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Enquanto eu passava pelo corredor vi Stan chegar, ele tinha a gata de Malú nas mãos.

- perdão senhor Jackson. Eu sei que não é permitido animais nos quartos, mas eu pensei que talvez a menina Malú fosse ficar feliz.

- não se preocupe Stan, pode ir sim, tenho certeza que ela vai ficar melhor com a mascote, mas depois quero que vá até a biblioteca, precisamos conversar.

- sim senhor.

Stan seguiu o caminho e eu fui ao ponto de encontro, certas dúvidas irão ser tiradas.

●●●

Eu já estava na 4° pagina do livro " Dom Quixote " quando alguém bateu na porta.

- pode entrar. Eu disse fechando O livro e o colocando no criado mudo.

- sou eu senhor, disse que queria falar comigo.

- sim Stan, por favor sente-se.

- olha senhor Jackson, não me demita eu sou um funcionário leal, tento dar meu melhor e...

- calma Stan, você é sem dúvida excelente na sua função e um ótimo amigo, mas o quero falar não é sobre isso, e sim sobre Malú.

- o que quer saber senhor?

- como a conheceu? De onde ela veio? Porque ela tremeu quando toquei nela? Ela já tinha sido assediada outras vezes?

- senhor, a história é mais longa e triste que isso.

- me conte até os mínimos detalhes, não deixe escapar nada.

- bom senhor, isso já tem mais ou menos 4 anos, a menina Malú tinha acabado de completar 16 no  orfanato de Freiras onde ela vivia, nunca se soube quem eram os pais dela, talvez a mãe tenha sido uma pobre infeliz que não tinha condições de cuidar de uma criança, Malú foi deixada na porta do orfanato com poucos meses de vida, o sorriso meigo dela encantou a todos, eles diziam que era uma menina vinda da luz, por isso o nome, mas Malú era infeliz, com o passar dos anos todas as crianças eram adotadas e quando mais velha ela ficava mais difícil era encontrar uma família, então ela não aguentou, quando fez 16 anos ela deu um jeito e fugiu do abrigo, mas a pobre criança tão inocente não conhecia os perigos de Los Angeles até uma certa noite.
Já fazia 3 dias que Malú vagava pelas ruas em busca de comida, até passar por uma rua mais deserta e encontrar um grupo de homens.

Flashback ok

Malú ( 1988 )

Meus pés estão doendo demais e eu tô faminta, ando e ando mas não encontro nada.

- oi boneca. Escuto alguém falar, irmã Clare sempre dizia pra não falar com estranho mas talvez ele seja bonzinho, me viro mas ele estava com mais alguém.

- o que uma menina linda como você faz aqui sozinha?

- eu tô perdida, e tô com fome, por favor me ajude.

- claro bebê chega aqui perto da gente que vamos te ajudar.

Então mais dois homens saíram das sombras, senti um arrepio na espinha, eu estava cercada sem onde fugir, eles começaram a passar a mão no meu cabelo enquanto eu chorava em silêncio pedindo pra me deixarem em paz.

- eu só quero um lugar pra ficar por favor.

- calma gracinha, vamos cuidar de você.

Flashback off:

- Malú foi violentada naquela noite, se eu não tivesse aparecido nem sei o que fariam com ela, eram tantos homens e ela estava toda machucada eu a peguei no colo depois de acabar com os desgraçados, ela ficou assustada comigo mas eu disse que ia ajudar a levando ao médico mas ela recusou dizendo " não por favor, se não vão me levar de volta " eu até pensei que ela fosse uma jovem delinquente sem onde ficar mas ela era só uma garota apavorada e não pensei em ninguém pra cuidar dela que não seja Cândida que também era curandeira ela prometeu cuidar da Malú e uma fez companhia pra outra desde então, por isso... senhor Jackson, Maria da Luz é uma menina frágil mas também sabe ser valente, só peço compreensão, ela parou de acreditar nas pessoas a anos, ter a confiança dela será muito difícil.

Eu escutei toda a história perplexo, Malú passou por tantas coisas sendo tão nova.

- cretinos, ela era só uma criança, prometo cuidar dela Stan, essa garota já faz parte dessa casa.

- eu sei senhor, sei que cuidará bem dela, se me permite vou voltar aos meus afazeres.

- pode ir.

Eu aponhei a cabeça no sofá enquanto processava tudo aquilo jamais pensei que Malú tivesse sofrido tanto, e eu faria questão de cuidar dela.

●●●

Certo que a cozinha não é bem o meu forte mas uma sopa eu devo saber fazer, não é tão difícil assim, peguei as batatas e comecei a cortar até a faca escapar da minha mão.

- está tentando se matar por acaso? Escutei minha irmã falando.

- foi só um arranhão eu queria  preparar algo eu mesmo para Malú.

Enquanto Janet cortava as batatas eu peguei macarrão e tomate, e sim, minha irmã e eu estávamos cozinhando.

- Mike, posso te pedir uma coisa?

- mas é claro.

- não magoe Malú, ela é tão doce e sofreu muito, escutei a conversa entre você e Stan.

- você sabe que eu nunca faria mal a ela.

- só estou dizendo se os seus sentimentos estiverem confusos guarde apenas pra você.

- o que quer dizer?

- eu sei como você olha pra ela, de um jeito tão meigo que nunca vi você olhar assim pra alguém, nem mesmo Brookie, e Mike, se você ama Malú, termina com sua namorada tá, não as faça sofrer.

- não pense nisso Janet, vejo Malú como amiga só isso.

- eu conheço o irmão que tenho, toda esse amor e atenção que você tem dado a ela não é só amizade, repense isso.

Enquanto conversávamos, nem percebi que a sopa tinha ficado pronta e Janet saiu da cozinha, fiz um prato e levei até o quarto de Malú, bati na porta antes de entrar, seu rosto estava pálido, e ela suava, coloquei a bandeja no criado mudo e peguei um pano úmido, sentei ao lado dela e molhei seu pescoço para a temperatura do seu corpo abaixar, ela se aconchegou no meu peito e me olhou antes de fechar os olhos e acabar adormecendo, e se Janet estiver certa? E se eu estou realmente apaixonado por Malú? Mas e se ela não me corresponder, guardo isso só para mim? ou corro o risco de perde-la para sempre? tê-la em meus braços para proteger foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim.


Olá gente, estou voltando aos poucos mas tentando deixar os caps o melhor que eu possa, é só isso, nos vemos em breve!

PELO OLHAR DELAOnde histórias criam vida. Descubra agora