Ten.

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Michael e eu continuávamos no carro, depois de dois dias de viajem. Apenas parávamos para ir, para minha tristeza, a casas de banho públicas e a supermercados. Mantive sempre o telemóvel ligado e mentiria se não dissesse que doeu não receber nem uma chamada, nem uma mensagem dos meus pais. Eu sabia que eles não se iriam importar, mas continuava com esperança que eles mostrassem algum arrependimento da forma desumana como me trataram tanto a mim como a Michael. A esperança é a última a morrer, certo?

- Quão longe de Los Angeles estamos? – Perguntei, apenas vendo floresta à nossa volta.

- Muito, muito longe. – Michael respondeu. – Eu sei onde te vou levar… Não prometo que vás gostar porque nem deve estar habituada mas é um sítio importante para mim. Com muitas memórias.

- Se é importante para ti, eu vou gostar. – Disse, fazendo uma festa na sua mão e dando-lhe um sorriso para o assegurar.

Michael pressionou as mãos no volante, virando para o lado, para o meio da floresta. Eu apenas tinha os olhos fixados nas árvores à nossa volta, nas plantas, nas flores.

- Vamos acampar? – Perguntei e Michael assentiu. Decidi ficar calada.

Acampar nunca foi das coisas que mais gostei. Incomodava-me ter que estar tão próxima de insetos, dormir desconfortável e apenas poder comer alguns tipos de comida. No entanto, Michael referiu que este lugar era importante para ele. Se era importante para ele, também seria para mim. Isso é uma das coisas mais importantes a fazer quando se vive com outra pessoa, não é? Aceitar as suas diferenças, os seus gostos e tentar procurar algo em comum.
Acampei apenas uma vez, com o meu pai. Talvez seja uma das razões pelas quais não gostei. Mas com Michael, pode ser diferente… Esperançosamente.

Michael estacionou o carro perto de um local sem relva, perfeito para montar a sua tenda: Eu não trouxe a minha. Não fazia ideia de que viríamos para aqui.

Ambos saímos do carro e Michael foi ao porta bagagens, retirar tudo o que necessitava. Eu estava meio perdida então apenas peguei no telemóvel e comecei a andar às voltas, à procura de rede.

- Não há rede aqui. – Disse, enquanto Michael começava a preparar-se para montar a tenda.

- E vais ficar sem bateria se continuares a mexer no telemóvel, Mariana. Guarda-o e ajuda-me aqui. – Ele pediu. Assenti e caminhei até ao carro, colocando o telemóvel no porta-luvas. – A tenda eu monto, podes apenas tirar do carro os sacos de cama e talvez algumas mantas? Aqui faz frio à noite.

Novamente, em silêncio, retirei os sacos de cama do carro. Michael montava a tenda como se fosse algo que faz todos os dias. Era rápido, eficaz, mal olhava para as peças porque já as conhecia bem. Isso é bom para mim.

- Falta algo, pára. – Michael disse e eu parei de andar, olhando-o confusa. – Temos o material, temos o campo mas falta…

- Música? – Perguntei e Michael sorriu. Parece que acertei em cheio. Entrei dentro do carro e olhei os CD’s de Michael, pois a rádio não funcionaria aqui. Encontrei por fim um disco que dizia “Favoritos”. Coloquei-o e meti o volume no máximo. A música que começou a tocar era Basket Case, dos Green Day.

Saí novamente do carro, cantando em conjunto com a música e Michael apenas sorria e abanava a cabeça, animado. Parece estranho, mas ainda agora tínhamos chegado, e já me sentia mais feliz do que alguma vez sentira.

É assim que ele me faz sentir. Livre. Com ele posso ser eu mesma, dizer o que penso, fazer o que me vem à mente, porque sei que nunca me julgará. Ele é tão ou mais louco que eu e isso para mim é tudo o que preciso, especialmente nesta altura.

Tomorrow Never Dies || Michael CliffordOnde histórias criam vida. Descubra agora