N/A: tem muitos leitores fantasmas aqui. Eu realmente vim pedir (implorar) para votarem porque se pensarmos bem, não custa nada né?! Então votem por favor porque isso me ajuda muito aqui. Inesperado está crescendo rápido e eu agradeço, mas os votos é que me fazem ser encontrada.
Nem mais, boa leitura.
Xoxo
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Eu odiava a mudança que estava acontecendo com meu corpo.
Ou odiava que aquela saliência não estava mais uma pequena saliência. Havia demorado a crescer, porém desde que começou não parou mais, ou nem mesmo foi devagar.
Eu me incomodava com aquilo, com o esforço que tinha que fazer e com tudo o que vinha no pacote.
Era pesado e desconfortável. Minha pele tinha manchas que a deixavam feia, já tinha dores nas pernas, mudanças de humor mais frequentes e quando parecia que eu não poderia piorar, meu estado balão provava que não.
Gravidez era uma merda e eu não tinha por onde correr. O tempo não ajudava, só deixava tudo pior e prestes a acontecer.
Eu só queria poder voltar atrás, ou simplesmente clicar num botão e fazer tudo sumir. Só queria que tudo isso fosse um pesadelo.
Eu queria acordar já.
Vídeos no YouTube nunca faltavam então eu começava vendo as histórias de outras pessoas que me faziam por um tempo não me sentir sozinha.
Mas tinha uma coisa que me assustava muito mais.
O parto.
Eu tinha medo da dor e do que viria depois da dor.
Eu não era como todos diziam. Eu não estava me acostumando, tudo não estava ficando melhor e eu não amava aquela criança. Nem mesmo conseguia chamá-lo de bebê, ou meu bebê, ou meu filho.
Era difícil dizer que: eu, Liara Benson, de 19 anos, estudante de enfermagem, cuidadosa consigo mesmo desde sempre, estava grávida.
Era surreal e doloroso. Então com ou sem a companhia de minha mãe eu chorava todas as noites.
Chorava pelos hormônios, chorava pelas mudanças, chorava por medo, por culpa, por dor. Eu chorava porque não tinha o botão de parar isso e nem de voltar para trás.
A vida conseguia ser um autêntico pesadelo para mim.
Eu não queria comer bem, fazer exercícios e nem melhorar. Eu apenas o queria fora de mim.
Eu estava de quase cinco meses e o tempo parecia voar.
Minha ida ao banheiro era tão frequente que eu me sentei ao lado da porta da sala para sair sem que ninguém notasse. E no fim do dia eu sempre estava cansada e inchada. Além de estar possessa pelo sentimento que meus sonhos foram interrompidos ou então cancelados.
Aquilo era uma prisão.
A médica encarou a telinha curiosamente e sorriu.
- está tudo bem, Lia. Ele realmente é um touro.- riu.- quer saber o sexo?
- já dá para saber?- minha mãe encarou curiosa e ela assentiu.- más já?
- cinco meses né.- se virou para mim.- quer saber?
- não.- respondi e limpei o gel de minha barriga.
A médica me encarou com o sorriso morrendo.
- eu vou receitar vitaminas para você.
- ela não tomou as últimas. - minha mãe falou me fuzilando.- eu descobri que ela andou os jogando pela privada.
A médica suspirou e se aproximou com uma expressão maternal.
- eu sei que isso está sendo difícil para você. E assustador. Mas ele precisa de você, pelo menos por agora.
- eu não me importo.- limpei as lágrimas que só aumentaram.- eu nunca quiz isso! Estou gorda, inchada, cheia de gases e dores e com uma barriga enorme. As pessoas comentam e me encaram estranho. Eu nunca quiz isso eu só quero que pare.
Meu choro foi intensificando cada vez mais. Era assim ultimamente. Eu só queria chorar.
As lágrimas caíram por minha bochecha uma atrás da outa, meus lábios tremeram e soluços começaram a sair. Eu estava chorando como uma criancinha.
- calma, filha, se acalma.
- eu não quero. Eu quero que isso passe logo.
- Liara.- a médica me encarou.- eu vou ter que te aplicar um calmante e se continuar vou ter que te deixar aqui.
Meu choro se intensificou mais e mais. Tudo aquilo era um completo inferno e um pouco confuso. Eu nunca conseguiria me acostumar e nem me acalmar.
Porém uma coisa me fez realmente parar por um momento assustada.
- o que foi?- minha mãe arregalou os olhos.
- ele mexeu.
Minha mãe sorriu mas eu poderia ver o meu próprio rosto horrorizada. Aquilo pareceu muito real.
Eu não estava sonhando.
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Inesperado
ChickLitAtenção: esse é um livro sobre ( ou pelo menos tento): • maternidade real • aborto • e outras coisas. Eu vou apresentar minha opinião, se você não estiver disposto a saber, não leia. Se você estiver lendo essa história em qualquer outra plataforma...
