Capítulo 28

7.9K 824 50
                                        

Desperto no dia seguinte e Felipe já se foi, não fosse a bagunça que se encontra em minha cama poderia dizer que tudo não passou de um sonho. Pego meu celular para verificar a hora, em quinze minutos terei que levantar, então, como estou sem sono começo a preparar-me para o dia.

Desço até a cozinha e apenas Filó se encontra ali. Nem sinal de Felipe ou sua mãe. Tomo meu café na expectativa de vê-lo, no entanto ele não aparece.

— O Felipe já saiu? ­— pergunto sem poder segurar minha curiosidade.

Filó sorri para mim.

— Sim, estava chegando quando o vi entrar em sua caminhonete, nem café tomou — comenta —, você queria falar com ele?

Faço um gesto negando com a cabeça.

— Não, é que ontem depois do ocorrido com sua mãe, ele parecia aborrecido — digo levantando-me da cadeira. Pego minha bolsa e minha pasta. — Vou andando, tenho muito o que fazer na escola. — esclareço e saio com pressa antes que possa me perguntar alguma coisa.

A manhã passa voando e depois de me despedir das crianças levo o material das atividades para a sala de professores. Ali encontro duas professoras e trocamos algumas ideias.

A porta se abre e Abigail aparece.

— Ah, estava a sua procura — diz olhando para mim, depois acena para as outras duas e volta a me olhar. — Podemos falar agora? — indaga com um sorriso sem graça.

— Sim, podemos — afirmo e a sigo até sua sala após me despedi das minhas colegas.

Abigail, assim que fecha a porta de sua sala vai até sua mesa e se joga em sua cadeira.

— Estou sabendo que você conheceu o tsunami Solange — fala com desanimo.

Sento-me a sua frente.

— Sim, a conheci ontem. Não sabia que ela estava por vir — comento.

— Também não sabíamos, a última vez que falou comigo comentou que iria aparecer, mas pensei tratar-se somente de uma ameaça — esclarece passando a mão no cabelo num claro gesto de nervosismo. — Não consigo falar com Felipe, você estava lá quando ele a viu?

— Sim — respondo com insegurança.

— Como ele reagiu? Perguntei a Filó por telefone, mas na hora de me contar a megera chegou.

Se Abigail não estive tão aflita poderia rir da maneira em como chamou a própria mãe.

— Felipe a chamou para uma conversa particular, então não tenho muito a acrescentar. — Não estou sendo totalmente verdadeira, pois não posso contar como Felipe se embriagou na noite passada por conta da chegada de sua mãe.

— Tentei ligar para o meu irmão, ele não atendeu. — Lamenta abatida e respira fundo. — Ligarei para Renata avisando, afinal Solange é sua mãe também — anuncia pegando seu celular.

Levanto-me na mesma hora.

— Preciso adiantar o trabalho da turma de amanhã, depois conversamos — informo me retirando da sala para deixá-la falar a vontade com sua irmã.

O restante da tarde passa muito rápido. Abigail e eu voltamos a conversar sobre os projetos da escola e ela não fala mais sobre sua mãe, no entanto sou capaz de notar que se encontra preocupada, pois tem uma expressão oprimida.

A noite não vejo Felipe, quanto a sua mãe, sei que está em casa, mas ela não aparece na cozinha. Segundo Filó, ela é o tipo de fazer as refeições na sala de jantar, pois não gosta de se misturar aos empregados. Para mim é perfeito, pois não tenho nenhuma vontade de me deparar com aquela mulher. Entretanto estranho o fato de Felipe não aparecer, talvez esteja esquivando-se da mãe. Prefiro pensar nessa possibilidade do que imaginar estar fugindo de mim.

Meu Indomável DevassoWhere stories live. Discover now