Three.

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  • Dedicado a Rach Edward Miller
                                        

Já alguma vez se perguntaram o que é felicidade? O que é estarmos tão felizes que só conseguimos sorrir até nos doerem as bochechas? O que é estarmos tão felizes que nem mesmo a altas horas da noite conseguimos dormir ou então vamos dormir mais cedo entusiasmados com o dia de amanhã...

Já se perguntaram como será estarmos tão felizes ao lado de algo ou de alguém, que tudo à nossa volta parece desaparecer? 

Eu já. Perguntei-me isso quando Michael começou a falar e a falar. Durante horas e horas noite dentro e eu sempre a sorrir, a achar tudo adorável. Adoravel a forma como ele falava devagar como uma criança. Adoravel a forma como os seus lábios encarnados se movem sempre formando pequenos sorrisos. 

Adoravel a forma como dentro do bar ele parecia tão perigoso e misterioso mas acabou por ser uma das pessoas mais doces que alguma vez conheci. 

"E depois ele disse: ' Oh não! O que vai o bebé fazer? Vai bater-me é?'" Michael imitou a voz do seu inimigo de infância que costumava envergonhá-lo. Soltei uma gargalhada. 

"O que fizeste?" Perguntei curiosa, como tenho estado toda a noite. A querer saber mais e mais e sem nunca me cansar.

"Eu fugi e comecei a chorar na casa de banho das raparigas..." Ele contou e ambos caímos em gargalhadas. "Em minha defesa, foi para ele não me encontrar!"

Levei as mãos à barriga tentando parar o riso e controlar a respiração, enquanto fixava o meu olhar nas ondas, nas rochas, na lua. A praia agora encontrava-se vazia: As pessoas começaram a ir embora por volta da quatro da manhã. 

"Que horas são?" Perguntei a Michael visto que o meu telemóvel ficou com as raparigas. E por mais estranho que parecesse, eu não estava preocupada com isso. Sabia que elas me iriam devolver a casa quando os meus pais estivessem fora para trabalhar. Já não era a primeira vez que elas ficavam com algo meu... Bom era a primeira vez que ficavam com algo meu após eu dançar para um rapaz em frente de um bar inteiro, mas a vida muda não é?

"Cinco e meia. Daqui a uma hora mais ou menos vai ficar dia." Ele respondeu, um pingo de tristeza na sua voz.

"E estás triste com isso?"

"Tu disseste que os teus pais acordam cedo, isso significa que tens que ir embora." Ele respondeu, fazendo o meu coração derreter. Ele gosta da minha companhia. 

"Então vamos aproveitar esta hora o melhor que podemos." Eu disse com um sorriso. Michael olhou-me confuso e eu respirei fundo, perguntando-me como tinha coragem para o que estava prestes a fazer. "Aproxima-te por favor."

Michael aproximou-se e eu pousei uma mão no seu ombro como apoio enquanto retirava as botas e as atirava para o cimo do monte de areia onde a água não chegava. 

"Oh. Vamos tomar banho, é?" Ele perguntou com um sorriso malicioso.

"Porque não? Está calor, e eu nunca fiz isto a estas horas." Dei de ombros enquanto retirava os calções e os atirava para junto das botas.

"Então e vais sem roupa?" Ele ergueu uma sobrancelha.

"Não? Que parvo. Vou no meu biquini improvisado."

"O teu soutien e cuecas aos corações são um biquini improvisado?" Ele soltou uma gargalhada olhando as minhas cuecas e eu senti as minhas bochechas aquecer. Eu estava corada. "Não fiques envergonhada, estou a meter-me contigo. É querido. Tu sabes estás aí com essas roupas todas escuras e maquilhagem pesada e depois por baixo usas roupa interior com corações. O interior é que conta, é que dizem."

"Para que conste, são corações pretos, torna-me muitos mais adulta." Eu disse. 

"Muito mais adulta, sem dúvida." Ele sorriu e eu acabei por sorrir de volta. Retirei a camisola e corri para a água ignorando o facto de estar fria. Mergulhei de cabeça e soube melhor do que eu esperava. Talvez porque começava a ficar com sono, não que Michael fosse aborrecido, apenas já era muito tarde e eu tinha bebido ainda um pouco.

Tomorrow Never Dies || Michael CliffordHistórias para pegar e não largar. Descubra agora