capítulo 48

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Acordo com uma dor de cabeça terrível que me come o cérebro de uma forma insaciável e só após 10 segundos consigo abrir os olhos podendo assim ter uma visão do terrível sítio onde estava.

Era um apartamento pequeno, escuro e demasiado desarrumado, mas não me espantava a quantidade de roupas e restos de comida espalhados pela maior parte do chão, isso eram marcas de que apenas seres masculinos habitavam neste apartamento imundo.

Tenho tudo organizado na minha cabeça, apesar das dores, e controlo ao máximo o meu choro para não me deixar desfalecer aos poucos pela merda de vida que tenho. Ainda custava entrar na minha cabeça que tinha sido adotada e o meu irmão realmente me tinha traído, quer dizer, ele não me traiu apenas, ele uniu-se com uma das pessoas que destruiu a minha vida e ele deu-lhe de comer?? Haviam tantas perguntas na minha cabeça. De onde eu realmente era, se os meus verdadeiros pais estavam vivos, se tinha mais família biológica, como o john tinha conhecido o Peter, há quanto tempo ele estava cá, como estará o Niall? Oh meu deus, eu não do seguia suportar tantas informações ao mesmo tempo.

Observo-me após respirar fundo e acabo por perceber que não estou com as mãos presas, apenas os pés, ao contrário do que pensava, e uma estranha mesa está no meu lado direito com um copo de água, uma aspirina e o meu telemóvel pousados em cima.

Irônico.

Rapta-me e depois da-me uma aspirina.

Pego no pequeno comprimido e engulo-o de uma vez sem esforço com a ajuda da água. O líquido faz contraste com a minha garganta demasiado seca provocando uma sensação de dor, como se tivesse gritado durante horas e a minha voz desaparecera por completo deixando arranhões nos tecidos da minha traqueia.

A seguir pego no telemóvel, tenho pelo menos 50 chamadas não atendidas de toda a gente, do Niall, do Zayn, da Ally, dos meus primos, da minha mãe... Até mesmo da minha tia. Eram 2:30pm e isso significava que estava desaparecida há algumas horas, demasiadas horas para alguém achar normal. Pondero a opção de ligar a alguém, será que estavam à espera par ver a quem ligava e apanhasse o isco? Podia ter alguém ligado ao meu telemóvel a ver quem seria a primeira pessoa a quem ligava para prever que tinha sido essa pessoa a matar o john.

Vitrifico o local e sem câmaras de vigilância, verifico o telemóvel e sem nenhum tipo de dispositivo estranho. Provavelmente se apenas apagasse o histórico ninguém descobriria que tinha ligado e pronto. Não podia ser paranóica e pelo sítio onde estava podia quase adivinhar que no máximo 2 pessoas estavam mais envolvidas neste plano.

Mando mensagem à Ally e ao Niall informando-lhes de tudo o que tinha acontecido , sem pormenores sobre o meu passado,  mas apenas que tinha encontrado o meu irmão e ele estava um traidor tendo-me raptado. Era a segunda vez num espaço menor do que um mês que estava a ser vítima de um sequestro mas sinceramente desta vez estava mais relaxada do que na outra, talvez por não ter tanto pânico ao meu irmão adotivo como tinha ao john, embora agora eles pareçam quase a mesma pessoa.

Precisava urgentemente de me ver livre deste tipo de vida, seguir em frente com outra coisa qualquer, esquecer todas as pessoas que já tinham passado por mim à exceção daquelas que realmente gostava. Não estava a conseguir ver um bom desenlace para o problema em que estava emaranhada com o meu irmão, ou morria ele, ou morria eu. Por mais que me sentisse traída o Peter não deixava de ser o Peter e não desejava viver a saber que tinha sido eu a matar o verdadeiro filho da minha mãe adotiva.

O telemóvel toca e estremeço. É um número privado.

"Sim?" A minha voz frágil sai de uma forma desafinada mas não estou importada com isso.

"Oh Catherine, ainda bem que estás acordada." É a voz do Peter. "Vim buscar uma pizza para nós, preferes havaiana ou margaritta?"

Não respondo. Sinto-me tão frustada e em choque que nenhum tipo de som é capaz de sair da minha garganta. Ele estava a ligar-me a perguntar-me que porra de pizza queria, se isso não era doentio então não sei o seria.

unconditionally [a rescrever]Onde histórias criam vida. Descubra agora