Me espera, sempre

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1939, Rosa Branca... cela 783

Mais um dia no qual Danilo Breton não se mexia para quase nada. Ele acordava pela manhã, continuava deitado até que o guarda o trouxesse a comida. Sem apetite, como na maioria dos dias nesses sete anos, ele dava uma mordida no pão seco e bebia água. Danilo se sentava com o braço acorrentado à parede, ele já não sentia dor, estava vivo apenas por ter oxigênio correndo em seu sangue, pois ele havia morrido muito antes. Enquanto ele passava mais um dia naquela cela imunda, com aquelas roupas horríveis, ele só pensava em seu filho e em Julia. Danilo amava André mais do que podia descrever, mas ele sabia que não tinha condições de cuidar do menino, e tinha certeza que Piedade o havia pego com os capangas de Eugênio. Ninguém o havia contado que quem estava com o menino era Gustavo Bruno, Danilo jamais permitiria se soubesse, mas naquele momento, ele não era mais Danilo, ele era um morto vivo, sua alma havia ido embora com a de Julia.

Após o café da manhã, Danilo tirou um cochilo como de costume. As duas da tarde, Hildegard veio o visitar como havia feito todos estes anos. Pela primeira vez, Danilo ergueu seus olhos a ver a mãe, era como ele soubesse que estaria se despedindo dela. Ele piscou os olhos com leveza, como uma maneira de falar, mas sem usar palavras. Ele não iria falar uma só palavra, nunca mais. Ele passou seu dia na cela, como sempre. Sentando-se, deitando-se, chorando, seus olhos azuis que haviam sido tanta luz na vida de sua amada, agora sem brilho, praticamente estáticos. A noite foi chegando e a hora da janta também.  Breton comeu o arroz com ovo de todas as noites e se preparou para dormir, mas antes de conseguir pregar o olho, ele ouviu uma voz, aquela que ele conhecia tão bem e que ecoava em seu ouvido toda noite quando lembrava dela... Julia.

"Danilo" - disse a linda jovem, agora com os cabelos longos, vestida de branco, com um sorriso de orelha a orelha mas com lágrimas em seus olhos ao ver a situação de seu amado.

"Julia? JULIA!" - ele se levantou, mas algo era estranho, e então ele olhou para o chão e viu seu corpo ali, parado. Ele não havia dormido, mas seu corpo sim, e agora o oxigênio já não o mantinha vivo.

Danilo se desprendeu facilmente das correntes e correu para abraçar a amada.

"Eu não sou nada sem você Julia. Nada! Me leva contigo meu amor, por favor." - disse o pintor dando beijos nas mãos da jovem.

"Eu senti tanto a sua falta Danilo... mas eu não tive permissão para vir te ver, se eu tivesse te dito com quem André está, você teria reagido e isso poderia afetar nossa próxima vida juntos." - disse a senhorita Castelo acariciando o rosto do amado com suas mãos, ela havia sentido muita falta de sua pele, do seu toque, e o ver sofrendo foi o muito difícil para ela.

"Com quem ele está, Julia?" - ele perguntou preocupado pelo menino

"Você vai ver meu amor, mas agora deixa eu matar a saudade que eu estava de você." - Julia puxou o rosto do amado para um beijo apaixonado.

Quando seus lábios se encontram, é como se eles encontrassem a sua casa. Eles pertenciam um ao outro, como sempre... A saudade que sentiam um do outro estava explícita ali, o beijo era urgente, suas línguas em perfeita sintonia. Danilo tinha uma mão na nuca de Julia e a outra repousando em seus quadris enquanto Julia tinha suas duas mãos nos cabelos do amado, agora ainda mais compridos do que eram anteriormente. Eles terminam o beijo com selinhos molhados, eles não sabiam em qual momento haviam começado a chorar mas os olhos dos dois estavam húmidos.

"Vem, eu vou te mostrar nosso filho... Eu tive permissão para que você possa falar com ele." - disse a moça com um sorriso em pensar no seu amado vendo seu Andrezinho.

"Falar? Julia, não acho que ele vai me ouvir" - o pintor disse com um semblante triste

"Vem Danilo!" - disse Julia

Dentro da casa dos Castelo, Danilo, como espírito ao lado de Julia, visitam André sem que ele os veja

"Gustavo, o que esse menino está fazendo fora do quarto? Já te disse que não quero ele aqui embaixo." - disse a madrasta do pequenino, Dora.

"André Luiz de Luris, pro jardim já, menino malcriado." - disse GB puxando a criança pelo braço

"O nome dele não é esse.  Não encosta no meu filho." - disse Danilo, com ódio presente no timbre de sua voz e em seus olhos, até que a mão de Julia o segura.

"Calma meu amor, o Andrezinho é forte, você não pode fazer nada. Vem ele vai estar no jardim..." - disse Julia o levando até onde estava o menino

André vai correndo na direção de Danilo. "Paaaai." - disse o pequeno Breton. Danilo sentia seu coração aquecer ao ouvir seu menininho o chamando assim. "Me leva com você papai, por favor. Estou morrendo de saudades, promete que vamos ficar juntos pra sempre?" - disse André

"Eu te prometo que vamos ficar juntos, pra sempre meu menino, você só tem que ter paciência. Eu te amo muito meu amor, papai te ama, além do tempo. Da próxima vez sua mamãe vem também, eu juro." - falou Danilo para seu filho enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. Eles se abraçam e Danilo volta para Julia.

"Ele é lindo meu amor, ele é perfeito!" - disse Danilo

Julia abraçou o amado e lhe deu um beijo na bochecha. "Vem meu amor, tenho muito para te explicar". - disse Julia. E assim os dois caminham em direção a uma luz juntos e de mãos dadas.

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