Há uma semana que não era incomodado por aquele homem perigoso e mafioso. Tinha tido tempo de me acomodar no novo apartamento, com condições que consideraria equivalentes às do apartamento que tinha quando era secretário. Também tinha começado a trabalhar na biblioteca e confesso que estava a gostar muito mais do que o espera, já que acumulava algumas funções: atendimento ao público e arrumação dos livros. Mesmo fora do horário de trabalho perdia-me nas páginas de algum livro, a bebericar chá. E claro, pude finalmente entrar em contacto com o Tae. Tive de inventar uma enorme desculpa e dizer que tinha perdido o telemóvel, por isso é que estava incontactável.
- Jimin! - Tae? Nem tive tempo de pensar duas vezes antes de ser esmagado pelo seu abraço de urso. - Céus! Continuas a ser o mesmo bolinho baixinho de sempre, adorável!
- Vou ignorar a parte do baixinho. O que é que estás a fazer nesta parte da cidade?
- Visitar o meu melhor amigo. Estavas com um ar pensativo, posso saber o que te atormentava? - Devia de ter adivinhado que seria difícil mentir ao Taehyung pessoalmente, principalmente quando desconfiava que algo estava errado. - Jimin, sabes que me preocupo.
- Estou apenas a adaptar-me, os primeiros dias são sempre mais difíceis, mas a vida é feita de acasos e ocasiões que mudam a nossa vida. - Mentira e verdade, ocultar é o melhor termo para o que estava a fazer. Não tinha outro remédio. - Nada de errado está a acontecer.
- Estou curioso. Como é que consegues pagar o teu apartamento? Diz-me que não estás a fazer nada que te ponha em perigo.
Sabia bem ao que se referia: prostituição. Olhei-o com um ar escandalizado e julgador, nem que tivesse na pior situação entregaria e venderia o meu corpo, preferia viver na rua. Pretendia preservar a minha inocência.
- Nada disso. Apenas não se ganha assim tão mal como bibliotecário. - Foi a sua vez de levantar a sobrancelha e franzir o cenho. Não acreditava nem numa única palavra que tinha acabado de dizer... Era compreensível, o Tae era extraordinariamente inteligente. - Tae.
- Tens alguém na tua vida? Se for isso não precisas de ter vergonha em contar tudo, eu sou o teu confidente. Oh! Estás a corar! Quem é?
- Boa tarde, senhor Kim. - O quê? O que é que o senhor Jeon estava ali a fazer? Pensei que tivesse desistido e desaparecido! - Prazer em conhecê-lo. Essa pessoa sou eu.
Sentou-se ao meu lado, com o seu braço a puxar-me para junto do seu corpo, numa atitude possessiva. O Taehyung fez a sua típica cara perversa, satisfeito com o que via. Fiquei corado, sem palavras e sem jeito, ao mesmo tempo que a fervelhar de raiva.
- Eu sabia. Bem, é bom que cuide do meu amigo, a menos que queira ficar sem abono de família. Agora, vou deixar o casal em paz. Adeus. Jiminie, estou orgulhoso.
- Tae...
Não tive hipótese, ele simplesmente piscou o olho e retirou-se. Se soubesse... Nem queria imaginar o que faria, era extremamente protector quando se tratava de mim. Entretanto, retirei o braço do senhor perigoso e afastei-me, com a clara intenção de me ir embora. Fui arrumar o meu livro.
- Não me ignores. - Não estava a começar nada bem. Revirei os olhos, com uma vontade de lhe dar com um dos livros na cabeça, mas a conter porque não queria desrespeitar o trabalho de um autor, editora e desperdiçar recursos naturais. - Estou a falar contigo.
Deduzia que assim fosse, a menos que tivesse começado a falar sozinho ou com paredes, não que às vezes não o fizesse eu próprio. Era pedir muito sossego?
- Pensei que tivesse desistido. Estava tudo a correr bem até decidir mentir ao meu amigo. Apreciava que não espalhasse mentiras e impossibilidades. Muito sinceramente, o seu afastamento estava a ser muito bem-vindo.
- Sinto ressentimento nas tuas palavras. - Ressentimento? Não, claro que não. Desisti de arrumar os livros já perfeitamente arrumados e olhei aborrecido para o homem ao meu lado, encostado a dar-me o mesmo tratamento que os seus subordinados.
- Vou deixar isso a seu critério, vou para casa. - Caminhei até à minha secretária, agarrei na minha mala e desliguei o computador. - Importa-se de me deixar em paz?
- Não, vamos para casa. - Vamos? Apontei para ele e para mim a pedir explicações de forma silenciosa. - Sei que cozinhas bem, vou adorar provar uma das tuas especialidades.
- Sabe, sempre pode ler este livro aqui.
Retirei de cima do tampo da secretária um livro de culinária recém devolvido e passei o mesmo para as suas mãos, já cansado e irritado. E só imaginar que era uma pessoa bastante paciente e calma... O que fez? Voltou a pôr o livro no sítio, agarrou na minha mão e atravessou a rua a correr comigo até minha casa... Sua casa.
- Qual é a sua intenção? - Perguntei a abanar o braço para que afrouxasse o aperto. - Diga de uma vez!
- Querido, medeia a forma como falas comigo. - Aproximou-se de mim, passo a passo até me prensar na parede da entrada, dando um murro ao lado do meu corpo. - Vais preparar o jantar para os dois e sem discussões. O dia já me correu mal o suficiente.
- E vai tratar-me como naquela manhã? - Ripostei atomado de coragem, numa descarga de adrenalina. - Senhor Jeon, volte para sua casa e tente algum desporto ou ginásio para desviar a sua raiva. Eu não sou o seu escape nem o seu saco de boxe. Afaste-se.
- Não. Vá preparar o jantar.
- Não. Eu vou tomar banho descansado, cozinhar para mim e dormir uma boa noite de sono. Sozinho.
- És muito casmurro e teimoso. Sabes que sempre posso rebentar os miolos em três segundos ao teu amigo Taehyung. É uma escolha tua. Também posso fazer uma visitinha aos teus pais. - Estava a ameaçar-me? Abri os olhos ao máximo, incrédulo com a sua infantilidade e chantagem. - Como vai ser?
- É assim que me pretende conquistar? - Decidi seguir um jogo perigoso. Sorriu torto como as minhas palavras e levou a sua mão ao meu cabelo bagunçado-o. - Não mexa no meu cabelo.
- Diz-me, como seria então que te conquistava?
- Não me devolva a sua resposta com uma pergunta. Está na hora de ir embora, presumo que tenha o dia de amanhã preenchido.
- Então posso ir embora e tratar do seu amigo. Ouvi dizer que as piores mortes são por afogamento ou queimado. Podia ser rápido ou lento, mas a julgar pelo meu humor, iria ser bem devagar. Amor, vais fazer o jantar ou não?
- Não me chateie e apenas fique quieto na sala. É por causa disto que nunca o amarei.
Sinceramente, estava cansado das nossas discussões e troca de acusações. Era óbvio que muitas vezes falava para uma parede e daquelas sem ouvidos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Dangerous Love
FanfictionJimin não sabia o que ainda viria... Não sabia quem mandava naquelas ruas... Não sabia que aquele homem praticamente governada nas sombras do medo toda a Coreia. Mas sobretudo não sabia que iria estar à mercê de Jeon Jungkook, o líder da maior e mai...
