Tranquei bem a porta do quarto e resolvi que iria mesmo a polícia, embora ainda achasse que era somente uma brincadeira de muito mal gosto. Ainda mais que ganhei inúmeros haters depois de Josh. Me encolhi na cama com o celular no peito, ele vibrou fazendo meu corpo tensionar, demorei pra verificar a notificação, quando desbloqueei a tela, vi o nome dele e dei um suspiro aliviado.
"Como se faz pra dormir, se toda vez que fecho os olhos, penso que quando abri-los terá sido só um sonho?"
Sorri imensamente, esquecendo o evento desagradável anterior.
"Não tenho uma resposta pra isso, no momento vivencio o mesmo que você. Boa noite Bailey." - Tomei coragem e escrevi o que me veio a mente. - "Sonhe comigo."
"Sonho com você mais do que deveria."
Ele respondeu instantaneamente. Meu coração inflou no peito, eu não sabia exatamente o que estava sentindo, mas sentia alguma coisa e isso já era uma certeza. Me peguei sem saber o que responder, então se não tem algo que preste pra dizer, é melhor ficar calado e assim o fiz. Coloquei uma música baixinha no telefone e minhas tentativas de adormecer começaram.
*
*
Meu autocontrole estava às traças na escola, não só por Bailey estar absurdamente lindo, com uma camisa de botões um pouco aberta, mostrando vagamente uma parte de sua tatuagem de pássaros, mas sim pelo tanto de vagabundas que rodeavam aquele stand. Estava me sentindo sozinha, sem amigos, Bailey tinha os olhos em mim, flertando à distância. Consumi a vontade de me jogar nos braços dele naquele momento e resolvi caminhar até o gramado, já havia assistido à duas palestras e isso era suficiente, ao menos hoje. Sentei de maneira displicente na grama, cruzando as pernas e sentindo a aspereza dos jeans folgados se apertarem um pouco. Puxei o celular do bolso, havia uma mensagem de Bailey, mandada agora.
"O que você tem Lin?"
"Nada." - Respondi.
"Eu te conheço, fiz algo errado? Se arrependeu por ontem?"
O quê? Como ele pôde sequer cogitar que me arrependi de ter ficado com ele? Nunca tive tanta certeza de alguma coisa em tempos.
"Não é nada relacionado a você. Não me arrependi, pelo contrário. Agora vai trabalhar." - Brinquei.
"Sim senhora. Estou tentando, mas a imagem da tua boca me distrai muito."
Ai, todos os meus santos. Queria dizer tanta coisa, queria ser dessas que faz o cara enlouquecer com apenas frases, mas timidez se sobrepõe aos meus desejos. Então, novamente fiquei calada como a boa estúpida que sou. Vi de relance alguém sentar ao meu lado.
- Oi Joalin.
A garota tinha cabelos loiros e lisos parecidos com os meus, olhos verdes e era mais alta que eu e mais magra também. Ela sorriu simpática e acabei por acompanhá-la.
- Oi, é...
- Me chamo Sina Deinert.
- Prazer Sina. - Sorri cordialmente pra ela.
- Sou novata, me sinto bem perdida nessa escola. Temos duas aulas juntas e te vi sozinha, pensei que talvez quisesse alguma companhia.
- Sim, obrigada. - Respondi. Notei que Sina tinha um sotaque diferente, não era carregado como o nosso, nem tão específico quanto o dos americanos. - Você é de onde?
Então engatamos uma conversa, Sina me contou que veio da Alemanha, o pai se separou da mãe e a mãe resolveu vir morar junto com os pais já idosos. Ela me disse que tinha um irmão mais novo, que adorava o país de origem, que amava livros, filmes e séries, mas que tinha problemas em se enturmar.
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𝐁𝐨𝐫𝐧 𝐓𝐨 𝐌𝐞 ͟͞➳ 𝓙𝓸𝓪𝓵𝓮𝔂 𝓐𝓭𝓪𝓹𝓽𝓪𝓽𝓲𝓸𝓷
Roman d'amourBailey May e Joalin Loukamaa. Dez anos de diferença de idade. Ele a pegou no colo ainda recém-nascida. A viu dar seus primeiros passos, balbuciar as primeiras palavras e a viu passar por tantas e diversas experiências ao longo dos anos. Ele viu a ga...
