Sun

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  Louis não enxergava um palmo em sua frente, e não era apenas culpa das drogas ou algo que ele bebeu, os flashes jogados em sua direção estavam ajudando em sua cegueira temporária.

  Ele estava apenas sendo guiado por seus três seguranças, e não ligava muito se por acaso se os perdesse e fosse sequestrado ou todo arranhado por algumas fãs que tentavam toca-lo ou tirar uma foto de qualquer modo.

Sua cegueira passou quando foi praticamente empurrado para dentro do carro de vidros pretos. Louis estava totalmente farto, ele só queria ficar em paz um pouco.

Ele estava conseguindo lidar bem com a pressão que começou a cair sobre ele, mas tudo foi por água abaixo quando sua mãe morreu. Ela só adoecia a cada dia, e Louis não pensou um segundo em gastar tudo o que podia para dar o melhor para sua mãe, mas o momento de partir foi necessário. Ele tentou ser forte para suas irmãs, mas era difícil com tudo acontecendo.

E foi ai seu primeiro contato com a cocaína, em uma festa de seu amigo modelo zayn, e ele se sentiu bem e feliz. E aos poucos aquilo virou um vício, e ele não podia ser um viciado em cocaína, tendo seis irmãos para cuidar. Tinha uma carreira que construiu com muita dificuldade, e que custou muita coisa para ele, inclusive sua saúde mental. E o mais importante tinha os fãs. Então ele simplesmente não podia.

Mas não é tão simples assim, ele precisava se aliviar então pegava uma de suas lâminas de barbear e fazia cortes na parte inferior de sua coxa, onde não era muito visível. Ele sentia a ardência, a dor, via seu sangue escorrer e talvez era exatamente aquilo que ele precisasse, pelo menos foi o que pensou. Os cortes se tornaram mais grandes, agora nos pulsos, começou a usar moletom para tudo, suas fãs até estranhavam mas estava tudo bem, ele estava lançando músicas, clipes, indo em programas, era sempre visto em festas e, se você fosse uma pessoa de sorte, acabaria trombando com ele em um pub ou uma balada noturna.

Ele já estava tão farto de tudo, que vestiu em sua própria mente o rótulo de fraco. Começou a usar cada vez mais drogas, seu corpo saudável agora estava magro, sua pele bronzeada estava pálida, olheiras e mais olheiras, e a cada noite eram várias carreiras de cocaína e muitas bebidas.

Assim que chegou em sua casa foi para seu quarto, decidido a fazer alguns cortes para se aliviar. Mas assim que colocou a lamina em sua pele pálida ele não sentiu. E se deu conta que nada mais o machucava. Ficou ali olhando seu reflexo no espelho sem se reconhecer, e conversava com si mesmo em sua mente.

   "Quando você se tornou isso?", "a que ponto eu cheguei, onde nada me machuca", "eu prometi ser forte".

Entre tantos pensamentos enquanto ele olhava seu próprio reflexo veio apenas uma palavra que fazia sentido para ele "morte". Talvez aquela fosse a hora? Não, ele sabia que não era, fazia menos de dois anos da morte de sua mãe, suas irmãs precisavam dele.

Ele apenas sentou no chão do banheiro atordoado, precisava conversar com alguém. Pegou seu celular no bolso traseiro e desbloqueou com a digital, provavelmente ele tinha mais de mil contatos, mas os únicos que ele pensou em ligar era o de sua irmã Lottie e de seu colega mais próximo Zayn, mas ele não queria incomodar ninguém. Lottie ficaria preocupada e ela esta tão feliz em Paris se divertindo com as amigas. E Zayn se sentiria culpado, mesmo não tendo culpa de nada, então Louis pensou em recorrer ao centro de prevenção ao suicídio. Ele apenas digitou no Google e logo apareceu um numero, era algo fácil.

Digitou "188" em seu celular e ele já estava tremendo, seria difícil se abrir, ainda mais com um total desconhecido. Louis colocou no viva voz e encostou sua cabeça na parede esperando alguém atender, no fundo ele não queria que isso acontecesse, mas ele precisava. E foram exatos três "pis" até fosse atendido.

– Oi, eu sou Harry Styles do Centro de Prevenção ao Suicídio, como você se chama?- louis ouviu a voz grossa e rouca do homem através da chamada. Ele estava com medo – Alo? Não precisa ter medo estou aqui para ajudar.

– Oi- Louis disse quase em um fio de voz mas Harry o tinha ouvido.

– Oi- ele disse dando uma risadinha – Como você se chama?- Harry perguntou ja pegando um lápis para começar a anotar tudo que fosse necessário.

– Eu gostaria de não falar meu nome, se não incomodar- Louis disse dessa vez um pouco mais alto e ouviu o ar que saiu da boca de Harry quando ele sorriu.

– Claro que não incomoda, mas como você gostaria de ser chamado?- Harry perguntou para Louis que ia perdendo aos poucos sua timidez.

– Você pode escolher, não estou com a imaginação boa hoje- ele disse sincero.

– Ótimo, te chamarei de Sun.

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