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HARRY

Entrei na sala silenciosamente, para não acordar ninguém. Mas fui surpreendido pelo Hemmings, que estava sentado no sofá, às escuras.

- O que é que estás a fazer acordado? - perguntei em surdina, aproximando-me.

Ele assustou-se com a minha presença mas depressa se acalmou. Abanou levemente a cabeça e acendeu um pequeno candeeiro de pé alto.

- Não conseguia dormir - suspirou - E estou a ver que não fui o único.

Sorri e sentei-me ao lado dele - A Jenn está a dormir que nem um anjinho... adormeceu abraçada a mim.

Ele também sorriu e ficámos em silêncio. Um silêncio um pouco incómodo.

- Já sabes o que vais fazer? - ele quis saber.

- Não... mas continuo a achar que confrontá-lo com a situação é o melhor. Ele não pode continuar a persegui-la!

- Sim, ela tem de voltar para Londres, mais tarde ou mais cedo - concordou.

- Ela... - comecei, mas não sabia se devia comentar aquilo com ele.

- Ela o quê? - perguntou.

Suspirei - Ela disse-me que andava a tentar perceber o porquê de ele andar a agir assim... acha que ele mudou por alguma razão...

Luke revirou os olhos, aborrecido - E que razão pode haver? O James é simplesmente um otário de merda!

Assenti, sem saber bem o que pensar. Também concordava que o James era um otário, mas a Jenn parecia convencida de que havia mais história por trás. E por momentos invadiu-me uma sensação desconfortável e a ideia de que ela estivesse novamente a esconder-me coisas não me saía da cabeça.

- Bom, vou tentar dormir - disse ele, levantando-se e saindo da sala lentamente mas sem fazer qualquer barulho.

Respirei fundo e encostei-me às costas do sofá. Aquele assunto estava a dar-me a volta à cabeça e até já me tirava o sono. E preocupava-me a ideia de que a minha irmã nunca mais pudesse ter uma vida normal por causa do McVey...

LUKE

Passei pelo quarto da Jenn e percebi que o Styles tinha deixado a porta encostada. Abri-a devagar e entrei, encontrando-a a dormir serenamente. Aproximei-me e sentei-me na borda da cama, pousando a minha mão na dela.

- Eu juro que não vou deixar que mais nada de mal te aconteça... - murmurei, como que para desabafar.

Levantei-me e saí do quarto, encostando a porta, e fui para o meu quarto.

BRAD

Entrei no estúdio sentindo-me demasiado cansado. Não tinha dormido nada bem e sentia a minha cabeça tão pesada que parecia que ia cair.

- Bom dia - cumprimentou-me a Demi, que estava sentada no sofá com um café. Para minha surpresa, o Niall Horan estava sentado ao seu lado.

- Bom dia - disse, bocejando de seguida - Desculpem, mas esta noite foi péssima...

- Ui, junta-te ao grupo - ela riu e eu olhei-a com uma expressão confusa, pelo que ela se apressou a explicar - O James também não dormiu muito bem...

- Ele já chegou? - senti o meu coração disparar.

- Sim, e também vinha um pouco em baixo - respondeu o Horan.

- Onde é que ele está?

- Saiu há poucos minutos, chamaram-no lá debaixo, acho que recebeu uma carta...

Assenti, estranhando. O James recebeu uma carta no estúdio? Estranho.
Pousei as minhas coisas e logo a seguir ele entrou na sala com um ar calmo, mas com a carta na mão, ainda por abrir.

- Tudo bem? - perguntei, mas só recebi um encolher de ombros como resposta.

Ele foi sentar-se a um canto e abriu a carta. Não pude deixar de o observar discretamente, aproveitando o facto de a Demi e o Niall estarem distraídos na conversa.
Mas o James, ao ler a carta, cerrou o maxilar e eu percebi que ele estava a tentar ao máximo controlar a raiva. Fiquei assustado com a reação dele, e percebi que a carta não trouxera boas notícias.
Nem pude tentar saber o que se passava, porque ele pegou nas suas coisas à velocidade da luz e saiu porta fora, com a carta na mão, quase a amachucá-la.
Engoli em seco, sem saber se devia ir atrás dele.

- Brad? - a voz da Demi chamou-me a atenção - Não vais atrás dele?

Ela tinha razão. Até ali eu tinha vindo a assistir a tudo sem querer intrometer-me no que não me dizia respeito, e entretanto a Jenn fugiu e o James andava mais violento do que o normal e aquele telefonema estranho não ajudava em nada. Estava farto de ver um dos meus melhores amigos mal e não fazer nada.
Sem pensar mais, saí da sala e corri para o elevador. No rés-do-chão, perguntei por ele à rececionista e ela disse-me que o viu sair do edifício com cara de poucos amigos. Corri para a rua e avistei o carro dele no mesmo sítio do costume, e percebi que ele estava lá dentro. Corri para lá quase sem respirar e assim que cheguei, ofegante, bati levemente no vidro da janela do lado do condutor. James olhou para mim com um ar aborrecido e baixou o vidro.

- Achas que podemos falar?

James parecia um pouco mais calmo. Aliás, parecia que esteve a chorar. De raiva? Não sabia, mas preocupou-me.
Já me estava a preparar para ele se ir embora sem se quer me responder, mas para minha surpresa ele fez-me sinal para entrar no carro. Dei a volta e entrei para o lugar do lado e fechei a porta. Não sabia o que dizer, tinha medo de dizer algo de forma errada e chateá-lo.

- Eu estou preocupado contigo... percebi que não recebeste boas notícias...

Os olhos dele estavam vermelhos e húmidos. Engoliu em seco e passou-me a carta que tinha acabado de receber.
Peguei no envelope e hesitei. Ele assentiu, dando-me autorização, e eu retirei o papel de dentro, sustendo a respiração.

want you backOnde histórias criam vida. Descubra agora