Ele me dá arrepios

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Leslieville, Toronto, Canadá - 18h, sexta-feira. 

Ele me dava arrepios

Casa dos Wolfhard

Finn

-Pronto para o treino o cara de sapo? - Nick pergunta, fechando a porta da sala. Meu irmão estava se especializando para ajudar meu pai na auto mecânica, estudando na universidade local como bolsista. Enquanto estudava no centro, pela manhã,  trabalhava no negócio da família a tarde, e às noites de sexta, sábado e domingo era garçom no Jonn's. 

-Mais ou menos. Acredita que o time de basquete vai trocar de uniforme? - Tento mudar de assunto, me arrumando no sofá de quatro lugares da mamãe.

-Mas não faz nem dois anos que tinham mudado! Só pode ser coisa da sua princesinha. - Fala indignado, sentando na poltrona de nosso pai para tirando os tênis. Nick e eu somos muito parecidos, altos, muito altos, cabelos negros e enrolados, olhos castanhos escuros e pele pálida, porém, na personalidade as coisas mudavam um pouco, ele sempre foi muito mais impulsivo que eu, lhe rendendo alguns problemas no bairro.

-Todo mundo também acha. E, ela não é minha princesinha, ok? - Deixo claro, para que ele não volte a tocar no assunto. 

-E o time? Vai trocar também? Porque seria muito injusto se só aqueles babacas pudessem desfilar de roupa nova e vocês não. - Ele questiona. Quando estudava na Bruce, meu irmão era capitão do time de hóquei, um dos melhores que já passaram pelo grupo, tudo que sei fazer no ringue aprendi com ele. 

-Vou saber daqui a pouco. A mãe deixou comida para você no microondas. Antes que pergunte, eles foram no mercado. Estou indo. Vê se não quebra nada, bebê. - Falo já pegando a bolsa e me encaminhando a porta.

-Vou tentar, mamãe. E Finn, tenta não levar tudo tão a sério, sabe? Você é bom, só cria expectativas demais nisso. Seja você mesmo, tá bom? Agora vaza, tampinha. - Aconselha o mais velho, em tom de aviso. Acho estranho, mas após alguns segundo entendo o que ele quer dizer. Eu sempre me esforço demais nas partidas, porque é óbvio que não quero sair do time, mas também por Nick amar aquilo, e sem ele por perto quase todo dia, me sinto responsável, quase como se fosse um legado. Ele deve ter percebido meu nervosismo com o assunto. 

-Me sinto tocado. E tampinha é a senhora sua mãe. - Falo rindo, já do outro lado da porta. 

-Vou contar para ela, cara de sapo. - Rio mais alto, alcançando meu skate e me jogando na noite.

Poucas pessoas me conhecem tão bem quanto Nick, somos unha e carne, como diria a vóvo. Depois dos problemas com a falência dos meus pais, Nicolas, que tinha 11 anos, precisou criar responsabilidade e ajudar em casa, enquanto eles trabalhavam. Ele passou grande parte da adolescência cuidando do pequeno Wolfhard, por isso nos tornamos tão próximos e também, por este fato, sinto tanto a sua falta durante os dias na Bruce.

Future Stars Arena, Toronto, Ontário - 19h

Chego ao ringue em cima da hora. Entro no local aos tropeços, indo até o vestiário, onde sou recepcionado por vaias.

-No horário em little Wolf! - repreende Joshua, treinador do time há mais de dez anos. O homem, de estatura média, cabelos quase grisalhos, magro, de olhos castanhos e barba por fazer, trajava seu uniforme e estava ao lado de um pequeno quadro, no centro do círculo  formado pelos outros jogadores. 

I've Got You - Fillie Histórias para pegar e não largar. Descubra agora