Capítulo 3

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O voo até o aeroporto de Porto Alegre foi tranquilo e apesar do nervosismo pude tirar um cochilo, assim a hora passou rápido e logo após aterrissagem pego meu celular e vejo que tem uma mensagem de voz da Abigail. Antes de ouvir sigo os outros passageiros a fim de resgatar minha bagagem e enquanto aguardo na esteira ligo para minhas amigas e avisar que cheguei bem, as tranquilizo e em seguida verifico o recado de Abigail.

— Oi Mel, provavelmente esteja aterrissando, decidi eu mesma buscar você, assim podemos conversar até chegarmos a fazenda. Meu marido está comigo e estamos te aguardando no saguão — informa antes de desligar.

Sinto-me mais tranquila, pois mesmo não a conhecendo pessoalmente, é como se já fossemos amigas. Desde a nossa primeira conversa gostei muito de Abigail e em uma de nossas conversas ela confessou que também se simpatizou comigo.

Após pegar minhas malas e colocá-las todas no carrinho caminho até o portão de desembarque no momento em que a porta desliza vejo uma mulher alta com os cabelos ruivos presos sorrindo diretamente para mim, reconheço imediatamente Abigail, então ela vem ao meu encontro e me abraça como se fossemos amigas que há muito não se via.

— Finalmente posso te conhecer pessoalmente — diz e se afasta me olhando dos pés a cabeça. — Você é mais bonita assim de perto Mel, já vi que fará muito sucesso entre os homens da fazenda — comenta por fim.

Solto uma risada de seu comentário.

— Exagero seu. Já sei que no Sul existem belas mulheres — afirmo e observo em volta. — E seu marido? Você disse que ele veio com você.

Ela vem para o meu lado e começa a empurrar o carrinho com minha bagagem.

— Pedi que nos aguardasse no carro, pois está resolvendo algumas pendências da estância pelo telefone.

— Espero não ter causado nenhum problema — comento preocupada, pois sei o quanto seu marido é importante na fazenda.

— Está tudo sobre controle, e foi Davi quem fez questão de vir, já que não permitiu que eu viesse com um dos empregados — declara parecendo irritada.

Caminhamos lado a lado e Abigail resume o quanto se irrita em alguns momentos com o seu marido, e embora ela pareça chateada é visível que gosta do jeito dele.

Paramos perto de uma caminhonete robusta preta e um pouco suja de lama e noto o homem sair do lado do motorista e se aproximar, Abigail sorri para ele e o apresenta para mim. Ele, embora fechado, me saúda com educação e então olha para Abigail.

— Seu irmão acabou de ligar perguntando pela caminhonete — expressa após pedir licença para guardar minhas malas.

— Deixa que me entendo com Felipe — assegura e me olha. — Meu irmão anda num humor insuportável, mas fique sossegada, não tem nada a ver com você.

Davi abre a porta traseira do carro para eu entrar e sorri de lado para mim.

— O meu cunhado é azedo por natureza.

Entro no carro e Abigail senta ao meu lado.

— Ainda bem que você já sabe como ele é — revela mexendo as sobrancelhas. — Não sei de quem ele puxou esse humor.

Minha vontade é dizer que esse Felipe no fundo é um fresco, mas não posso falar isso com sua irmã. Ela pode estar se tornando uma grande amiga, mas ainda é minha chefe.

Saímos do aeroporto e iniciamos uma coversa, onde Abigail acrescenta outras informações sobre a escola e o trabalho ao qual irei desenvolver. Ela parece muito animada com minha chegada e afirma que formaremos uma grande parceria. Vez ou outra seu marido exprime alguma opinião ou narra sobre alguns acontecimentos da cidade. O casal ainda conta um pouco da história de Santa Clara de Assis, assim entendo que a família de Abigail é de grande tradição, pois foi seu tataravô um dos fundadores do pequeno povoado.

Meu Indomável DevassoWhere stories live. Discover now