Cicatrização

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Carruagens... sempre voltava para elas afinal
Sozinha, nem com os homens nem com as mulheres. Graças aos céus, não suportaria fingir mais.
Talvez Violet me odiasse, talvez só tenha se decepcionado... qualquer que fosse a opção certa, não era boa
Dizer adeus à Penelope sabendo que poderia ser a última vez que a veria, partiu meu coração em 1.000 pedaços. Fiz com que prometesse nunca abaixar a cabeça para ninguém, cruzamos os dedos mindinhos para eternizar o juramento.
Dormi no caminho, uma longa estrada e calma.
Me encolhi e consegui deitar, com a mente exausta cai no sono fácil. Acordei somente quando o cocheiro abriu a porta e me chamou, esfreguei os olhos e voltei à realidade.
As enormes portas duplas da casa foram abertas e de dentro saiu Jordan correndo, vindo em minha direção e jogando-se nos meus braços.
Que bom que voltou, achei que não a veria novamente.
— Pois estou aqui — abri o sorriso mais sincero e feliz
— Venha! Entre! — entrelaçou seu braço no meu e começamos a caminhar — Quero saber de tudo

No início foi lindo me alegrar e comemorar as coisas boas junto dela, até a parte ruim chegar...
— Lady Bridgerton não pode manda-la embora! — Jordan se levantou, indignada
— Ela pode e fará, meus dias estão contados 
— Sempre estiveram, ou não?
— Sim, parece estranho... — respirei fundo — como tudo aconteceu. Talvez devesse ser assim, o destino ninguém muda
— Muda sim! — ela caminhou até mim e tomou minhas mãos, olhando em meus olhos — Camila, você é a pessoa mais inspiradora que conheço, o que houve? Se existe alguém capaz de mudar o destino, essa pessoa é você
Baixei os ombros e simplesmente relaxei
— Sobrevivi a tantas batalhas, me restaram cicatrizes, que comecei a curar aqui. Eu vou para casa, farei isso da melhor forma.
— É tão forte... a admiro por isso, apenas organize as ideias em sua cabeça para que não parta com arrependimentos.
E assim, nos abraçamos

São fases. A primeira é o choque, logo em seguida a dor, depois a aceitação, por fim a cura.
O tempo todo sabia que iria embora, agora que se concretizou, fiquei assustada.
"Nada é por acaso e tudo tem sua hora"
Palavras que rondavam minha mente e encaixavam os pensamentos nas gavetas.
Decidi caminhar um pouco, fazia sol e gostava da energia que o ar livre transmitia.
Perto da margem do rio, me abaixei sentando na grama. Alcancei algumas pedras e as jogava o mais longe que podia, como uma criança de 9 anos.

Passaram a raiva, diria que o medo também

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Passaram a raiva, diria que o medo também.
A vida inteira almejei encontrar a paz, realizar os meus sonhos ainda que não soubesse quais eram, meus objetivos por mais impossível que parecessem... Paz invadia todo o meu ser naqueles instantes e era a maior lição que levaria embora comigo

Perto do pôr do sol, levantei e caminhei de volta para casa. Entrei pela cozinha, aproveitei a oportunidade me enfurnando entre os criados — odiava chamá-los assim —
Riam e caçoavam um dos outros, como uma grande família unida pelas tarefas. Perguntaram, tão interessados, sobre minha estadia em Aubrey Hall e especificamente quantas esnobes enfrentei
CRESSIDA COWPER? — Olivia arregalou os olhos, levando a mão à boca
— Dolores? — Sebastião a chamou, que buscava água — Ouviu isso? Camila derrotou Cressida Cowper!
Uma reverência para nossa rainha — Valentina brincou, embora todos a seguissem
Olhei ao redor e a cozinha toda reverenciada à mim, pedi que se levantassem de uma vez.
— Em sua homenagem, terá X-tudo hoje no jantar — Pandora afirmou
— Aceito que façam, contanto que comam também.
Recebi um abraço coletivo, eram tão gentis e queridos... lembraria sempre do sorriso em seus rostos

Perdida nos Bridgertons Onde histórias criam vida. Descubra agora