que a Rainha não queria que sua gravidez fosse descoberta, por conta que estava se sentindo atraída por outro homem.
Se o Rei podia se sentir atraído por uma outra mulher, por que ela não poderia se sentir atraída por um outro homem? Era algo que lhe aconteceu repentinamente e fez com que Marie entendesse que alguns sentimentos não podem ser controlados, mesmo que fossem errados.
Mas seus planos foram interrompidos, quando Andrew, o próprio por quem se sentia atraída, escutou seu segredo.
Maldita hora em que saíra do quarto.
Marie não saberia dizer o momento em que seu coração começou a errar as batidas, assim que avistava o conselheiro. Andrew sempre fora amigável com a rainha, era de se esperar que um homem tão amoroso conquistasse a atenção de quase todas as mulheres. Porém, sentia que era apenas uma atração, seu coração já pertencia a Henry e ela não queria seguir os mesmos passos do Rei com a tal plebéia.
— Se me der licença. — Marie disse por fim.
— Claro. — Andrew inclinou levemente a cabeça, a reverenciando, o que fez a mulher corar levemente e sair um pouco às pressas.
Marie poderia não ter conseguido guardar o segredo de sua gravidez, mas aquele, ela guardaria à sete chaves.
[...]
As risadas de Henry junto com a de seu irmão, Hector, foram interrompidas quando Andrew adentrou no aposento real. Os dois perceberam que havia algo de errado no mesmo instante.
— Está tudo bem, Andrew? — Henry perguntou, tirando o conselheiro de seus devaneios.
— Ah, sim... — Ele sorriu levemente. — Tudo está indo muito bem.
Henry não acreditou nas palavras de seu amigo, mas seu irmão apenas ignorou, voltando a rir. Hector encheu uma taça com o vinho e ofereceu a Andrew, que aceitou de bom agrado. O príncipe já não estava no seu melhor estado.
— Alteza, acho que você deveria ir mais devagar. — Andrew o repreendeu rindo, assim que viu o príncipe tomar o vinho pelo gargalo da garrafa.
— O sujo falando do mal lavado. — Hector se enrolou com as palavras, fazendo o conselheiro rir ainda mais.
— Ele tem razão, meu irmão. — Henry estava mais sério do que normal, tanto pela bebida, quanto pela vontade de saber o que Andrew estava escondendo. — Acho que está na hora de ir para os seus aposentos.
— Certo, Vossa Majestade. — O príncipe se reverenciou, mas acabou se desequilibrando um pouco. — Com a licença de vocês.
Hector saiu do quarto, deixando Andrew e Henry que riam das tentativas do príncipe de se equilibrar.
— Então — Henry atraiu a atenção de Andrew para si. — Vai me contar o que está acontecendo?
O conselheiro ficou tenso, não era para ele nem cogitar a idéia de contar aquilo para Henry, mas duvidava da promessa da Rainha. Além disso, a amizade dos dois vinha primeiro.
— Henry, meu amigo. — Andrew limpou a garganta antes de continuar. — Eu acabei escutando algo que não poderia ter escutado, e que nem deveria estar te contando.
O Rei sentiu os seus músculos se contraírem, sabia que não poderia ser algo bom.
— Marie — O conselheiro respirou profundamente antes de continuar. — Ela está grávida.
Henry se levantou derrubando a sua taça de vinho no chão, sentindo todos os seus planos arruinarem com aquela informação, e só uma pessoa lhe via em mente: Camille. Agora que havia conseguido avançar na relação confusa dos dois, teria que abandoná-la novamente?
— Grávida? — O Rei sentiu uma adrenalina diferente tomar o seu corpo. — E por que ela me ocultou isso?
— Por você agir exatamente assim! Henry, dá pra ver em seus olhos o tanto que está descontente com isso. — Andrew respondeu passando as mãos pelos seus cabelos, suspirando arrependido por ter contado.
Então, o que Andrew não via há muito tempo aconteceu. Henry caiu sentado em sua cama, chorando.
A culpa começava a lhe consumir, pois já sabia que teria que abandonar Camille novamente. Ele sentia que já amava aquele filho, mas se sentia ainda mais culpado por não desejá-lo, não naquele momento.
— Ó Céus! — O rei olhou para o alto, suplicando em meio as lágrimas, para que Deus tivesse piedade de sua alma maldosa. — Eu sou um monstro por não desejar este filho, e por quebrar o coração de duas mulheres inocentes.
Andrew sentiu o seu coração doer junto com o de seu amigo. Se sentou ao lado dele, e apertou-lhe o ombro, passando algum conforto para Henry.
— Henry...
— Vá em meu lugar, se encontrar com Camille. Converse com ela sobre o que está acontecendo. Eu... — O rei suspirou contendo as lágrimas. — Preciso de um tempo sozinho.
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Scarborough Fair
Historical FictionVocê está indo para a feira de Scarborough? Não se esqueça de trazer salsa, sálvia, alecrim e tomilho. Iremos fazer uma poção para a senhoria, e quem sabe, tu terás o teu amor verdadeiro de volta? 🌿 (Inspirado na Cantiga Scarborough Fair) ➛ Lembre...
