Capítulo 10

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Julie acorda com o sol batendo-lhe na cara. Espreguiça-se, sentindo o corpo ligeiramente dorido, e o abraço quente de James.
Flashbacks da noite anterior assolam a sua mente, mas não se arrepende de ter-se entregue a James.

- Bom dia, Julie. - A voz de James soa rouca de sono.

- Oi. - Cumprimenta, virando-se no abraço para ficar de frente.

Ele tem um sorriso preguiçoso no rosto e, caraças, o homem até acabado de acordar é lindo.
Entreolham-se e Julie sorri de volta.

- És linda.

Julie irrompe em gargalhadas.

- Não, não sou...

- Sim, és. Ei, nem penses em discordar da minha pessoa, porque eu sou o boss, e o boss é que sabe. - Diz sorrindo. - Julie, eu estou apaixonado por ti.

Boquiaberta, Julie tenta argumentar.

- Espera, deixa-me acabar. Eu tenho a perfeita noção de que tudo isto pode parecer apressado e sei que não te sentes preparada para o que está a acontecer entre nós. - Faz uma pausa para que ela interiorize o que disse. - Não vou desistir disto, de nós. Vou ser paciente e, quando te sentires preparada, vou estar aqui. Vou esperar o que for preciso.

- Jamie, vou ser sincera. - Sussurra e respira fundo, tomando coragem. - De modo algum eu estava preparada para uma relação. Foi muito repentino e ainda não esqueci o Michael. A atração que sinto por ti é intensa e faço questão que saibas disso. - Julie acaricia a barba rala de James.

- Sê minha namorada, Julie. - Ri-se. - Agora parecia um adolescente.

- Mesmo?! - E sorri, depois fica séria, respira fundo e fala. - Eu aceito.

James acaricia a sua face com o polegar, como já se tornou hábito, e beija-a.

De repente, são interrompidos pelo toque do telemóvel de James.
Boas notícias, parecia que as comunicações já estavam restabelecidas.

- É o Carter. - Atende. - Silverdale. Sim Carter, estamos bem.

James fala com Carter, relatando brevemente o sucedido e confirma a sua localização, enquanto Julie se dirige ao duche e verifica se as roupas secaram minimamente.

- Mais quarenta e cinco minutos e o Carter está aqui. - Diz, entrando no duche com ela.

- Certo. As nossas roupas ainda estão húmidas, mas conseguiremos vesti-las.

- Ele vai trazer tudo o que precisarmos. Já pedi pequeno-almoço.

Conversam sobre trivialidades enquanto comem, tentando esquecer o dia anterior.
Entretanto, Carter bate à porta do quarto, entrega a roupa e avisa que os aguarda na entrada do hotel.

Descem até à receção e efetuam o check-out, agradecendo a disponibilidade e simpatia, deixando uma gorjeta generosa.

Assim que saem, Julie fica horrorizada com a destruição da frente da ambulância.
Na noite anterior viu que estava muito danificada, mas à luz do dia é que consegue ter perceção do estrago. Quando falo em destruída, é mesmo destruída; o capot deixou de existir, o motor, ou o que resta dele, é uma massa homogénea de metal, o eixo está quase partido, conseguem-se ver os pedais de embraiagem e travão e o vidro da frente estilhaçado.

- Vocês tiveram muita sorte. - Diz o homem do reboque. - Não há qualquer possibilidade de ser reparada.

Carter fica a falar com o homem do reboque e eles vão para o SUV.

No regresso a casa narram a Carter os pormenores do acidente. Nessa narrativa, Julie revive o passado recente, lembrando o susto do dia anterior, e estremece.

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