10

506 107 78
                                        

Alison se revirou na cama inúmeras vezes. Depois da agitação que a notícia havia causado, dormir não seria fácil. Embora ela estivesse agradecida por não ter sido condenada à morte e ter conseguido se livrar do Rei. Ainda teria que viver os restos de seus dias naquele planeta.

Agora ela era uma cidadã de Thórun e choramingar por suas perdas, não ajudaria em nada. Uma conquista de cada vez, como pequenos passos de uma criança que está aprendendo a caminhar. De todos que respiravam naquele planeta, estar sob a proteção de Amut era a melhor notícia. Alison sabia que não importava o quanto aquilo poderia parecer estranho, Amut possuía um bom coração. Desde que pisou em Thórun, foi ele quem demonstrou mais humanidade.

Seus pensamentos rodopiavam por memórias de uma vida que não lhe pertencia mais. Besteiras insignificantes a qual nunca deu importância, agora apertavam seu peito. Tudo ali era diferente e ela estava inserta se conseguiria. A jovem se virou mais uma vez na espaçosa cama desejando por um último cigarro, um último gole de Coca Cola, um último abraço de Edward.

A única certeza que possuía, tão vívida quanto sua existência era que não se entregaria. Ela teria que se moldar, se ajustar a Thórun. Mas aquele planeta se ajustaria a ela também, porque ainda que não possuísse poder ou magia, possuía inteligência e usaria tudo a seu favor.

Alison tocou aquela presença em sua mente. Ela movimentou a magia que continha aprisionada ali. Se ao menos conseguisse entender como aquilo funcionava. A magia respondeu ao seu toque, viva e atenta a cada movimento seu. - Alison saltou na cama ao sentir o poder despertar.

Durante o dia treinaria seu corpo, mas quando a noite caísse sobre Thòrun, ela aprenderia a lidar com a aquela presença constante. Com aquele deslumbre de poder, até que fosse possível controlá-lo. - Alison Tocou novamente, tão suave como uma pluma e a magia acariciou sua mente, acariciou aquela barreira que a prendia. - A jovem ergueu as sobrancelhas surpresa. Havia uma resposta a seu toque. Até que ponto Anpu estava ciente daquilo?

Alison se levantou e caminhou descalça até a cozinha. Ela acendeu uma vela e observou que Amut não se encontrava na almofada da pequena sala. A jovem tomou água e retornou na direção de seu quarto. Ela parou de frente a porta de Anpu e decidiu chamá-lo. Por um instante sua mão parou sobre a maçaneta, ponderando se deveria.

Para sua surpresa a porta estava destrancada. Ela já havia tentando entrar ali antes, mas sempre encontrara a porta cerrada. Anpu não estava no quarto e Alison colocou a vela sobre a cômoda. Havia um armário embutido na parede de pedra como em seu quarto. Uma pequena cômoda de madeira escura. Um quarto simples e organizado.

Ela abriu a primeira gaveta e encontrou várias folhas de papéis com desenhos. Eram desenhos lindos de Neterus das mais variadas espécies. Alison espalhou os desenhos sobre a cama e aproximou a vela para olhar. Ela levou um susto ao ver um desenho dela deitada no chão com a marca em sua testa. Amut estava ao seu lado, inclinado sobre seu corpo. Ela juntou de forma apressada as folhas e devolveu para a gaveta da cômoda.

Havia muita coisa que ela gostaria de saber e talvez assim entenderia melhor o guerreiro. Porque a cada dia que passava, ele parecia mais distante daquela imagem cruel e letal a qual ela havia conhecido. Ela fechou a porta e foi para o seu quarto.

***

Anpu abriu a porta do quarto e o cheiro da jovem invadiu suas narinas. O guerreiro parou diante da cômoda inspirando a presença dela ali. Ele não sabia ao certo seus motivos para ter entrado em seu quarto, mas se tratando de Alison, poderia esperar qualquer coisa. No dia seguinte teriam uma conversa, mas não hoje. Anpu estava esgotado, havia levado Amut para caçar e tudo que queria era um banho e algumas horas de sono.

OráculoOnde histórias criam vida. Descubra agora