capítulo 49

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Subitamente o seu sorriso desaparece, consigo ver as suas pupilas a dilatar significativamente de um momento para o outro e a força que faz nos seus punhos assusta-me. Tenho vontade de me enrolar numa pequena bolinha, de me esconder dele e de todo o mundo mas mantenho a minha postura forte, tinha de ser forte para salvar quem já me tinha salvo.

“Tu o quê!?” a sua voz sai tão áspera que quase lhe saem láminas que me cortam da boca.

“Eu matei o John, ou achas que mais alguém tinha razão para o fazer além de mim?”

Há uma batalha interna no seu cérebro, consigo observar isso pelo olhar confuso e irritado. Provavelmente estava a perguntar-se como foi tão burro, era tão obvio que tinha sido eu a mata-lo que a possibilidade de ter sido outra pessoa até parece estúpida para ele. Talvez na sua cabeça todas as pessoas se fossem capaz de matar umas ás outras.

A cadeira arrasta-se com demasiada força quando ele se levanta sem eu estar á espera e o grande punho do Peter é espetado contra a mesa de madeira fazendo-a abanar com a força que é feita sobre a mesma. Colo os joelhos no meu peito como defesa para o que ele estivesse a pensar fazer-me e respiro fundo tentando atenuar a velocidade do meu coração. Estava a bater tão depressa que podia explodir a qualquer momento.

“COMO!? COMO É QUE O MATASTE?” ele grita tão alto que o meu cérebro vibra dentro do crânio fazendo-me ficar tonta.

“e-eu.. foi com um tiro, no peito.” Digo tentando lembrar-me do sítio onde a bala que o Niall mandou ao John tinha acertado e arrepio-me ao lembrar-me daquele dia. Mas o que estava para enfrentar hoje ainda ia ser pior.

“Então prepara-te Catherine, porque é assim que vais morrer.”

O meu coração falha uma batida e um enorme peso cai em cima do meu corpo dificultando os meus pulmões de trabalhar de uma forma direita. Tenho vontade de vomitar, mesmo sem ter nada na barriga e controlo-me ao máximo para não deixar nenhuma lágrima cair pela minha face involuntariamente. Eu só queria o Niall aqui, os seus braços á minha volta como um medicamento que podia curar qualquer doença, só queria os meus amigos, as saídas á noite, uma tarde a rir e a ver filmes sem parar. Tudo isso pareciam coisas tão banais quando as fazia, coisas tão dispensáveis, mas agora que a minha vida podia acabar tudo o que desejava era isso, coisas simples e tão fáceis de realizar.

O seu corpo sai da cozinha com pressa deixando-me sozinha no espaço e mais uma vez volto a respirar fundo atenuando o pânico dentro de mim. Fecho os olhos com força pressonando as pupilas uma contra a outra e concentro-me na forma como todos os órgãos trabalham dentro de mim fazendo-me viver. Isso acalmava-me.

Estou a tentar normalizar a respiração quando ouço a vibração de um objecto electrónico sobre a mesa. exactamente á minha frente e á espera de ser tocado por mim, o meu telemóvel. Quero tocar-lhe, ligar para alguém, salvar a minha vida… mas isso parece-me arriscado neste momento. Ou será que salvar a minha vida não era uma má decisão? Opto por pensar que se alguém me viesse salvar e trouxesse uma arma conseguíssemos derrotar o Peter, manter-me viva e viver feliz para sempre.

Pego no telemóvel rapidamente, como se alguém estivesse a controlar cada centímetro dos meus movimentos, e marco o primeiro número que me vem á cabeça rezando para que do outro lado atendessem.

Toca uma vez.

Segunda vez.

Terceira vez.

“Sim Catherine?” a voz rouca e preocupada do Zayn provoca um arrepio na minha espinha e volto a olhar para o ecrã só para verificar se era mesmo ele. A primeira pessoa a quem me tinha lembrado de ligar foi ao Zayn.

unconditionally [a rescrever]Onde histórias criam vida. Descubra agora