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Primeiro dia do meu novo emprego, fui até o vestiário colocar o uniforme, senti algo me observar, olhei várias vezes para trás, mas não tinha ninguém, amarrei meu cabelo em rabo de cavalo e guardei minhas roupas no armário.
O trabalho era bem complicado, tive que tirar muita coisa das caixas, uma por uma, certos objetos eram bem delicados, os coloquei na estante, tirei o pó e foi assim o dia todo, senhor Carter mesmo que esteja na bancada atendendo os clientes não tirava os olhos de mim, tentei não ficar incomodada e nem ligar para isso, afinal, eu precisava desse emprego mais do que nunca, mas parecia que eu estava vivendo o mesmo episódio de tempos atrás, me faltou fôlego, as mãos começaram a suar e estavam frias, eu estava tendo uma crise de ansiedade, parei o que estava fazendo e precisei me sentar, não posso deixar que um pesadelo afete minha vida, tenho que seguir em frente.

- você está bem linda? Senhor Carter perguntou.

- si-sim, só precisei descansar um pouco, já estou voltando ao trabalho.

- pare para o almoço, você merece, tem um restaurante aqui na frente que é ótimo, podemos passar lá agora que tal?

- olha senhor, não quero que me interprete mal mas...

- calma querida, também não quero que me interprete mal, é só um almoço entre o chefe e sua funcionária, nada demais eu pago está bem?

●●●

- deseja mais alguma coisa? Perguntou o garçom logo após trazer nossos pratos.

- é só isso obrigado. Respondeu o senhor Carter.

- é muita gentileza pagar meu almoço senhor.

- me chama Jorge.

- muito obrigada Jorge, ninguém costuma ser tão bom quanto você.

- coma querida, aproveite, você está tão magra.

Senti um olhar muito penetrante de Jorge sobre mim, até mesmo quando ele tomava sua bebida, ainda com o olhar em mim, quando eu levei o garfo na boca, minha outra mão ficou na mesa, foi quando Jorge tentou colocar sua mão sobre mim, tirei rapidamente, o que deixou-o meio irritado.

- você está trabalhou muito hoje senhorita, quando acabar seu expediente quero ve-la na minha sala está bem?

Ele colocou o dinheiro na mesa e se levantou.

18:00

Finalmente, depois de um dia exaustivo terminei tudo, fui até o vestiário e mudei de roupa, foi quando lembrei que senhor Carter queria me ver, as mãos estavam trêmulas outra vez, respiração forte, bati três vezes na porta até escutar o " entre "

- queria falar comigo senhor?

- sim, sente-se.

Fiz como ele pediu, tive medo que minha atitude de mais cedo pudesse me fazer perder o emprego.

- você é uma moça muito linda, jovem e doce, seu sorriso de menina durante o dia derreteu meu coração - ele se levantou e andou atrás da cadeira onde eu estava sentada, o senti acariciar meu cabelo, o pavor passou a percorrer minha pele - você está brincando comigo Malú?

- não senhor.

- como pode estar me dando mole o dia todo pra no final me iludir desse jeito.

Seu tom de voz estava firme, até que ele beijou meu pescoço me fazendo chorar.

- me deixe ir por favor.

- agora você vai ver que comigo não se brinca.

Ele colocou a mão no meu pescoço e me levantou da cadeira e me beijou na mesma hora dei um tapa na cara dele, seu olhar de fúria me petrificou, ele deu um soco na minha cara me fazendo bater contra a parede, ele começou a tirar o cinto e foi chegando perto, eu tive que reagir ou tudo iria acontecer de novo, eu o chutei no meio das pernas e corri pela porta em busca de ajuda, não me atrevi olhar para trás, ele poderia estar me seguindo, ao sair da loja esbarrei em alguém, um homem.

- você está bem? O que houve? Está machucada!

- ele está atrás de mim, me ajuda.

- calma, calma, seja lá quem for ele não vai mais te ferir, vem comigo.

Eu hesitei em entrar no carro com aquele homem, nem ao menos conseguia ver o seu rosto de tão escuro que estava a rua.

- está tudo bem, mas temos que tratar do seu rosto, vamos até a farmácia vou comprar curativos pra você... confie em mim.

●●●

- isso tá ardendo. Falei enquanto ele colocava álcool no algodão e passava no meu rosto, eu estava sentada no banco do carro enquanto ele estava agachado do lado de fora cuidando do meu machucado.

- você quer me contar como isso aconteceu?

Fiquei em silêncio.

- tudo bem, não precisa me contar, não tenho nada a ver com sua vida, pronto, você vai ficar bem.

- obrigada.

- não vai mesmo me contar?

- era meu primeiro dia de trabalho,  meu chefe tentou abusar de mim, está dando tudo errado para mim.

- quando algo dá errado você deve ter uma ótima noite de sono e tentar tudo novamente no dia seguinte.

Ele me fez sorrir, agora com a luz batendo percebo que era um belo homem de cabelos pretos e olhos castanhos.

- quer que te leve pra casa?

- agradeço mas tomei muito do seu tempo.

- não vai ser incômodo, eu te levo, vamos.

Ele tinha uma energia tão boa, mas depois do que Michael me fez não sei se confiarei em outro homem novamente, mas o cara que ajudou uma estranha no meio da noite me pareceu confiável, pode ser loucura da minha parte.

●●●

- você mora aqui?

- sim senhor.

- senhor? Não sou tão velho, tenho 25 anos, estou na minha melhor forma.

Um sorriso meigo brotou dos seus lábios, porque estou tão intrigada com ele?

- obrigada por hoje. Eu disse.

- tem certeza que vai ficar bem?

- tenho sim, obrigado.

Desci do carro e vi ele partindo, nem ao menos perguntei seu nome, e possivelmente não o verei novamente, quando cheguei perto de casa escutei conversas... Michael?

- ela está demorando Janet, porque ela não chega?

- calma irmão,, tenha calma, eu nem devia estar fazendo isso, trai a confiança dela.

A única pessoa em que eu confiava mentiu para mim, e Michael estava lá, eu não estava pronta para falar com ele, dei meia volta, eu ainda tinha dinheiro o suficiente para ficar em alguma pousada por esta noite, jamais quero ver Michael na minha vida outra vez.

PELO OLHAR DELAOnde histórias criam vida. Descubra agora