capítulo 36

145 7 0
                                        

[...]

Sinto-o a apertar a minha mão com demasiada força quando o avião embate no chão e mostro-lhe o meu sorriso tentado acalma-lo.

"Esta tudo bem, já aterramos." Digo-lhe o mais calma possível e ele suspira de alívio abrindo os olhos.

"Esta turbulência foi terrível." o Niall resmunga retirando o cinto e rio-me do seu ar carrancudo.

"Não adivinhavas que o tempo ia estar assim, é normal, as vezes acontece."

Retiro também o meu cinto e sacudo as minhas pernas mesmo sem ter migalhas sobre elas. Apenas pó.

"Mas já esta tudo bem. Agora estamos a salvo." Faço questão de reforçar o 'a salvo' fazendo o gesto de aspas com a mão. O niall amua e mostra-me a língua fazendo-me rir. Ele pareceu uma criança com medo a viajem toda.

"O avião parecia literalmente que ia cair, não tenho culpa de ter visto a minha vida a acabar." Ele bufa.

"Deixa estar, ago-"

Sou interrompida pela voz da hospedeira que nos avisa que a viajem acabou agradecendo pela escolha da companhia de voo.

Quero esperar e ser das últimas a sair do avião mas o niall puxa-me desesperado devido à claustrofobia. Ele não me tinha dito mas percebi que ele nao tinha muito gosto em andar de avião, pelo menos com mau tempo. A forma como se comportava fazia-me rir incontrolavelmente mas ele parecia mesmo desesperado, tenho pena e tento acalma-lo mas não deixa de ser hilariante.

Era triste voltar a pousar os pés no chão do aeroporto. Estes tinham sido os melhores 4 dias da minha vida, sem sombra de dúvida, e nao queria por nada voltar para a terrível cidade que me fazia pior do que qualquer outra coisa no mundo. Mal sinto o ar poluído de Londres o peso sobre a minha cabeça aumenta para mil, a minha atenção aumenta, a desconfiança, tudo. Tudo o que esteve afastado em Paris volta fazendo o meu coração doer. Eu não queria voltar, não queria ter de enfrentar os problemas novamente.

"Tem calma, vai tudo ficar bem." O niall conforta-me quando me vê cabisbaixa e abraço-o fortemente durante demasiados segundos.

"Eu preciso de voltar para Paris, por favor." Imploro.

A sua gargalhada vibra contra o meu ouvido e arrepio-me com a sensação. Aquilo era fantástico.

"O que nós tínhamos em Paris não vai mudar aqui, daqui a pouco estamos nas férias de Natal e eu levo-te a outro sítio... Apenas não desanimes bebe."

Respiro fundo e sigo as palavras do Niall. Eu não podia pensar negativo, por muito que quisesse fugir aos problemas eu não podia pois eles viriam sempre atrás de mim.

Tem calma cat, tem calma. repito para mim própria na minha cabeça e afasto-me do peito do Niall dando o melhor sorriso ao meu rosto

"Obrigada." Sussurro e ele beija-me aliviando toda a tenção do meu corpo.

"Vamos lá, a tua mãe já deve estar à tua espera."

As nossas mãos unem-se numa só e sinto muita mais segurança assim, perto do Niall. Ele ia proteger-me, pelo menos tinha de pensar que sim caso contrário nao iria conseguir viver de uma forma razoavelmente direita.

[...]

Fecho a porta atrás de mim e suspiro pesadamente enquanto desaperto as minhas sapatilhas à entrada.

"Mãe!?"

A minha voz faz eco contra todas as paredes da casa vazia e percebo no segundo a seguir que ela não estava em casa. Era domingo à noite, ela dificilmente trabalhava a esta hora mas a hipótese de ter saído com o seu novo companheiro ou namorado surge logo na minha cabeça.

unconditionally [a rescrever]Onde histórias criam vida. Descubra agora