🐯 Tefari 🐯

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Se você deseja mover montanhas amanhã, você precisa começa a levantar pedras hoje.

Provérbio africano

Assim que atravesso os enormes portões de Trivena sinto-me mais revoltada ainda, as ruas de pedras ladeadas de jardins  são superiores as de terra batida de Zofa, enquanto em Zofa os estabelecimentos e casas são apenas um conjunto de madeiras nuas...

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Assim que atravesso os enormes portões de Trivena sinto-me mais revoltada ainda, as ruas de pedras ladeadas de jardins  são superiores as de terra batida de Zofa, enquanto em Zofa os estabelecimentos e casas são apenas um conjunto de madeiras nuas, aqui em Trivena as construções são de pedras tingidas de várias cores, há praças e fontes e uma feira com especiarias e objetos que nunca vi. No alto, ergue-se  o suntuoso Palácio de Fogo, com vitrais vermelhos e torres com dragões de pedras, sou escoltada por Urbi até lá.

Quando adentro nos corredores vejo a exuberância do lugar, no meu lado direito não há paredes, apenas um enorme vitral que conta  a criação do homem e a guerra dos deuses através de imagens, vejo os deuses terrenos criando Amai com barro e os deuses celestiais dando vida a Baakir através das nuvens e raios solares, vejo o nascimento dos gêmeos Ekon e Enzi, uma criança alva e outra negra, tão belas e prefeitas. Vejo os humanos se multiplicarem e o surgimento dos semideus através das relações amorosas com os deuses, em seguida a guerra divina, o triunfo dos deuses celestiais e, por fim,  a soberania dos filhos de Ekon sob os filhos de Enzin.

Enquanto caminho me pergunto que justificativa os elementais usaram para reinar sob seus irmãos. O que os tornam superiores?
Não encontro nenhuma resposta plausível.

Assim que me deparo com as enormes portas da sala do trono vasculho algum resquício de medo em mim, mas não encontro, na verdade existem poucas coisas que me fazem sentir medo.

Qual seria o motivo da minha chamada? Existem dois em questão: minha rebeldia e meu segredo sobre os poderes de guerra.

Qualquer um dos dois tem um só resultado: a morte.

Os elementais possuem poderes como seus ancestrais, alguns controlam o fogo, outros as águas e outros animais e plantas, tudo depende de qual reino pertence. Existem quatro reinos elementais: Trivena, reino do fogo; Salin, reino natural; Ocean, reino aquático e Aenai, reino do ar. Cada reino subjuga uma parte do povo terreno.

Devido ao decreto celestial, que proíbe qualquer relação dos deuses terrenos com os humanos,  o poder dos filhos de Enzin enfraqueceram, pessoas que outrora curavam apenas tocando na parte enferma, hoje somente têm habilidades de criar medicamentos eficientes para tratar da doença ou ferida, guerreiros que outrora conjuravam espadas e tinham força sobrenatural, hoje só possuem habilidades para luta e assim por diante.
Foi só isso que nos restou: habilidades, o que não é nada comparado com o poder dos filhos de Ekon.

Mas, eu sou a exceção.
Enquanto os guerreiros de Werra possuem apenas valências acima da média sobre guerras, eu possuo poderes de guerra, conjuro armas, ataques físicos são em vão contra mim, tenho uma velocidade anormal e meus sentidos são muito mais evoluídos que o de outras pessoas.
Como fui adotada ainda bebê, desconheço minha ancestralidade, porém tenho certeza que Werra faz parte dela.
Só que existe um ponto negativo em tudo isso: meus poderes não podem ser descobertos, caso isso aconteça, certamente serei morta, já que sou fruto da desobediência de um deus. Mantenho essa informação sob segredo- mas receio não ser mais segredo algum já que mais de uma pessoa têm ciência dele: Meus pais, Narrin, Bomani e Urbi, ah, e agora Chad. Viu? Eu disse que não era mais segredo.

