Vinte: Henry

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O bourbon dançava em minha boca enquanto eu observava uma morena ao lado de Carrie despejar uma taça quase cheia de martini na cabeça de Delilah Hall. Quis rir com a cena mas anotei mentalmente para fazer depois. Provavelmente o meu whisky tornaria-se até doce de criança perto do veneno que as pessoas nesse salão emanam. Mais especificamente Dalton, Hall e Gavilli, não necessariamente nessa ordem.

—... E também na semana que vem faremos uma reunião na prefeitura e apresentações... - Thomas Murphy tagarelava na roda sobre os programas que fomos convidados para ir e eu estava quase caindo de sono

Que cara chato do caralho!

— Estou começando a me arrepender de ter aceitado esse convite só de ouvir esse panaca falar - Colin cochichou discretamente perto do meu ouvido enquanto todos os outros prestavam atenção nos minuciosos detalhes da fala de Thomas

— Nem me fale - beberiquei o whisky

— Perdão Sr. Donovan? - o senador indagou e eu percebi que falei um pouco alto demais

— Oh me desculpe, não quis atrapalhar, prossiga - respondi enquanto todos me olhavam atenciosos

Calculistas.

Thomas voltou a falar mas eu só conseguia ver sua boca mexer. Fiquei não sei quantos minutos naquela ladainha, ora me distraia com o meu copo, ora olhava para Carrie certificando se estava tudo bem, ela engatou em uma conversa aparentemente bem animada com a morena, parecia que as duas tinham se dado muito bem. Pelo menos alguém estava se divertindo hoje.

— Mas que cara chato da porra - Colin desabafou quando Thomas, finalmente, terminou de falar e os outros se afastaram - nesse momento quero ir correndo para o aeroporto e pegar o primeiro voo para Londres

— Ainda não, Colin, ainda não

— Você pode ficar, tem a Carrie e seu filho mas eu não tenho nada aqui - suspirou - eu acho que vou meter o pé

— Você não vai - afirmei

— Por que alguma coisa me diz que você está tão certo disso? - Colin me olhou com a testa franzida

— Porque eu estou

— Eu não quero ficar aqui, você viu como aqueles caras olham? Como reparam em cada detalhe por menor que seja? Parece que a gente cometeu um assassinato e eles sabem disso e estão prontos para usar isso contra nós - gesticulou enquanto falava e eu ri seco

Que ironia!

— E se eu te disser que é ao contrário? - beberiquei mais whisky com um sorriso sacana nos lábios

— O que? - me olhou confuso

— Foi isso que você ouviu

— Espera - levantou a mão - está me dizendo que algum daqueles caras é um assassino sanguinário e você sabe disso? - concordei com um aceno de cabeça apenas - Tudo bem isso é bem sério, como você sabe de uma coisa dessas?

— Eu apenas sei, e pretendo provar

— Sabe de uma coisa? Me deu até uma vontade de ficar de repente - sinalizou o barman para mais uma bebida - porque eu sei que quando você fala que vai provar uma coisa, você prova mesmo

— Eu sei disso - respondi convencido

— Como pretende fazer isso? - indagou

— Eu vou pensar em alguma coisa

— Me conte o super plano quando estiver formado - virou sua bebida - agora se me der licença eu vou circular por ai

When We Were YoungOnde histórias criam vida. Descubra agora