Capítulo Onze

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Andrew se sentiu mal por ter usado o irmão de Camille para convencê-la, mas Henry pediu para que achasse um meio de persuadia-la, por bem ou por mal.

Ao longe, o conselheiro avistou a barraca da idosa que o vendeu as ervas. Tinha inúmeras perguntas para fazer. Se aproximou cauteloso da barraca simples, chegou tão silencioso que acabou por assustar a senhora.

- Por Deus! - Ela colocou a mão sobre peito tentando manter a calma. - Não pode chegar assim, meu jovem. Meu coração já não é mais tão forte.

- Mil perdões. - Andrew sorriu envergonhado. - Mas vim saber mais sobre as ervas que comprei.

A Idosa levantou uma de suas sobrancelhas, mas logo em seguida sorriu para o jovem a sua frente, e começou a caminhar para um lugar menos movimentado para poderem conversar. Andrew apenas a seguiu.

- Sabe, você não é o primeiro que se interessa. - Ela sorriu docemente assim que pararam um pouco longe do comércio, mas que ainda dava para vigia-lo. - Muitos tentaram de diversas formas fazer a poção. Mas nenhum teve sucesso.

- Estou estudando, para tentar o meu melhor. - A mulher observou com cuidado Andrew, como se pudesse ler um livro.

- É para você, Vossa Graça? - Ela perguntou, fazendo Andrew se espantar um pouco com a pergunta.

- Não! - Ele respondeu com os olhos arregalados. - A estudo por curiosidade, mas se chegarmos à algum lugar com esta poção, ela pertencerá ao Rei.

A senhora riu como se soubesse de algo que Andrew não sabia.

- Duvido que entregará para alguém, algo que possa te ajudar. - Andrew franziu o cenho. - Mas se é tão fiel ao Rei, está certo em ajudá-lo.

- A senhora irá me contar sobre as ervas? - Andrew perguntou um pouco irritado por ela estar caçoando de si.

- Irei sim. - Ela sorriu. - Vamos começar pela Salsa, aquela que vai deixar você e sua amada férteis.

[...]

Dois dias haviam se passado desde que Camille se encontrou com Andrew, e recebeu um pedido de encontro com Henry. O local do encontro, seria num celeiro que era afastado da civilização, ele ficava entre a floresta e era o antigo local que os dois se encontravam. Ninguém era dono do lugar, por isso não era incômodo se encontrar por ali, já que não havia animais.

O céu já estava escuro, Camille não saberia dizer que horas eram. Ela entrou no celeiro, estava vazio, havia apenas alguns fenos espalhados. Pensou que fora a primeira a chegar, até que sentiu uma mão na sua cintura o fazendo-a virar assustada.

- Acalme-se, sou eu. - Henry disse sorrindo, enquanto Camille se afastava um pouco para se acalmar.

- Não precisava chegar desse jeito, me assustou muito! - Ela reclamou, e logo cruzou os braços na defensiva.

- Peço perdão por isso. - Ele deu um risinho.

O silêncio um pouco perturbador surgiu, Camille se recusava a pensar em algo para falar e Henry apenas relembrava dos momentos que tivera ali.

- As coisas antigamente costumavam ser tão mais fáceis. - Ele suspirou. - Me tornei Rei muito jovem, e as consequências tomaram formas. Por conta disso, até perdi um amor.

Camille tentou não deixar-se tocada por isso, mas sabia que as coisas foram difíceis para Henry também.

- Não acho que as coisas seriam diferentes, você se tornando Rei mais velho ou mais jovem, a nossa história teria o mesmo final. - A camponesa estava agindo de maneira mais madura, queria deixar o sarcasmo um pouco de lado.

- Talvez não. - Henry a olhou travesso. - Me tornei rei pelo motivo de querermos paz, estávamos em conflitos com a França, queriam que o meu pai renunciasse e que novas medidas fossem impostas.

Camille o observou e viu que estava pensativo, percebeu que ele tentava acreditar que os dois poderiam sim ter tido um futuro.

- Então, depois de muita pressão, eu assumi o trono. - Ele engoliu em seco, o dia dessa decisão fora o mesmo em que abandonou Camille. - E para termos uma aliança, me casei com a princesa Marie.

Henry suspirou e encarou Camille.

- Era para ser você, no lugar dela.

- Ah, claro! Até porque eu sou uma princesa. - Camille ironizou revirando os olhos, o que fez Henry rir.

- Mas é claro que era... - Ele tinha sorriso brincalhão nos lábios quando se aproximou de Camille e pegou em suas mãos. - A princesa dos meus sonhos.

A Camponesa acabou corando com o que Henry disse. Palavras bonitas e que ela sempre gostava de ouvir, ainda mexiam com ela.

- Você é louco. - Ela disfarçou enquanto soltava as suas mãos das dele.

- Talvez. - Ele deu de ombros. - Mas valeu a pena vê-la sorrir.

Camille nem havia percebido que estava sorrindo e logo cruzou os braços novamente.

- Devíamos conversar mais, me faz me sentir mais relaxado. - Henry esticou os braços o alongando-os.

- Se for apenas para conversar, dá para vir e te aturar. - Ela deu de ombros. - Só não quero que me agarre. Você é casado.

- Sem problemas, me conformo em apenas ser seu amigo. - Ele se aproximou e estendeu a sua mão para que Camille apertasse. - Podemos nos ver mais vezes?

- Creio que sim. - Ela esticou a mão e a apertou a do rei, selando um acordo de paz entre eles.

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