Janela Aberta

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JANELA ABERTA

Cada dia que vivo é um passo em direção a morte, graças a Deus!

Esse é o único consolo que tenho ao acordar todos os dias. É o pensamento que me acalma quando estou vivendo um inferno como agora.

Estou, nesse momento, em uma cena dos meus maiores pesadelos; sentado no sofá da recepção do meu consultório, cercado... Bem, cercado não, sufocado é a palavra correta, sufocado de seres que mais tenho nojo, arco, abuso, ojeriza; Humanos.

Humanos me tocando, humanos se aproximando, encostando em mim, jogando seus bafos podres em minha direção, se aglomerando...

Veja, nunca quis sequer receber equipe de reportagem em meu consultório, justamente para evitar aglomeração de gente desconhecida em meu santuário, e agora isso...

A recepção de meu pequeno e metódico consultório cinza (a cor de minha alma) com quadros com riscos sem sentidos de minha mãe ( ela adorava pintar, talvez uma maneira de esquecer a vida.) esta agora lotada. Quatro estranhos; Um enfermeiro (daqueles que falam bem baixo, que nem se eu soubesse realizar leitura labial saberia decifrar o que diz, odeio esse tipo de gente), um bosta de jaleco (que nas horas vagas é médico), 2 policiais (sendo um líder do BBB e, talvez por conta da sua pança, rei momo nos carnavais) e um outro policial puxa-saco do gordo, que só faz concordar com tudo que o obeso diz. Além, é claro, de Jéssica (que foi a primeira, e única, pessoa que liguei. Precisava de uma testemunha para ocorrido e para o que viria a ocorrer) ...

Dark, acredite, está me pedindo calma – Não vá fazer merda, cara ! – Lembra de nossa regra!

Enquanto minha mente tentava encaixar as peças do quebra-cabeça, o idiota de jaleco estava na minha frente, falando qualquer coisa comigo, que eu não fazia o mínimo esforço para escutar.

Esquece esse escroto! Eu sei que é foda esse cara aqui, mas Calma porra!!! Pede Dark. Ele sabe que estou perdendo o controle (alguma novidade?); Coração acelerado, sede de sangue, o ódio me subindo a cabeça...


... Diabetes ... Qualquer tipo de doença? ... Algum histórico de pressão alta? 

-       Max?!  - Interveio Jéssica me trazendo de volta a terra. Deslizando a mão em meu rosto, curvada a minha frente ( esse foi o máximo de demonstração de carinho que tive dela em três semanas).

-       Ahn, oi... – Respondi voltando.

-       Você ouviu o que o Dr. Victor perguntou, meu amor?

-       Não... Quer dizer, ouvi e a resposta é não sei...  – Respondi olhando cada humano entrando e invadindo meu território, podia ver o policial capacho limpando o suor com a mão e esfregando-a em meu sofá. Vi o enfermeiro coçar o ouvido com o dedo, e receber um copo com agua de minha noiva, pegando minha taça com o dedo cheio de ceroto. Vi o detetive barrigudo coçar a cabeça, deixando cair quilos de caspas no meu tapete...

Meu amigo DarkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora