3- (4) Days Without Sun

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Dias Sem Sol, dia 8

  Ele não sabia muito bem o que fazer. Sabia que não entregaria a carta a mais ninguém por algum tempo, não ate que entendesse o que Louis quis dizer com aquelas notas.

"Você começa aqui, Harry.

1- Stolen Dance. Mas você roubou muito mais que uma dança de mim aquela noite."

  Harry leu e releu e leu novamente pela quinquagésima vez tentando entender aquilo.

  Foi ao trabalho, conversou com pessoas, atendeu a todos muito bem e o enigma de Louis não saia de sua cabeça.

  – Boa tarde, Harry- disse uma voz feminina enquanto o cacheado lavava uma das máquinas de café, pronto para acabar seu expediente.

  – Eleanor... Quanto tempo- Harry a olhou. Ela não parecia legal, mas quem parecia?

  Eleanor era uma das únicas que sabia que a morte de Louis tinha sido suicidio. Simon se certificou que todos ouvissem outra história, mas Eleanor não acreditou pois conhecia o mínimo de Louis para entende-lo.

  – Pois é... Está indo embora?

  – Estou. Precisa conversar?

  – Você se preocupa demais com os outros, Harry- ela suspirou- ambos precisamos conversar

  – Tudo bem, já acabei aqui- Harry terminou de secar e avisou seu superior que estava indo embora.

  Estava um pouco nervoso por conversar com Eleanor sobre Louis, pois não era como conversar com Niall, que exclusivamente se preocupava em manter Harry vivo, mas Eleanor também conhecia Louis. Harry sabia que talvez ela se sentisse tão responsável quanto ele pela morte do de olhos azuis.

Pegaram um café e foram até a pracinha na frente do Starbucks juntos.

  – Então... Como está aguentando?- ela perguntou dando um pequeno gole em seu café quente

  – Não estou- suspirou olhando para o céu nublado- e você?

  – Não paro de repassar na minha mente nossos momentos juntos e em como não pude fazer nada para mudar isso- ela tinha lágrimas nos olhos- mas imagino para você, Harry, como está realmente sendo?

  – Está doendo. A culpa me corrói, ainda que eu entenda- disse tentando não chorar

  Eleanor colocou sua mão em seu braço num gesto confortante. Ela já chorava.

  – Não é nossa culpa no fundo. Ele já devia ter decido isso faz um tempo.

  – Só queria ter sido o suficiente para faze-lo querer viver.- Harry admitiu

  – Você foi. Ele viveu aqueles dois meses por você. Mas queria paz e como você mesmo disse, eu entendo.- ela falou mas demonstrava uma tristeza imensa no olhar.

  – Sei que nao poderia impedi-lo de procurar sua paz, mas dói. Dói saber que nunca mais verei aqueles olhos azuis, que não escutarei mais aquela voz e não sentirei mais o seu toque. Dói saber que ele simplesmente não está mais aqui, e não está em lugar nenhum. Sinto tanta saudade que poderiam arrancar o meu peito fora e eu ainda sentiria essa dor.- Harry disse pausadamente sentindo as lagrimas escorrerem por seu rosto.

  Eleanor o abraçou e soluçava de tanto chorar.

  – Ele teve sua paz. Mas e nós? Como superamos isso?- Harry continuou

  – Superamos juntos- ela disse dando uma enxugada no rosto e pegando na mão de Harry.

  Ficaram apenas um ao lado do outro, pensando em Louis, em Sun e Harry decidiu que talvez Eleanor pudesse ajuda-lo com a carta.

  – Louis me deixou uma coisa- disse

  – Deixou? Um bilhete? - ela disse curiosa

  – Uma carta. Duas, na verdade- ele suspirou pensando se devia mostrar a ela- mas uma não consigo entender...

  – Se não for demais, eu posso ajuda-lo, mas entendo se não quiser compartilhar- ela disse mas já se ajeitou o olhando de frente

  Harry pegou sua mochila e abriu, pegando a nota de Louis. Não iria mostrar a carta, não ainda. Aquilo era dele.

  Estendeu a nota pra Eleanor que a pegou e só ficou encarando como se estivesse em choque. Depois de um tempo ela leu em voz alta e o olhou com uma cara confusa.

  – Harry, não faço ideia- ele suspirou já sabendo que isso iria acontecer

  – Por que ele se daria o trabalho de escrever isso se eu não consigo entender?- ele estava frustrado, era como se tivesse encontrado um pedaço de Louis e este estivesse escapando entre seus dedos. Novamente.

  – Talvez seja um lugar. Não sei- Eleanor disse e colocou a mão na cabeça como se pensasse.

  Harry considerou o que ela havia dito. Um lugar. Louis realmente dava uns sumiços nos lugares em que visitaram e vivia dizendo que queria deixar sua marca. Mas não foram para nenhum lugar chamado Stolen Dance. E ai ocorreu a ele:

  – O negocio que ele entregou para a velhinha do hotel!- disse meio alto atraindo uns olhares estranhos e um confuso de Eleanor.

  – O que?

  – Em New Vegas! Fomos pra um hotel casino e eu pedi para o cara do som tocar Stolen Dance para Lou e fiz ele dançar comigo- ele ficou saudoso com a memória feliz- quando fomos embora, vi ele dando algo pra velhinha da recepção, mas achei que fosse gorjeta sei lá

  – Então você acha que ele te deixou um bilhete lá? - Eleanor disse como se não entendesse

  – Acho que se ele realmente me deixou algo lá, então deixou outros algos nos outros lugares- disse pensando em todas as vezes que via Louis escrevendo em um caderninho de papel reciclável.

  – E você vai lá ver?- ela disse e abriu um sorrisinho

  – Não sei- Harry não queria voltar nos lugares que visitou com Louis.

  Aquilo eram lembranças felizes que foram manchadas pela culpa, quantas vezes achou estranho o que Louis disse e não tinha feito nada? E se tivesse feito, o que isso mudaria?

  – Vá para casa, descanse e pense nisso, Harry- disse Eleanor se levantando do banco e pegando os copos vazios de café- quando souber, me avise.

  Harry se levantou também colocando a mochila na costas e segurando as alças.

  – Saiba que eu estou sempre aqui se quiser conversar- Eleanor disse e o abraçou- e se eu precisar te chamarei. Acho que ambos precisamos passar por isso juntos.

  – Obrigado, Els- Harry disse apertando o abraço. Eleanor era muito legal e ele a considerava como uma amiga.

  Se despediram e Harry foi caminhando para casa. Colocou seus fones de ouvido, mas não ouvia música. Ouvia seu pensamentos, suas memórias. Ouvia cada "eu te amo" que havia trocado com Louis. Ouvia sua primeira conversa no telefone e o barulho silencioso do desespero de Sun naquele banheiro.

  Talvez Eleanor tivesse razão. Talvez Harry tenha estendido o prazo de vida Louis, mas não houvesse nada que pudesse ser feito. Exceto que nesses casos, sempre tem.

  Pensou em como foi sua culpa te-lo arrastado para uma viagem e não para um consultório médico. Por já ter lidado com isso, Harry sabia que por mais amado que fosse, se o seu peito estivesse vazio, não passava aquele sentimento.

  Mas não havia como voltar atras. Aconteceu o que aconteceu. Se tivessem tomado outros caminhos, outras escolhas, aquilo poderia não ter acontecido ou teria acontecido de qualquer forma e talvez Harry sequer tivesse conhecido Louis.

  Abrindo a porta de casa e encarando o hall gelado Harry entendeu.

  Finalmente entendeu o que era um acidente.

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