— Alteza, apresento-lhe a guerreira Tefari, de Zofa, filha de Zial, descendente de Enzi.— Urbi me apresenta.

Inclino- me perante ao rei Nelo, um elemental nato, branco, cabelos prata, olhos azuis, rosto redondo, robusto e mediano, aparentando ter quarenta anos.

—Soberano, é uma honra está em sua presença.—minto.

O rei Nelo me examina, enquanto isso Chad acompanhado de mais duas mulheres, surgem em meu campo de visão.
— Guerreira Tefari, sabes porque estás aqui?— o rei pergunta.

Encaro Urbi, em seguida o rei.
—Não alteza.— agora falo a verdade.

— Meu filho, Chad foi atacado por um likho nas proximidades do Rio Sal e me informaram que você os salvou.

Ele não me fez nenhuma pergunta então demoro um pouco para responder.
— Sim, soberano. Como guerreira é meu dever salvar quem está em apuros.

Olho de relance para o Príncipe Chad, na tentativa de descobrir se ele me deletou a respeito dos meus poderes, mas não vejo resposta em sua expressão.

—Sim, sim.— o rei abana com as mãos.— Mas, eu a chamei aqui porque tenho uma proposta a fazer.

Estranho e consigo transparecer isso na minha face, pois no rei da um leve sorriso.

— Sim, eu sei que é algo incomum, no entanto, fará sentido. Você já deve está ciente dos ataques contra os reinos elementais, e meu filho foi acometido de um e se não fosse sua presença ali, talvez a criatura tivesse sucesso em sua missão. A proposta que tenho, Tefari, é bem simples: desejo que treine meu filho Chad.

—O rei Nelo, pediu pra você treinar o Príncipe Chad?— Bomani interrompe minha narração

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—O rei Nelo, pediu pra você treinar o Príncipe Chad?— Bomani interrompe minha narração. Enquanto regressamos para Zofa.

— É isso que estou te contando, Bo.— respondo impaciente.

— E você respondeu o quê?

— Sim. —digo sorrindo.

Bomani pisca abismado.
— Como assim, "sim"? Achei que odiasse servir os elementais.

Encolho os ombros.
— Por mais que seja um martírio servi-los, eu aceitei porque tenho um plano.

Bomani balança a cabeça.
— Pelos céus! Temo toda vez que você pronuncia essas palavras.

— Pois não temas. Você prometeu que estaria comigo. — lembro.— agora escute, meu plano é bem simples: me tornar rainha.

Bomani ri. Ele ri tanto que começo a me sentir constrangida.
— Ei, ei! Qual o motivo da graça?— pergunto, dando-lhe tapinhas no braço.

Ele toma fôlego.
— Esse seu plano disparatado. E ainda por cima diz que é simples. O que tem de fácil nesse plano, Tefari?

— Está bem, ele não é muito fácil. Mas não é impossível. Eu só preciso me casar com o Príncipe herdeiro. E vou usar a passagem livre do treino para me aproximar do Príncipe Daren.

Meu amigo me observa por alguns instantes, talvez esperando que eu diga que tudo que planejo não passa de uma brincadeira. Entretanto, não o faço, estou resoluta quanto a isso. Zofa precisa de uma rainha e eu serei ela.

— Custo acreditar que você realmente vai tentar fazer isso. Conquistar o príncipe herdeiro? Você sabe como ele é?
Abro a boca pra responder, mas Bomani continua a falar.
— Eu te direi como ele é. Ele é um ganancioso que odeia os filhos de Enzi. Odeia. E isso é notório em seus olhos.

Sinto-me murchar.
—Mas deve haver algum jeito. Eu sei que deve.

Bomani coça queixo.
— Hampf! Ser rainha de Zofa, casando-se com um elemental. Isso é impossível.

— O impossível pra mim é menor que a minha vontade de vencer.

Estou convicta e nada vai me fazer voltar atrás.

Filha Do ImpossívelOnde histórias criam vida. Descubra agora