Naquela palavra estava guardada uma ameaça ou uma promessa? Ambas as opção me aterrorizavam. Eu precisava falar com a Mari.
Amarrei meus cabelos em um coque mal feito e desci a rua até a boca. Era ali que Pablo havia me dito que ela estaria, não é?! Entrei na viela sem problema algum, já estivera em lugares como aquele antes. O que me incomodava, era a quantidade de pessoas naquele lugar, era quase impossível que eu achasse ela naquela confusão e o cheiro da maconha estava me enlouquecendo. Fazia quase um mês que eu não fumava um bom baseado. Pus as mãos em meus bolsos e tirei uma nota de 5. Atirei-a sobre uma das pequenas bancas.
XXX: O que vai querer?
Ju: Maconha. – Pedi
Ele, então, pôs uma boa quantidade de pó e enrolou em um papel.
Ju: Acende pra mim?
XXX: O que eu não faço por uma moça bonita? – Ele disse, enquanto usava o isqueiro.
Ju: Obrigada.
Dei meu primeiro trago, gozando da leveza que só aquela maravilhosa erva podia me proporcionar. Todas as preocupações pareceram perder o sentido, eu estava no meu mundo colorido. Vaguei pela pequena ruazinha até alguém puxar-me pelo braço.
Ju: Ei – Protestei.
TC: O que faz aqui?
Ju: Estou procurando a Marina. – Respondi secamente
Seus olhos focaram meu baseado.
TC: E o que é isso na sua mão?
Ju: Um passatempo. Você viu ela?
Ele hesitou em responder.
TC: Na praia com o PB. São Conrado.
Suspirei pesadamente. Ah droga! Eu não fazia ideia como chegava lá partindo da Rocinha e além do mais, eu estava sem dinheiro pro táxi. Eu teria que descer para sacar em um caixa eletrônico.
TC: Quer carona? Vou ter que dar uma passada por lá mesmo.
É obvio que eu pensei em recusar, mas na situação que eu estava, eu precisava da ajuda dele.
Ju: Está bem. E você pedia me emprestar seu telefone?
Ele, então, tirou do bolso seu iPhone e entregou-me. Disquei o número de Felipe e ele rapidamente atendeu.
Ju: Oi Lipe.
Felipe: Bom dia.
Ju: Escuta, eu estou indo pra praia de São Conrado, você poderia levar a mala que ficou ai em casa? E não esquece meu celular, por favor.
Lipe: Posso sim. Te encontro lá em 30 minutos, ok?!
Ju: Ótimo. Obrigada. Até daqui a pouco.
Encerrei a ligação e o devolvi o celular.
TC: Vamos?
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Do Morro Ao Asfalto
AcakDois mundos completamente diferentes, dois caminhos que se cruzam. De um lado, Juliana Arezzo, filha de um poderoso e impiedoso empresário. Do outro, Thiago da Costa, conhecido como TC, dono da maior favela da América Latina, a Rocinha. July, como é...
