Six.

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Senti algum calor nas minhas bochechas e abri lentamente os olhos, vendo os raios de sol entrar pela janela da sala onde me encontrava. Tentei mexer-me, desconfortavelmente. Michael ressonava ao meu lado, os seus lábios vermelhos semiabertos e os seus cabelos completamente despenteados, se bem que, nunca antes os vi penteados.

Conseguia sentir algo estranho na barriga, uma sensação de má disposição, mas nada grave. Forcei o meu corpo, acabando por me levantar e olhei a figura ao meu lado. Um sorriso automático apareceu no meu rosto.

- Michael? – Sussurrei. Custava-me ter que o acordar mas alguns funcionários viriam definitivamente à escola para arrumar as coisas e o que menos precisava no momento, era de ser apanhada.

Michael apenas murmurou algo complicado de compreender e virou o rosto mais para o chão, fazendo uma careta talvez por culpa do desconforto.

- Michael… - Falei mais alto. Michael abriu os olhos e fechou os punhos, esfregando os mesmos de seguida. – Temos de sair daqui Michael…

- Depois. – Ele pediu fazendo beicinho. Senti-me derreter aos poucos a olhar a sua figura mas por mais que quisesse voltar a deitar-me e vê-lo dormir por mais umas horas, não podia.

- Não podemos Michael… Vai aparecer alguém e eu não posso ficar de castigo.

Michael sentou-se rapidamente, como se tivesse bebido trinta cafés em menos de um segundo. Sorri ao reparar que o fez não por ele, mas por mim, preocupado que eu fosse apanhada e fosse punida por tal.

Ajeitei o cabelo com a mão e Michael soltou uma gargalhada rouca.

- O que foi? – Perguntei confusa.

- Já não sou a pessoa mais despenteada daqui! – Ele bateu palmas. – Finalmente!

- Tonto… - Disse, embaraçada.

- Não te preocupes. – Ele sorriu. – A sério Mariana, não te preocupes. Estás linda à mesma, chega a ser assustador sabes? Parece que estás sempre bonita, as outras raparigas devem ter imensa inveja.

Fui obrigada a virar o rosto para que ele não me visse corar. A verdade é que raramente recebia elogios e ouvir Michael falar assim de mim e saber que ele realmente o sente, faz-me feliz.

- Muito bem… Temos de ir. – Acabei por me levantar e Michael suspirou, frustrado. – Vá Michael, nós temos mesmo de ir.

- Eu sei, eu sei. – Michael levantou as mãos em seguida e pôs-se de pé de seguida.

Baixei-me ligeiramente, tirando a manta do chão e dobrando-a, voltando a guarda-la no armário de seguida. Michael olhava-me atentamente, um sorriso cansado no seu rosto.

- Pronto. – Disse. – Agora vou buscar as minhas coisas ao cacifo e podemos ir embora. Eu disse aos meus pais que estava a dormir com a Carolina e eles provavelmente já lhe ligaram trinta vezes ou mais. Ela vai acabar por não ter mais desculpas.

- Por mim tudo bem, mas só te levo a casa depois de tomarmos um pequeno almoço ou… Hoje à tarde, o que vais fazer? – Perguntou.

- Estava a pensar ir ter com o Wesley, fazemos isso todos os domingos… Costumamos ver filmes a tarde toda e depois jantamos fora. – Disse enquanto começávamos a caminhar para fora da sala, entrando no corredor.

- Podes combinar com ele para outro dia? – Michael pediu. – Quero ir à praia contigo.

- Queres ver-me de biquíni, é isso? – Perguntei deitando-lhe a língua de fora. Michael apenas riu e colocou ambas as mãos no bolso.

- Vês como és uma rapariga inteligente?

Meti o código no cacifo e o mesmo abriu-se automaticamente. Retirei a minha mala lá de dentro e deixei-o aberto, como se encontrava no dia anterior. Michael e eu caminhamos lentamente pelos corredores enquanto eu desbloqueava o telemóvel.

Tomorrow Never Dies || Michael CliffordHistórias para pegar e não largar. Descubra agora