To Amanda, the red one. Dark Kisses.
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Existe uma besta-fera dentro de cada um de nós, pobres mortais, querendo nos consumir por inteiro, puro instinto, uma máquina de desejos secretos (impuros e obscenos), querendo se libertar a cada segundo em forma de pensamentos parasitas escrotos, daqueles que te consomem a alma, e/ou em forma de comportamentos autodestrutivos e autossabotadores... Freud chamava essa porra de inconsciente, eu chamo de: Max.
Os pensamentos obsessivos não conseguiram nem fazer cosquinha em meu juizo. Perto do risco de minha irmã atender o celular de um marginal (que quase matei), os pensamentos em busca de explicação de quem matou Daniel (uma vez que a gostosa de sua madrasta, Amanda, foi inocentada, por enquanto...), são fichinha!
Estou agora atravessando todos os sinais vermelhos da avenida e a última vez que vi o marcador estava acima de 100km/h (em uma avenida onde o máximo permitido é 60km/h) . Os radares de transito já devem ter feito um book da placa de meu carro nesses últimos 10 min. E não, apenas dessa vez, não quero morrer. Juro que não, apesar de ficar olhando mais para o celular do que para o volante. Percebem o paradoxo aqui? Quero viver (mais do que nunca), mas estou me comportando como um maníaco suicida. Não tenho escolha, estou tentando ligar para minha irmã desde o elevador, mas seu celular consta como desligado!! E para melhorar, a merda do meu celular ja está no final da bateria.
- Eu falei que não era para levar a porra desse celular!! – Diz Dark quebrando o silencio e me dando um susto tão grande que puxo o volante para esquerda quase perdendo o controle da porra do carro e cumprindo o destino que sempre quis, menos hoje.
Tiro o pé o do acelerador, puxo a direção para o centro, recupero o controle do volante. Escuto algumas buzinadas, freadas e, em seguida, batidas de carro que se assustaram com Dark (sim, a culpa foi dele) atrás de mim e palavrões de carros que ficam para trás em segundos no retrovisor.
- Puta que pariu! Vai adiantar você nos matar!??? - Digo procurando o celular que escapou da minha mão no momento do susto e foi parar nas mãos de algum gnomo, pois não consigo achar por nada. So me faltava essa!!! Agora a escolha é; Paro o carro e procuro o celular, e perco tempo de chegar em casa e deixo minha irmã correndo risco de vida? Ou procuro o celular com o carro em alta velocidade e corro eu risco de vida?
Obvio que sigo em frente! Pelos meus cálculos estamos apenas a uns eternos 8 minutos de casa. Procuro o celular com o pé direito ( o outro está afundado no acelerador), como não acho nada, começo a tentar achar com a mão, curvando-me pra frente, olhando a cada 2 segundos para o volante, mas nada. Será que realmente algum gnomo levou a porra do celular?!
- Está embaixo do seu banco, Doc. – Responde o zumbi Daniel atrás de mim, me dando outro puta susto! Pra minha sorte, dessa vez, não perdi o controle do volante, mas o coração veio até a boca.
- Caralho!! Hoje vocês estão querendo me gerar um infarto é isso???
- Porra Max! Não fode! Nossa regra de ouro; NUNCA LEVAR NENHUMA LEMBRANÇA DE NOSSAS DIVERSÕES!!
- Regras, regras, regras... Já notou que toda regra sua é uma regra de ouro??? E eu? Não tenho direito a nenhuma regra??? Pelo menos de prata??
- É sério isso?? Ta de gracinha agora??? Uma hora dessas???
- Ok, ok! Eu ferrei tudo!! Satisfeito???? – Digo passando por outro sinal vermelho com o pé afundado no acelerador, ouvindo buzinadas, mais freadas, cotocos, e ainda de cabeça baixa, dobrado, curvado, apalpando o piso do carro embaixo do banco, procurando o maldito celular.
- Doc, você não vai conseguir pegar, está embaixo do seu banco, mas do lado de cá – Diz Daniel atrás de mim.
- Por que não disse antes, caralho???? Digo agora me contorcendo como posso e esticando a mão atrás do meu banco, quase sentindo inveja do homem borracha ( o único herói que era virgem. Afinal, como vai ter ereção com pau de borracha?)
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Meu amigo Dark
Mystery / ThrillerEles acham que eu sou bom porque sou empático, por os entender como ninguém, mas eu os entendo porque vivo todo tipo de inferno em minha mente. Isso eles não sabem. Algo em mim identifica o que se passa no submundo deles. É como se eu me reconheces...
