Nós nos encaramos por um tempo. Em nenhum momento ele se mostra simpático, muito pelo contrário, seus olhos, de um verde escuro parecem soltar faíscas em minha direção. Felipe sacode a cabeça e vira de costas para mim, o imbecil é incapaz de perguntar se me machuquei ao quebrar o copo, ele se mostra ser ainda mais idiota do que eu pensava.
— Você não me avisou nada que seria hoje a chegada dela — fala e sua voz sai bastante grossa.
Ouço Abigail respirar fundo.
— Deixa de ser tão idiota Felipe, eu falei com você ontem, não venha dá um de desavisado.
— Eu precisei do carro, não lembro de você avisando que o usaria.
Não consigo me controlar e aproveito para dar uma boa olhada em suas costas, meus olhos passeiam por seus ombros largos e devo admitir: O homem tem o corpo de um Deus grego, sei que não devo, mas estou praticamente babando em cima dele. Pena ser um estúpido degenerado, não que isso faça alguma diferença, pois quero mais é que esse daí se exploda.
— Oh minha querida, você se machucou? — Olho para o lado e vejo uma senhora com um sorriso doce e olhar preocupado.
Nem sei como ela chegou até mim, afinal estava contemplando as costas do intragável Felipe.
Tento disfarçar um pouco e dou um sorriso amarelo.
— Não está tudo bem — respondo para tranquilizá-la.
— Mel? — Soa a voz de Abigail, mas não posso vê-la pois seu irmão atrapalha minha visão. — Saia da frente Felipe e vá tomar um banho, posso sentir seu fedor daqui, o que nossa hospede irá pensar? — ralha com ele e sinto sua voz aproximar-se.
— Eu tomo banho a hora que bem entender. Os incomodados que se mudem — fala com voz de tédio.
— Sai da minha frente Felipe — manda e vejo Felipe tropeçando para o lado após um empurrão de Abigail, tenho vontade de gargalha e gritar bem feito, mas me abstenho em ficar quieta. Abigail me observa apreensiva. — Me desculpe pelo meu irmão, não sabia que ele chegaria cedo em casa.
Abri a boca para responder porém o imbecil fala primeiro.
— Você não tem nada que pedir desculpas, estou no meu direito de agir como eu quiser — esbraveja virando-se de frente para mim novamente. O homem me encara em desafio e cruza os braços. O encaro de volta, pois apesar de sua postura não tenho medo dele. — Então? Você não vai dizer nada? Vai ficar aí só me olhando como uma colegial desamparada.
O que? Esse homem só pode ser louco.
— Felipe... — Abigail rosna.
Eu sorrio debochada.
— Pode ficar tranquila Abigail, não ligo para o que esse daí pensa ou deixa de pensar, por mim ele pode esbravejar até se sufocar — digo cada palavra o encarando e vejo uma veia de seu pescoço pulsar, ele crispa o olhar cheio de ódio em mim e como não diz nada continuo minha provocação. — Já estou mais do que acostumada a lidar com pessoas ignorantes e presunçosas, e posso dizer esse tipo não me afeta em nada.
A cozinha fica em total silêncio. Felipe me olha com intensidade, sinto meu corpo arrepiar diante o seu olhar, espero uma resposta abusada dele, porém ele apenas desenha um sorriso devastador e me olha dos pés a cabeça, esse homem não me engana, ele vai aprontar alguma coisa.
Felipe dá um passo a frente, meu nariz quase cola em seu tórax e esse cheiro dele está me deixando perturbada.
Meus olhos sobem até seu rosto másculo, percebo sua barba por fazer e fecho minhas mãos apertadas na tentativa de parar esse desejo insano de tocar seu rosto.
— Qual é mesmo seu nome? — questiona, sua voz sai enrouquecida e hipnotizante.
— Mel — respondo num sussurro.
— Não apelido, quero seu nome — insiste.
— Meu nome é Mel, isso não é um apelido.
— Interessante, você sabia que já tive uma potranca com esse nome?
Minha boca abre e fecha diante seu comentário.
— O que?
— Só para você saber, Mel — diz meu nome em tom de zombaria. — Assim como minha antiga potranca, você não vai durar por aqui por mais de um mês, só peço que nesse tempo fique longe do meu caminho.
Nunca senti tanta raiva de alguém como sinto agora, ele não me conhece e terei muito prazer de fazê-lo engolir suas palavras.
Dou um sorriso de oura maldade.
— Não pretendo cruzar seu caminho, mesmo porque serei uma pessoa ocupada, não estou aqui com o propósito de perturbá-lo. Quanto a não durar mais de um mês, veremos. Apenas lhe digo, só saio daqui se Abigail assim o quiser — declaro confiante. — Ah sim, sinto muito por sua potranca.
Felipe me fita desconfiado.
— Sente muito por quê?
— Não deve ser fácil ter um jumento como dono — argumento e vejo seu rosto ficar vermelho.
Ouço uma gargalhada e alguém tossindo ao meu lado, por alguns minutos esqueci-me completamente da senhora e de Abigail aqui na cozinha.
Espero não ter passado dos limites, mas o cara me irrita além do meu limite.
— Você é ainda melhor do que eu imaginava — Abigail fala e a vejo dando tapas no ombro de seu irmão.
Ele suspira, baixa a cabeça chegando muito perto do meu rosto, meu coração pula em meu peito com sua proximidade.
— Você me paga! — murmura entre dentes e como uma flecha sai da cozinha.
— Adorei, você é perfeita Mel, meu irmão mereceu sua resposta, agora veja, dizer que teve uma potranca com seu nome. Isso foi no mínimo deselegante da parte dele — comenta e noto o quanto está incomodada e sem jeito com a grosseria de seu irmão.
— No fundo ele é um bom menino — menciona a senhora que agora cata os cacos de vidro.
— Deixa que pego isso — falo sem graça, a pobre mulher não tem que catar nada.
— Imagina minha filha, fique sossegada.
— Filó, deixa eu te apresentar a Mel — Abigail pede e ouvimos a porta da cozinha se abrindo, quando olho vejo Davi e fico aliviada por aquele imbecil não estar de volta.
— O que aconteceu aqui?
— Aconteceu que o seu cunhado agiu como um asno — esbraveja Abigail.
— Ele não agiu como um asno, ele é um asno — Davi fala com zombaria, e devo confessar que nisso concordo com ele. — Agora ele passou do limite, por acaso ele agrediu a Mel.
Olho espantanda.
— Não, ele apenas chegou de surpresa e me assustei enquanto bebia água, então o copo caiu da minha mão — explico, o cara é idiota, mas tenho certeza que não é violento.
Quando a senhora se levanta a ajudo a jogar os cacos numa vasilha. Então Abigail nos apresenta. A mulher é maravilhosa e me abraça com carinho, sinto-me acolhida e de imediato gosto dela.
E assim me convenço de que nem tudo é está ruim no final das contas, sei que logo o Felipe esquecerá de mim e não vai me atormentar, sua promessa de que eu pagaria pelo meu comentário certamente foi para me assustar. E isso não me assusta, nem um pouco. Como disse sua irmã ele é como cachorro. Ladra mas não morde. Embora não me importaria de levar umas mordidas dele.
Ops! Para com esse pensamento Mel! — ralho comigo mesmo.
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Meu Indomável Devasso
RomanceSérie Felizes para Sempre - 3 essa será a história tão esperada da Mel e do Felipe. Ele um homem rude, cretino, mulherengo e não acredita no amor... Ela uma jovem professora, que após varias perdas decide mudar de ares a procura de uma nova vida no...
