Capítulo 23

68 9 0
                                        

Scott e Nathan estavam como sempre à espreita, um de cada lado da rua, Scott viu quando dois homens saíram carregando um saco preto, ele podia jurar que havia um corpo dentro, podia jurar também, pelo tamanho e força que os homens faziam que era o peso do corpo de um homem, se pedissem para que ele apostasse, apostaria que era Tony que jazia morto dentro do saco, ele pagara com a vida por sua traição.

Alguns minutos se passaram quando Scott sentiu uma pressão de algo gelado na nuca, sabia o que era, já passara por algo semelhante outras vezes, mas, sempre houvia um dos irmãos presentes para o ajudar, porém, agora encontrava-se sozinho, Nathan estava do outro lado, disfarçado e não podia se revelar, do contrário não haveria a menor chance para ele.

-Então, o que será que o tira aí, está xeretando? – questionou uma voz que lhe era desconhecida.

Virou-se com cuidado para seu interlocutor.

-Sei quem é você, um dos filhos do chefe Rogers, vi você no noticiário, chorando a morte de seu irmão mais velho, o meu chefe vai ficar muito feliz por tê-lo em nossa companhia.

Empurrando Scott com o cano da arma, o homem com aparência aterradora, o fizera andar, ele não era louco de tentar escapar, claro que sabia como se livrar do sujeito com precisão e se duvidar, sem nenhum arranhão, mas, perderia a chance de descobrir se Amanda estava mesmo viva e dentro daquele barracão, deixando-se prender, ele poderia ter a oportunidade de ajudar a cunhada e fazer com que o irmão voltasse a sorrir.

***

O quarto cheirava a hipoclorito de sódio, tanto que estava ruim até de respirar, o produto fora utilizado para retirar as manchas de sangue do chão e das paredes, onde haviam respingos. Amanda apertava o nariz, tentava respirar só pela boca, mas sua garganta ressecava, necessitando tomar cada vez mais água.

Não estava mais suportando ficar trancada naquele lugar, carecia de ar puro, de ver o sol, de sentir a quentura do astro-rei em sua pele, não havia espelho ali para se olhar, mas achava que sua aparência era aterradora, vestia ainda a mesma roupa com que fora raptada, estava com os cabelos sujos, mesmo eles trazendo água para que ela pudesse se lavar, ela sentia-se suja, necessitava perder muitas horas em sua banheira cheia de espuma, tendo Chris esfregando suas costas.

Chris! Deus! Quando tudo isso acabaria? Quando poderia vê-lo novamente? E sua filha? Sentia falta de senti-la em seus braços, seu cheirinho delicioso de bebê. Como estariam todos? Estariam sofrendo por ela? E Chris? Estaria chorando por ela, como ela estaria se estivesse em seu lugar? Deus sabe como gostaria que ele estivesse bem, que ele estivesse bem o suficiente para notar que havia algo errado em toda essa história, queria ter o poder mental de enviar uma mensagem telepata para ele, para que ele soubesse que ela estava viva e que precisava dele mais que nunca.

Com esse pensamento, fechou os olhos fortemente e elevou uma prece à Deus, quem sabe Ele com sua grande Misericórdia a ajudasse e fizesse com que seus familiares descobrissem a mentira sobre sua morte.

Estava assim, prostrada, com as mãos postas, os olhos fechados, quando de repente a porta se abriu mais uma vez naquele dia, a pessoa que passou por ela fez um breve sorriso aparecer em seu rosto cansado, levou uma mão à boca para conter o grito que por certo escaparia de seus lábios ao reconhecer seu cunhado entrar aos trancos, empurrado, com uma arma encostada em sua nuca, os braços presos atrás das costas.

Scott foi jogado ao chão, Mathews, com um sorriso maligno no rosto o chutou com força na barriga.

-Policialzinho de merda! Achou que poderia nos enganar, vigiar e nos dedurar para o irmãozinho, pena que não escapará dessa com vida, enxerido.

Amor no DistritoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora