Pall mall

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Como qualquer leitora regular desta coluna sabe, há duas seitas em Londres que permanecerão para sempre em oposição: as mamães ambiciosas e os solteiros determinados.
As primeiras têm filhas em idade de se casar. Já os outros não querem uma esposa. O ponto de conflito deveria ser óbvio para aqueles com metade de um cérebro ou, em outras palavras, cerca de cinquenta por cento das leitoras desta coluna.
Esta autora ainda não viu a lista de convidados para a semana na casa de campo de Lady Bridgerton, mas fontes seguras indicam que quase todas as jovens em idade de se casar vão se reunir em Kent na semana que vem.
Não é de surpreender. Lady Bridgerton nunca fez segredo de seu desejo de ver os filhos bem-casados. Esse sentimento a tornou uma das favoritas entre as mamães ambiciosas, que consideram, para o próprio desespero, os irmãos Bridgertons o pior tipo de solteiros determinados.
Se confiarmos nos livros de apostas, então pelo menos um dos irmãos ouvirá os sinos da igreja antes do fim do ano.
Por mais que doa a esta autora concordar com os livros de apostas (que são escritos por homens e, por consequência, cheios de erros), ela precisa concordar com a previsão.
Lady Bridgerton em breve terá uma nora. Mas, quem quer que ela seja – e com qual dos irmãos vai se casar – ah, queridas leitoras, é isso que todos querem saber.
C
29

Era difícil dizer que horas eram, madrugada provavelmente. 6 dia em Aubrey Hall e amanhã toda a elite estaria por essa casa e andando pelos corredores... era normal ter insônia perto de momento assim, não era?
Me levantei da cama, suspirando de raiva.
Noite fria, lua cheia e poucas estrelas. Quando passei a ser o tipo de pessoa que repara no céu?
A sacada havia se tornado meu refúgio, toda vez caminhava até lá e me apoiava no parapeito. Fechava os olhos e respirava fundo... como era bom estar viva
A anos não agradecia essa dádiva, acordar todo dia e viver novas aventuras
Aprendi dar valor a tantas coisas, família principalmente. Achei por anos que o melhor era ser sozinha, agora com uma família eu sabia o quanto me fez falta na vida
Pai, se estiver me ouvindo — respirei fundo e tentei não deixar uma lágrima rolar — me de uma luz

Esfriava cada vez mais e ao perceber que tremia, voltei para dentro do quarto. Droga, não tinha água. A caminhada até a cozinha talvez seria uma ótima forma de adquirir sono.
Não fechei a porta para não fazer muito barulho. Cada passo era na ponta do pé, até chegar na escada. Uma casa tão grande daquele jeito, qualquer ruído ecoava por toda a propriedade. Desci as escadarias e agora virava à direita, antes de chegar na porta da cozinha, vi uma luz.
É claro que preferi seguir a luz do que pegar a água, quem estaria acordada uma hora dessas?
Abri a porta do cômodo, sem pensar duas vezes. Tomei um susto ao me deparar com Anthony jogado em sua poltrona, observando um grande retrato de sua família. Foi impossível não ser notada, permaneci imóvel e constrangida
— Desculpe, não achei que haveria alguém acordado — com um grande esforço, me pronunciei
— Você possui uma mania de não bater em portas — ele se inclinou e apoiou os cotovelos na mesa — já que está aí, entre e beba comigo
Fechei a porta bem devagar e sentei na cadeira à frente dele. Me serviu uísque e dei um grande gole, após isso me quase engasguei
— Não tem o costume de beber, não é mesmo?
— Não, comecei quando cheguei aqui
— Estou me tornando uma má influência, me perdoe — Anthony brincou, me fazendo rir
— Posso fazer uma pergunta
— Certamente — cruzou os dedos das mãos
— Você e Kate, o que acontece? Flagrei os dois no escritório e prometi segredo sem questionar
— Não acontece coisa alguma
— Gosta dela, vejo em seus olhos. Fica frustrado ao falar disso e na defensiva
— Fico na defensiva?
— Você disse uma vez que amor não era a base de um casamento, depois voltou atrás com sua palavra e concordou comigo
— Me referia à Eloise...
— Eu sei o quanto amar pode ser assustador, precisa de coragem para entregar seu coração à alguém sem certezas que será bem cuidado. Amar não faz ninguém fraco, é a atitude mais corajosa que se pode tomar
— Eu não amo Kate
— Admita que ela é a sua chance, sua maior chance
— Isso é impossível
— Sei bem o que é um amor impossível, querer estar com uma pessoa e não poder. O que você sente é apenas medo, e eu compreendo
— Fala sobre Benedict?
— Está tão óbvio assim? — tapei meu rosto com as duas mãos para esconder minhas bochecha coradas
— Não vejo razões para ser "impossível"
— Digamos que eu não fosse embora, por algum milagre eu ficasse... ainda assim não poderia ficar com ele. Não tenho família, nome, propriedades ou dote
Anthony permaneceu calado, sabia que estava certa. Era de toda e qualquer forma, impossível
— Então vamos beber — ele de repente ergueu seu copo
— Saúde

Perdida nos Bridgertons Onde histórias criam vida. Descubra agora