HARRY
Acordei com uma luz fraca a bater-me nos olhos. Olhei em volta, ainda sonolento. A Jenn já se tinha levantado.
Encontrei-a na cozinha, com uma caneca de leite com café nas mãos.
- Bom dia – disse e ela voltou-se para mim. Tinha os olhos vermelhos – Estiveste a chorar?
Ela não me respondeu e pousou a caneca no lava-loiças, saindo de seguida da cozinha e trancando-se na casa de banho. Suspirei. Ia ser difícil que ela voltasse ao normal.
Sentei-me numa das cadeiras e esfreguei a cara. Não tinha dormido nada bem e sei que ela também não. Devo ter acordado no mínimo quatro vezes por causa dela, por causa dos seus pesadelos.
O relógio da parede marcava quase nove da manhã quando ela saiu da casa de banho já de banho tomado e arranjada. Pegou na mala e no telemóvel que estavam pousados no sofá da sala e verificou se tinha chamadas ou mensagens.
- Onde vais? – perguntei, levantando-me e indo ter com ela – Não vais já para o hospital, pois não?
- Não – respondeu, marcando um número – Vou falar com o George.
E, deixando-me de olhos arregalados, foi-se embora. Deixei-me ficar ali de pé à porta da sala, ainda a pensar no que ela acabava de dizer. Falar com o George? Respirei fundo e decidi ir tomar banho.
GEORGE
Preparava-me para sair de casa quando o meu telemóvel começou a tocar. Quando vi o nome da Jenn no ecrã, senti o meu estômago a andar às voltas. Não hesitei em atender.
- Bom dia – cumprimentei mas ela não retribuiu.
- Precisamos de falar – disse logo, e eu senti que aquilo não era um bom sinal. Ela estava estranha – O mais depressa possível. Onde estás?
- Hm em casa... ia agora sair.
- Eu estou aí perto, dá-me dez minutos – pediu.
- Okay, não há problema... eu espero por ti. Mas está tudo bem?
Só que ela já tinha desligado. Respirei fundo, tentando fazer desaparecer este nervosismo. Não esperava que ela me ligasse tão cedo, mas sabia que mais tarde ou mais cedo esta conversa teria de acontecer.
Conforme me tinha dito, dez minutos depois a campainha tocou e eu precipitei-me para a porta. Dei-lhe espaço para entrar e segui atrás dela até à sala. Não se sentou e voltou-se de frente para mim, olhando-me nos olhos. O meu estômago encolheu-se com o olhar dela. A Jenn estava mesmo estranha, parecia... distante, fria.
- Está tudo bem? – a minha voz soou trémula.
- Não... - admitiu – Desculpa...
Olhei-a, confuso, e tive a sensação de saber o porquê de estar a pedir desculpa mas não tive coragem de dizer nada. Tinha de a ouvir dizê-lo, mesmo sabendo que o meu mundo ia desmoronar quando isso acontecesse.
Os olhos dela estavam brilhantes e um pouco vermelhos, indicando que esteve a chorar recentemente.
- Eu não consigo estar contigo... - disse ela, desviando o olhar – Eu já não sinto por ti o que sentia antes... desculpa.
Engoli em seco, sem reação. Quase podia jurar que o meu coração tinha parado.
- Desculpa dizer-te isto só agora... a verdade é que eu ainda gosto muito de ti, mas não o suficiente. Eu tentei que as coisas resultassem mas não consegui...
Agora tudo me fazia sentido. Ela mantinha sempre a distância, nunca mais me ligou quando voltou para Sydney... A química entre nós tinha mudado e eu não percebia porquê. Pensava que era impressão minha, pensei que fosse por termos passado demasiado tempo longe um do outro. Havia momentos em que eu sentia que ela estava novamente a aproximar-se mas depois afastava-se outra vez... A forma como ela ansiava por voltar a Sydney, a forma como ela era feliz lá e não aqui... E ontem, a reação dela quando viu o Hemmings... agora tudo isso fazia sentido.
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want you back
FanfictionDe repente, Jenn decide acabar com o seu namorado e fugir para Nova Iorque sem dar explicações a ninguém, nem mesmo ao seu meio-irmão Harry. Ao quebrar contacto com toda a gente, os seus amigos começam a perceber que algo de muito grave se passou en...
