Primeiros erros

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Leslieville, Toronto, Ontário, Canadá - Sábado - 16h

Primeiros erros

Finn

O ensaio da Calpurnia, nome oficial partir de agora, tinha sido tranquilo e produtivo. Decidimos uma nova setlist, para eventuais apresentações, e até pensado em uma logo, com curvas, fontes e cores para a banda. Mesmo com muito ceticismo, acreditava que nós podíamos dar certo, era só uma questão de dedicação e oportunidade. Tudo a minha volta parecia caminhar rumo ao concreto, o que era bem incomum.

Sentado na varanda com meu violão detonada, senti os ventos mudarem, quase sutilmente, ao meu favor. Durante toda a noite, desde que deixei Millie partir rumo à Rosadale, nossa conversa, e o beijo, não saiam da minha cabeça, então decidi escrever, tentando extravasar os sentimentos.

-Cara de sapo. - Nick se joga no sofá disposto no espaço, com um saco de salgadinho nas mãos.

- Cara de assombração. - respondo sem o olhar, dedilhando no instrumento.

- Compondo? - pergunta curioso, vendo meu caderno no chão.

- Tentando. - respondo, finalmente encarando o mais velho.

- Preciso te perguntar uma parada. - começa deixando o salgadinho de lado.

- Desembucha. - o incentivo.

- O que você sente pela Millie? - sem enrolar, ele pergunta.

- Direto mesmo, parabéns. - digo ironicamente. - Eu ainda estou confuso quanto a isso, Nicolas.

- Quero paramentos e detalhes. - ele se arruma no sofá, como quem se prepara para uma longa conversa.

- Tá. - solto o violão, também me arrumando sob o tapete. - Não se parece em nada com o que sentia por Iris, nem chega perto. Se for para comprar com algo físico ou fenômeno da natureza, eu diria que Iris e eu estávamos mais para uma garoa fina. Já eu e Mills somos como uma tempestade no deserto.

- Ok. O que você sente quando beija ela. - pergunta sério.

- Hum. - olho para o teto, buscando as palavras certas. - É uma coisa meio engraçada. Não é bem cócegas, é algo mais... Meu corpo tem uns espasmos, meu coração parece que vai parar de bater e meus ossos se desmancharem.

- Como você está com tudo isso? - ele não parecia cético ou debochado.

- Confuso. - afirmo. - Falei com Malcolm sobre isso na sexta-feira. Eu estava meio fugindo, por isso ela tweetou aquilo. Eu só fiquei com a Iris, posso ser um cara bem tóxico e a magoar. Não quero isso. E outra, eu me sinto tão bem com ela, é como se eu fosse outra pessoa. Minhas mãos tremem e tudo, fico nervoso porque a acho a coisa mais linda, mas não sinto medo, Nick. Ela parece que me dá sorte e força e não sei mais o que. Só que não sei se mereço tudo isso, e toda vez que ela vira a rua para ir embora eu fico pensando que amanhã ela vai voltar para a Califórnia e levar todas essas sensações.

- Tem medo de se machucar? Que ela seja como a Iris? - Nick questiona.

- É, também. São várias pequenas coisas que estão me fazendo segurar o freio nisso. Minha insegurança é a primeira delas. Ontem ela me falou um pouco sobre o tal do Romeo. - conto aborrecido.

- E aí? - Nick parece se animar.

- Acredita que ele chifrou ela? - digo incrédulo.

- Tá de palhaçada? - surpreso, ele coloca uma batata na boca.

- Não estou. Ele deve ser um babaca. - pego o pacote de sua mão, colocando algumas batatas na boca. - Ela disse que perdoou, que ele é um cara legal e não sei mais o que. Perguntei porque ele fica rondando.

I've Got You - Fillie Histórias para pegar e não largar. Descubra agora