capítulo 39

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“Luke, vou sair!” grito do outro lado do balcão e recebo um polegar levantado como sinal que me podia ir embora. Pego nas minhas coisas arrumando-as todas na bolsa e visto o casaco agasalhando-me da temperatura que ia encontrar no exterior.

Quando abro a porta pesada do centro comercial um frio demasiado gelado embate na minha cara não coberta pelo casaco e arrepio-me. O tempo em Londres tinha estado terrível, principalmente hoje. Uma chuva forte caía das nuvens pesadas cinzentas debatendo-se com trovões de segundos a segundos. parecia que o céu estava zangado com o mundo, como naqueles filmes em que há um dilúvio e as cidades não conseguem absorver as tempestades desta dimensão dando origem a cheias. Era sem duvida assustador.

O Niall não me podia vir buscar hoje devido a compromissos com a família por isso tinha de ir de metro para casa. Ainda havia a hipotesse de ir a pé mas com a tempestade que as ruas estavam a sofrer era impossível.

Conto até três antes de começar a correr para atravessar a estrada da parte coberta até á entrada do metro e corro o mais depressa que consigo, de uma forma desajeitada a tentar não cair. Um trovão passa-me ao lado e solto um pequeno grito escorregando para o chão com o susto. Merda. Agora estava toda molhada.

Levanto-me a custo com as pernas doridas devido ao embate e lanço palavrões para o ar quando algumas pessoas passam por mim mas não me ajudam. O bom senso parecia estar a desaparecer do mundo meu deus.

Quando finalmente chego à entrada subterrânea pigarreio tentando espremer a água da minha camisola mas sem efeito. Os meus dentes estão a bater com o frio e nem quero imaginar como a minha maquilhagem esta espalhada na minha cara de uma forma borratada de certeza. Recebo alguns olhares de pena e fico ainda mais irritada com isso.

Se o Niall me tivesse vindo buscar nada disto tinha acontecido, mas não o podia culpar. Ele tinha compromissos com a família e não o ia fazer abdicar deles.

"Precisas de ajuda?" Uma voz familiar pergunta-me e estremeço sem estar a espera.

"Se tiveres uma toalha ou alguma roupa aju-" a minha voz falha quando vejo os seus olhos azuis escuros que eram impossíveis de não destinguir.

Era ele mesmo a minha frente, em carne em osso. Não era mais um pesadelo ou pensamento, não era mais uma visão no centro comercial, desta vez era mesmo a serio e o toque dele no meu braço faz-me congelar.

Quero correr dali e fugir pelo menos uma milha do local, lavar o meu braço em que ele tocou, gritar em frustração mas as minhas pernas parecem duas pedras que não consigo mexer. O meu coração está parado e o sangue já deixou de ser bombeado para todo o meu corpo, estou quase a desfalecer e ele está apenas à minha frente.

"Eu.. N-nao, estou bem, obrigada." A minha voz é quase inaudível e finjo que não o conheço. Talvez ele assim me deixe em paz e possamos agir como dois desconhecidos, isso era apenas o que podia fazer neste momento.

“tens a certeza? Pareces com frio…” ele insiste passando as mãos pelos meus braços como se me estivesse a aquecer e todos os músculos do meu corpo ficam tensos.

“ Sim, obrigada mesmo.” Tento afastar-me mas ele agarra-me o braço com força.

Merda.

“Não finjas que não me conheces. Ambos sabemos que coisas como a que nós tivemos não se esquecem.” Ele sussurra no meu ouvido e sinto-me tonta com todo o medo a ferver dentro de mim. o John agora não me ia deixar, não sem me fazer algo terrível antes.

unconditionally [a rescrever]Onde histórias criam vida. Descubra agora