{ 6 }

543 49 84
                                        

- em nome do pai, do filho, e do Espírito Santo. Fazemos a cruz no peito enquanto o padre reza pela Candinha, tentamos ao máximo fazer um enterro digno pra ela, o sol estava mais quente e a lápide iluminada, não tem como descrever a dor que está no meu coração agora, peguei uma rosa e coloquei sobre a terra onde o caixão estava enterrado.

- vá em paz minha doce Candinha, você foi como uma grande mãe que eu nunca tive que Deus te receba de braços abertos no céu.

- ela vai filha. O padre diz o que me deixa mais calma, a palavra dele sempre era verdade pra mim. Me afastei dali e de todo mundo, peguei sombra e andei até uma árvore e subi nela, fiquei sozinha comigo e com meus pensamentos.

- Maria da Luz.

Escuto o padre Antônio me chamar.

- eu só me afastei por 2 minutos pra buscar minha gata, não passou de 2 minutos. Eu disse deixando as lágrimas invadirem meu rosto.

- a culpa não foi sua.

- será que não? Se eu tivesse com ela...

- você também teria morrido, mas Deus queria que você vivesse, você é tão nova e ainda tem muito o que ver e aprender então agradeça a isso.

- é que, Padre eu não tenho ninguém era Candinha e nada mais, fiquei sozinha nesse mundo, não tenho pais e, não sei o que fazer. Abracei a árvore e chorei muito, eu tinha esquecido o que era esse sentimento de solidão e não imaginava que ele fosse voltar.

- mas e o seu amigo? O Stan, tenho certeza que ele pode te ajudar.

- ele mora no trabalho, e acho que o chefe dele não ia querer uma garota como eu na casa dele.

- mas quem é?

- lembra quando eu disse que Stan é o motorista de um cara bem famoso?

- lembro sim.

- esse cara é o Michael Jackson, aquele que anda pra trás.

- Michael? Mas que ótimo filha.

- o senhor acha?

- mas é claro, Michael Jackson é um homem muito solidário e ajuda as pessoas, ele não hesitaria em te oferecer abrigo tenho certeza.

- mas eu não quero. Consegui recompor o choro, mas meus olhos ainda estavam vermelhos.

- por que não quer?

- vou incomodar.

- Maria da Luz, você precisa de ajuda e sabe disso.

- sim padre. Desço da árvore e coloco sombra no chão - posso morar com o senhor na igreja?

- como?

- por favor padre, eu posso ajudar de algum jeito eu sou boa nessas coisas, eu ajudo varrer, fazer comida ou até dar uns reparos na roupa.

- o que você precisa é de alguém que possa ser o seu tutor, você tem que estudar.

- eu já sou maior de idade, ninguém precisa cuidar de mim.

- você ainda é uma menina muito irresponsável, Michael Jackson pode cuidar de você.

- eu não quero morar em um casarão e comer aquelas gororoba que os ricos comem, quero ficar perto da Vila, perto da Candinha padre.

- talvez eu deixe você ficar por essa noite, mas tenho que falar com Stan, porque depois da Cândida ele que fica responsável por você.

- valeu padre. Eu abracei o padre Antônio, talvez ele tivesse certo, seu Jackson podia me ajudar mas porquê eu sentia medo de encontrar ele di novo?

PELO OLHAR DELAOnde histórias criam vida. Descubra agora