Segunda feira. O pior dia da semana.
Voltar á escola dava-me dores de barriga neste momento, não queria pensar em como seria ter de voltar áquela rotina depois de toda a viajem que fiz. Mas isso não era o pior.
Hoje ia ser o jantar com o namorado da minha mãe e o seu filho.
Tentei adiar ao máximo o compromisso, tudo o que não queria agora era ter de enfrentar isso, esse assunto. Ainda não estava emocionalmente preparada para conhecer a minha nova família, nem se quer me tinha mentalizado ainda que ia voltar a ter uma família.
Mas a minha mãe não me deu qualquer oportunidade de fugir. Tirou o dia de folga de propósito para limpar a casa e cozinhar o melhor possível para o encontro que parecia ter demasiada importância para ela. Quer dizer, eu compreendia mas não tinha cabeça para isto acontecer agora. Eu precisava de um pouco de descanço e ela da-me a conhecer o meu novo pai assim, de um dia para o outro.
Quando chego a casa depois do almoço um cheiro a bolos invade o meu nariz fazendo a minha barriga roncar. Tinha acabado de almoçar mas aquele cheiro era simplesmente irresistível.
“estou em casa mãe.” Grito enquanto pouso a minha bolsa no bengaleiro e me descalço para não sujar o chão com as botas sujas.
“meu deus, finalmente, preciso da tua ajuda cat.” Ela vem a correr até mim como um furacão e assusto-me com o seu aspeto. Parecia que a minha mãe tinha andado na guerra meu deus.
Tropeço nos meus próprios pés quando ela me empurra para a cozinha a toda a força e o meu queixo quase cai quando vejo todas as sobremesas que ela tinha feito apenas de manhã.
Podiam não ser assim tantas mas para mim eram demasiadas. Ela nunca cozinhava para mim e assim de repente tem 4 sobremesas espetadas na mesa da cozinha apenas para o seu namorado, e o seu filho.
“o que queres que faça?” pergunto-lhe confusa olhando para toda a confusão e ela pensa por segundos, como se esttivesse a rever as tarefas na sua cabeça.
“preciso que me laves esta loiça por favor, e vás ver a roupa que queres vestir. Eles vão estar aqui ás cinco e trinta.”
“cinco e trinta!?” pergunto apenas para ter a certeza que ela não se tinha enganado.
“sim, cinco e trinta.”
Isso era demasiado cedo.
Olho para o relógio e são três e meia. Dentro de duas horas ia ter os meus novos familiares a entrar dentro da minha casa e ainda tinha de escolher a roupa, tomar banho e arrumar a porra da louça da cozinha que parecia uma pocilga.
“eu começo pela cozinha, não te preocupes.” Digo dirigindo-me á banca e a minha mãe deixa um beijo no topo da minha cabeça antes de sussurrar um obrigada e sair a correr do compartimento.
Mas afinal porque é que nós não tínhamos uma empregada de limepeza para nos ajudar?
Ia dar imenso jeito agora.
Bufo aborrecida com a confusão e coloco umas luvas para a minha pele não entrar em contacto com toda aquela nojissse de alimentos misturados com água. Eu odiava fazer este tipo de trabalhos, mas mais uma vez, ia fazê-lo pela minha mãe. Tudo pela minha mãe.
Numa hora consigo limpar toda a louça e a cozinha e deixar o que consigo o mais brilhante possível.
Deu trabalho, mas o resultado da arrumação deixa-me orgulhosa de mim.
Eu até era boa a limpar.
"Vou-me vestir mãe." Grito para o seu quarto antes de entrar no meu e recebo um grito de volta fazendo-me certificar que ela ainda estava viva.
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unconditionally [a rescrever]
Fanfiction" talvez não esteja preparada para viver, talvez não tenha nascido para ser realmente alguém, talvez seja mais fácil se o mundo parar de girar, mas porquê? porque é que eu partilho estes pensamentos suicidas quando consigo encontrar pessoas que me a...
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