Fazia sol, a grama ainda era verde. Os botões florescidos graças à mãe natureza, uma linda visão. Podia escutar as broncas dos pais aos filhos que se afastam, afinal era um parque. Piquenique típico dos domingos, no dia de meu aniversário de 11 anos. O lago, onde costumava dar comida aos patos ainda era meu lugar favorito.
Ao meu lado ele estava, apontando as nuvens com formatos estranhos. De repente a pergunta eternizada na minha cabeça
— O quer ser quando crescer, querida?
— Cantora, como a mamãe
— Sim, ela era
Aqui estou eu, debaixo do mesmo sol e me apego a isso por ser a única coisa igual.
É difícil, difícil não pensar nas coisas que meu pai queria pra mim. Que ele morreu deixando uma chance, que o culpei e o odiei achando o contrário. Afinal todo mundo tem planos, na vida acontecem reviravoltas... é comum que a mente se afobe
Eu pedi uma luz, só uma. Era isso? Pois só me encontrava confusa
Queria chorar, chorar por não saber o que fazer da vida. Chorar por todas as responsabilidades e decisões que de repente caíram no meu colo e eu não estava pronta para tal
Benedict, era ele, as razões dos meus delírios e temores. O amor que sonhei, que jamais imaginei encontrar. Por que assim? Por que não aconteceu como às outras pessoas? Encontrá-lo no mercado, esbarrar com ele na rua... diversas maneiras mais fáceis daquilo acontecer
Andei sem rumo por uns 15 minutos, não queria chamas atenção e por decidi voltar. Aproveitava bastante para olhar ao redor, respirar aquele ar e ouvir os pássaros cantarem... por alguns segundos esquecer de tudo e sentir o alívio
Assim que me aproximei da casa, pude ver Colin pulando de alegria e balançando o taco com força acima da cabeça enquanto gritava
— É isso aí!
Pareciam estar se divertindo tanto, notei ser a vez de Kate. Anthony notavelmente irritado, o que era de se esperar.
— Srta. Sheffield! – chamou Colin ao descer o morro correndo: – É sua vez!
E assim ele me viu, acenou com seu grande sorriso perfeito. Cumprimentei todos até chegar em Kate, que sussurrou em meu ouvido antes de sua grande tacada final
— Não posso vencer
— Então não seja a vencedora, seja a melhor perdedora — falei, percebendo o arrepio em seus pelos
Então, com seu sorriso mais maligno, Kate afastou o taco e bateu, com toda a força, na
própria bola, que por sua vez atingiu a dele com um impulso impressionante, lançando-a para mais longe ainda.
Mais longe...
Mais longe...
Até alcançar o lago.
Prestes a pular de felicidade, Kate observou a bola cor-de-rosa afundar na água. Me abraçou, a surpresa foi bem agradável. Seu cheio era lírios, ou alguma flor que não consegui decifrar antes de se afastar e provocar Anthony
— Isso! Isso! Venci!
– Não venceu, não – retrucou Anthony.
– Ora, é como se tivesse vencido – comemorou ela.
Colin e Daphne, que haviam descido o morro correndo, pararam diante deles.
– Muito bem, Srta. Sheffield! – exclamou Colin. – Eu sabia que era digna do taco da morte! – Sensacional! – concordou Daphne. – Absolutamente sensacional!
Com certeza jogar Pall Mall estava em meus planos futuros, ainda mais com Kate
🐇
Uma chuva forte parecia estar vindo, reparei no caminho que Kate estava desconfortável com a situação.
Ela e Anthony juntos eram um belo par, há coisas tão óbvias de se imaginar... os dois se casando por exemplo, daria qualquer coisa para estar aqui quando acontecesse
Já em casa, ansiava encontrar minhas irmãs.
A naturalidade do desejo e da familiaridade era ao mesmo tempo encantadora e assustadora. Subi rapidamente ao andar dos quartos, grande chance de achá-las ali.
