🐯 Tefari 🐯

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O enorme ogro nos olha furiosamente por alguns instantes e com uma espessa baba no canto da boca ele investe justamente na minha direção.

Com Graciosa já em minhas mãos espero o ataque.
Mas quando minha espada o atinge nada acontece, ele não é ferido.
— Mas, como...?- indago confusa.
A criatura fica mais irada e investe novamente.

— Sua carcaça é impenetrável!- Bomani grita.

— É mesmo?- desdenho sem encará-lo.- como faço para matar essa coisa, então?

Bomani balança a cabeça.
— Não lembro.

Bufo indignada com a falta de interesse que meu amigo tem pelas informações essenciais.

O ogro parece se incomodar apenas com a minha presença, pois investe novamente contra mim, porém, meus reflexos apurados livram-me de seus ataques.

Quando ele estende suas enormes mãos no objetivo de esmagar-me deslizo por entre suas pernas.
Assim que levanto percebo uma pequena fenda no meio de suas costas, dá até pra ver sua carne de um verde escuro.

Ora, aquela fenda não está ali por acaso, talvez eu tenha uma chance de derrotá-lo.

— Bomani!- grito e meu amigo vira em minha direção- encontrei uma solução. Preciso que você o distraia.

Bomani assente e saca sua espada, incitando a fera, que parece se enfurecer com tal atitude insana.

Tento acertar na abertura porém o ogro pressente e vira em minha direção, eu ataco em vão e escapo de suas enormes mãos.
O capitão também incita a fera que vira em sua direção, o ogro suspende uma enorme rocha na direção do capitão.

Ele vai esmagá-lo como uma fruta podre.

Aproveito que o ogro está de costas para mim, corro e enfio Graciosa na fenda esverdeada.

O ogro urra de dor soltando a rocha que cai e sua cabeça, num instante a criatura está derrotada no chão.

O capitão me olha admirado.
— Você salvou-me...

— Não merecia, já que pretendia nos saquear.- relembro.

Ele faz um floreio.

— Juro pelas serpentes de Aquae, que serei grato a vossa pessoa até que as águas me levem para as profundezas.

Fico sem reação um instante.

— Chamo-me Capitão Lorcán. Qual a sua graça?

— Tefari de Zofa. Futura rainha de Trivena.

Falo apenas para ver a reação confusa de Locán.

— Como pode uma terrena ser rainha?- ele indaga olhando seus companheiros em volta como para se certificar de que eles também não acreditam no que falei.

— Você acreditaria que uma terrena derrotaria um ogro, livrando-o da morte, mesmo ela sabendo que você pretendia saqueá-la?

Ele sorri de canto.
— No entanto aqui estamos.— concluo.

— Terei um imenso prazer em vê-la sendo coroada.- o capitão afirma, não vejo sinal de incerteza em sua voz.

— Enviarei um convite a sua tripulação.- digo me afastando.

Subo no cavalo e os outros fazem o mesmo.

— A diante. Não seremos mais incomodados.- anuncio e seguimos viagem, deixando o capitão Locán e sua excêntrica tripulação para trás.

- anuncio e seguimos viagem, deixando o capitão Locán e sua excêntrica tripulação para trás

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Após atravessarmos o Vale de Escamas, avistamos a Cidade Sem Lei.

Todos os reinos possuem cidades com características próprias.
Trivena é imponente com suas construções dos mais variados tons de vermelho. Salin, de acordo com a princesa Lisie, possui uma beleza extraordinária com suas casas nas árvores e seus esplêndidos jardins.
Já ouvi dizer que Ocean é fascinante com sua cidade na beira do oceano. Quanto a Aenai sabe-se pouco.

A Cidade Sem Lei tem sua própria vida, com suas construções irregulares, coloridas e amontoadas.
Uma feira repleta de barracas coloridas se estende logo atrás do porto com várias embarcações enfeitando o cais.

—Pensei que não havia governante aqui.- Lisie aponta para um modesto castelo adiante.

— Não é porque é a Cidade Sem Lei, que aqui não haja leis, propriamente.— Bomani explica.

— Como assim?— nem eu entendo.

- Essa cidade surgiu de uma história de amor entre um terreno e uma elemental, que fugiram e a fundaram. Aqui não há desigualdade de raças.- Bomani resume.

Assim que atravessamos a entrada principal, somos recebidos por uma cacofonia de vozes e outros sons.
Realmente não há distinção de raças, terrenos e celestiais andam lado a lado, conversam entre si. Ninguém nos olha estranho.

- Seria um sonho se Trivena fosse assim.- Jade reflete.

Eu concordo balançando a cabeça.
- E será.

- Não temos muito tempo.-avisa Bomani.- Precisamos encontra uma feiticeira.

Nos aproximamos de uma barraca de tapetes.
Um velho de pele negro e cabelos alvos e vestimentas alaranjada, organiza a mercadoria.
- Olá, senhor!- Bomani o comprimenta.

Seus olhos leitosos noa encaram.

- Boas vindas, estrangeiros! Em que posso ajudá-los! Tenho tapetes excelentes! Este aqui- ele pega um tapete amarelo com desenhos de animais em azul- trás alegria para casa.

- São lindos seus tapetes.- Lisie elogia- mas estamos a procura de outra coisa.

Diante do silêncio do velho Lisie prossegue.
- Estamos a procura de uma feiticeira.

Ele nos observa. Confesso que espero uma risada sarcástica do velho. Ou um olhar de repreensão por falar de magia.
Mas, nenhum dos dois  vêm .

— Pelo visto vieram de longe, então, realmente precisam de magia.— observa o comerciante.

Tomo consciência de que o homem fala de nossas veste cheia de pedaços de gravetos e minha roupa gasta devido a luta com o ogro.

— Sim, precisamos com urgência.— admito.

O homem finalmente sorri, no entanto é um sorriso de compreensão. Ele levanta o dedo murcho e inchado e aponta na direção de uma casa alta com flores nas janelas. Há uma placa informando o que encontraremos ali.
— Ali é a casa da feiticeira Hiraya. Casa das Luas,  Feitiços e Vidências.– o velho recita o que está na placa sem nem olhá-la.

— Ela é a melhor?— Lisie pergunta na dúvida.

O velho balança a cabeça.
— Só existe ela aqui. Os outros morreram por uma praga que ela mesma lançou.

Dito isto não é necessário mais nada para duvidarmos.
Bomani dá algumas moedas ao velho que sorri agradecido, amarramos os cavalos ali perto e seguimos até a Casa das Luas.

No caminho fico ainda mais impressionada com o modo como a pessoas vivem aqui. Gente de todas as raças unidas, caminhando lado a lado, cantando e dançando, fazendo comércio. Vi um terreno ser servido por um celestial em um estaleiro, coisa impensável em Trivena. Vi um grupo formado por anões, elfos, terrenos e celestiais jogando  moinho e rindo entre si.

É como se fosse um sonho. Em Trivena a discriminação é palpável, o desprezo pelos terrenos impera. E aqui não existe, simplesmente não existe.
Eu sorrio deslumbrada.

— Você está parecendo criança perto de uma mesa de doces.— Bomani diz e vejo que ele também sorri.

— Como pode?— pergunto abobada.

— O desprezo está no coração das pessoas. Elas se tornam assim. Não nascem com essa doença.— meu amigo reflete.

— Em breve, em Trivena e Zofa, veremos a mesma cena.— anuncio.

Filha Do ImpossívelOnde histórias criam vida. Descubra agora