Capítulo 6

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Entretida a fazer o check list e a reposição de material nas ambulâncias, Julie é surpreendida por Steve, que vai feito palhaço bater na porta da ambulância, assustando-a, e chama-a para uma breve reunião com o senhor Silverdale.
Um déjà vu. Repentinamente, aquilo dava-lhe a sensação de um, mais do que outra coisa. Abana a cabeça, a sorrir, organiza e arruma tudo, antes de sair da ambulância onde estava.

Já a sair da zona do parque de viaturas, Julie aproveita para dar um belo calduço a Steve, apanhando-o desprevenido e deixando-o indignado, para pagar o susto que lhe pregou. Esperava uma coisa destas vinda de Carl, não de Steve, já que parece ser muito certinho. Acabaram a rir-se à gargalhada, enquanto andam em direção à sala de conferências. Já à porta, soa uma voz que não lhe parece como sendo de David ou Richard e, muito menos, de Sam.
Um arrepio de reconhecimento percorre-lhe a coluna acima e Julie pára antes de transpor a porta.
Deve ser só impressão.

Ao entrar na sala, ela congela.

Ó merda.

Grande porra!

C'um catano.

Imaginem aí mais uma quantidade obscena de palavrões de surpresa.

O destino é uma coisa bem engraçada.
Sem meter graça nenhuma, achava Julie naquele momento.

Julie fica em embasbacada ao dar de caras com James.

O homão da porra do beijo é, nada mais, nada menos, que James Silverdale.

Ela.
Beijou.
James.
Silverdale.

JAMES SILVERDALE!!!
Meu Deus.

Cabisbaixa, de modo a tentar passar despercebida, uma Julie super vermelha senta-se numa das cadeiras traseiras da sala, silenciosamente.
Pensou ela que não seria notada. James fixou o seu olhar nela, tão surpreendido quanto Julie, e tenta disfarçar rapidamente, para não dar nas vistas.

- Bom dia a todos. - Cumprimenta. - O intuito desta reunião é apenas para briefing. Quero inteirar-me de como está tudo a correr, como é apanágio.

- Bom dia, senhor Silverdale. Temos tido bastante trabalho e, muito provavelmente, teremos de encontrar outra estratégia para conseguir colmatar as falhas de logística com que nos deparamos.

- Iremos trabalhar nisso imediatamente.

De seguida, sem conseguir evitar, o seu olhar volta a Julie e é incapaz de desviar os olhos dela.

- Ah, desculpe. - Steve faz um gesto para a direcção de Julie. - Senhor, esta é Julie. - Apresenta-a.

Ela engole em seco, toma coragem, levanta-se da cadeira e vai em frente até ao centro da sala, onde ele se encontra, para o cumprimentar com educação.

- Olá, senhor Silverdale. O meu nome é Julie Willow e sou a nova paramédica. Ainda não tínhamos sido apresentados. - Estende-lhe a mão, à qual ele retribui o gesto.

- Tu és a tal... - Julie fita-o, perplexa pela maneira de se dirigir a ela, como se não se tivesse passado nada, e de falar em português, um modo de ninguém perceber. - E foste tu que salvaste o meu pai.

O olhar de James era intenso, parecia-lhe quente e, ao mesmo tempo, indecifrável. Ela enrubesce e fica sem saber como agir.

- Pois... - Julie continua estarrecida e nem conseguia pronunciar algo coerente, decidindo não dizer mais nada. Só olha para James.

- Averiguaremos o que está ao nosso alcance para suprimir as necessidades atuais e as mais urgentes. - James quebra o contacto visual e muda de assunto, dá-lhe as costas, e dirige-se para a saída, enquanto fala com Steve, que o acompanha.

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