Não sabia exatamente qual dos quartos pertencia a quem, então sai abrindo e entrando até que acertasse.
Anthony e Colin estavam comigo a pouco tempo, as crianças com certeza corriam e brincavam no campo.
1 porta; 2 porta; 3 porta e nada
Ao abrir a 4, me deparei com Benedict sentado desenhando. Ele fico tão espantado ao me ver que fechou seu caderno imediatamente
— Me desculpe, não sabia que aqui era seu quarto — Dei 1 passo para trás
— Está tudo bem, não fazia nada demais — disse se aproximando
— Estava desenhando? — esquivei um pouco a cabeça e olhei para a cama, onde deixara o caderno
— Apenas um simples pássaro
— Posso ver?
Ele arregalou um pouco os olhos e abriu a boca mas não disse nada, logo alterou sua postura
— É melhor sair de meu quarto antes que alguém apareça e entenda errado — segurava nos meus ombros e delicadamente me empurrava para trás, a saída — já não estamos mais sozinhos
— Claro, desculpe mais uma vez. Sabe algum lugar onde suas irmãs podem estar?
— Não, infelizmente — se apressou em dizer, antes mesmo que terminasse a pergunta
— Tudo bem, obrigada
Abri um sorriso forçado e sai de lá, queria evitar a solidão e agora era meu estado atual
Se conseguisse descrever minha vida chamaria de montanha russa. altos e baixos, mas as quedas com certeza são mais longas e impactantes
Não adianta mudar a lei da vida, devemos conhecer a dor para encontrar a cura. Viver a tristeza para reconhecer a felicidade. Li em um jornal uma vez sobre uma senhora de 100 anos, não era casada, nunca se apaixonou, não tinha filhos mas era bastante rica. Havia descoberto o câncer a 3 meses e disse se arrepender amargamente.
"Eu não vivi, eu apenas existi à base das minhas expectativas e dos outros"
O problema das expectativas são não alcançá-las. A culpa e a auto-condenação, jamais o fiz.
— Espere!
Fui despertada dos meus devaneios ao ouvir uma voz me chamando, e apresados no corredor atrás de mim.
— Espere...
— Hyacinth?
Quase nos colidimos, por sorte conseguiu frear antes disso. Sua respiração era ofegante, pegava nas minhas mãos mas não dizia nada
— Me ajude!
— Fique calma, no que quer ajuda?
— Gregory está me caçando, precisa me esconder agora
Não havia tempo para pensar muito, seus olhos vidrados em mim... o que faria?
Olhei para todos os lados, não existia alguma porta ou cortinas longas o suficiente...
— Entre debaixo do meu vestido!
Eram tanto tecido e pano que precisamos ser extremamente rápidas para conseguir uma passagem. Só ficou mais cheio do que já era, mas com chances de passar despercebido com a atuação certa.
Alguns segundos depois Gregory passou correndo, me interrogou e quase foi tudo por água abaixo devido o espirro repentino de Hyacinth. Consegui convencê-lo que vinha do corredor à direita e saiu varado. Me inclinei um pouco para frente
— A barra está limpa
Ela saiu debaixo do vestido e ajeitou o cabelo.
Umas das melhores coisas ali eram as crianças, sua energia e inocência. Sentiria uma falta absurda, nunca tive irmãos e sempre quis
— Obrigada pela ajuda — Hyacinth agradeceu com um grande sorriso e seus olhos chamuscastes
Antes mesmo que tivéssemos segundos de descanso, Benedict passou pelo corredor contrário e nos viu
— Gregory, eu as encontrei!
Arregalei os olhos e quando encarei hyacinth, ela fazia o mesmo.
— CORRE! — dissemos juntas, fugindo dali como lebres
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Perdida nos Bridgertons
RandomApós anos de escravidão e desprezo, Camila perde as esperanças e aceita sua vida como Clair, a empregada de sua madrasta No dia de seu aniversário é enviada até o século XIX por sua fada madrinha. Se vê perdida e livre em um lugar completamente dif...
