Capítulo Dezenove

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- Ele está bem agora, não precisa mas se preocupar

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- Ele está bem agora, não precisa mas se preocupar. - diz o médico de plantão. - Se acalme, faça isso por ele e pelo bebê de vocês.

- Estou tentando... juro que estou. - não consigo parar de chorar, ainda é desesperador e não sai da minha cabeça.

- Entendo, mas como médico devo dizer que ataques de pânico são normais em pacientes que tem transtornos psicológicos, como o seu noivo. - ele tenta me acalmar. - Agora ele está medicado e está bem, então por vocês três tente se acalmar também.

- Obrigada doutor, farei o meu melhor. - ele acena e logo sai, fazer o meu melhor para não chorar é literalmente a coisa mais difícil que eu já fiz na vida. Vê-lo daquele jeito foi a pior coisa que já vi, e o pior é que não conseguir ajudá-lo.

Samuel teve uma crise de pânico e como não temos preparo algum para ajudar alguém que tenha uma crise assim entramos em pânico também, no final meu pai o pegou e o trouxe para cá. E aqui estamos nós, esperando ele acordar para sabermos se ele realmente está bem.

Desde que o pedi em casamento ele está estranho e obviamente eu não consigo perceber algo e  ficar quieta, minha mente de pessoa paranóica começa a pensar em várias teorias diferentes. Não sei porque ele está assim, muito menos o motivo de até o Vicent ter sumido também.

- Você tem alguma ideia do que aconteceu? - Margarida me olha tão preocupada quanto qualquer um de nós.

- Não, foi um dia normal, pelo menos eu achava que estava sendo. Saímos, trabalhamos, ele foi pra faculdade, jantamos e conversamos sobre os preparativos do casamento. Era meia noite quando eu ouvir um barulho alto, quando acordei ele está de joelhos tentando respirar... Eu não sei o que pode ter acontecido. - volto a chorar. - Eu não sei o que está acontecendo com a gente, não queria pressiona-lo a se casar comigo... A culpa é minha?

- Claro que não Montserrat! - mamãe se abaixa ficando na minha altura. - A culpa não foi sua, ele só devia estar se sentindo cansado e não soube como lidar com isso, você vai ver que quando o Samuel acordar ele vai te contar o que aconteceu.

- Não sei se eles vão querer me contar algo... nenhum dos dois estão falando comigo, e como se não me quisesse mais por perto... - pensar nessa possibilidade me assusta bem mais do que deveria, mas infelizmente devido a atual situação é assim que estou pensando.

- Por que não paramos de supor as coisas e vê-las como realmente são? - a prima dele fala. - Olha, a gente sabe como aqueles dois são, preferem morrer a ter algum se preocupando com eles. Obviamente só estão cansados de alguma coisa e não conseguiram lidar sozinhos, só isso. Quando eles acordarem a gente conversa melhor.

- É por não saberem lidar sozinhos que eles deveriam me contar, ou falar com alguém. - comento secando minhas lágrimas. - Vamos cancelar o casamento, não vou me casar com alguém que não confia em mim o bastante para me contar algo.

- Não acho que tomar decisões de cabeça quente vá resolver algo, Montserrat. - a prima dele tenta de novo.

- Você pode, por favor, calar a boca? - peço já me irritando. - Estamos no meio da madrugada dentro de um hospital, e tudo isso porque o meu noivo decidiu que não sou boa o bastante para me contar algo... tudo bem que eles tem o tempo deles e que eu disse que iria respeitar isso, mas nunca imaginei que eu teria que vê-lo naquele estado. Não sei se isso foi por causa do casamento e honestamente esse detalhe é o menor dos problemas agora, eu só quero ir pra casa e dormir... só quero dormir ao lado do meu noivo e acordar aqui a algumas horas e vê-lo ao meu lado, só isso. É pedir muito? Eu acho que não!

( . . . )

As quatro da manhã ele finalmente acordou, mas antes que pudéssemos entrar o médico de plantão achou melhor chamar a psiquiatra para lhe examinar. Apenas contínuo aqui sentada esperando ela sair para que eu pudesse finalmente lhe perguntar o que foi que aconteceu, se eu tive a chance de perguntar ou se eles me derem uma resposta.

Sinceramente não sei mais o que fazer ou pensar, me sinto mais perdida do que cego em tiroteio.

- Quem vai primeiro? - automaticamente todos me olham, após a pergunta de mamãe.

- Eu vou primeiro, não aguento mais ficar aqui. - digo me levanto e seguindo até o final do corredor onde o quarto dele fica, quanto mais rápido ele receber alta mais rápido eu volto para casa.

Bato na porta e abro, ele está sentado na cama olhando diretamente para mim. A gente fica se encarando como se não nos conhecêssemos.

- Como se sente? - pergunto ao fechar a porta.

- Melhor, obrigado. - ele responde ainda sem tirar os olhos de mim. - A médica disse que devo continuar com as sessões de terapia.

- Isso é bom, Samuel, muito bom. - não me atrevi a chegar perto da cama, por que sei que se chegar perto demais esquecerei as perguntas que tenho. - Quer me contar o que aconteceu? Além de estar extremamente preocupada estou curiosa e cheia de paranóias, e você sabe que odeio as minhas paranóias.

- Como vocês duas estão? Pode ir para casa descansar se quiser, hospitais não são os melhores ambientes para uma gestante. - ele me ignora totalmente.

- Estamos bem, obrigada por perguntar. - cruzo os braços e lhe encaro. - Vai responder à minha pergunta ou vamos ficar respondendo perguntas com outras perguntas? Não somos mais crianças Samuel!

Ele suspira fundo, desvia os olhos de mim pela primeira vez desde que entrei.

- Não sei exatamente o que aconteceu, amor, se eu dizer que foi tal coisa estarei mentindo. Eu acho que juntou tudo numa grande bola de neve e acabou explodindo...

- Tudo o que Samuel? - sei que estou lhe pressionando mas sinceramente estou cansada de estar sempre dois passos atrás deles. - O que juntou e porquê?

- Nós, nossa filha, nosso casamento, minha família destruída e desorganizada, meu passado que não me deixa em paz... meus piores demônios que sempre vem me atormentar todas as vezes em que você não está perto de mim... eu não sei... eu só quero ir pra casa e dormir na nossa cama.

- Achei que eu tivesse dito que seu passado não importa mais... vamos construir uma família agora, é nisso que devemos focar agora. Sempre estou ao seu lado, não há o que temer.

- Se você soubesse ao menos um terço do que foi a minha vida não estaria dizendo isso... - ele me olha novamente, seus olhos estão cheios de lágrimas e seu olhar está tão pesado.

- Então me conte... - me aproximo dele aos poucos. - Não posso saber de algo que nunca me contou. Conte-me.

Ele me estende sua mão, por um segundo penso seriamente se devo ou não pegá-la, opto por chegar mais perto e pegar.

- Podemos deixar esse assunto para outra hora? - ele me implorar com os olhos. - Por favor...

- Samuel eu realmente preciso de respostas, entendo que seja doloroso para você, mas realmente preciso. - suspiro. - Estou criando coisas horríveis na minha cabeça e a cada segundo elas só pioram... me conte em algum momento, mas por favor não demore muito.

- Eu sei que te escondo muitas coisas, e peço desculpas por isso, mas não é nada fácil entende? Não é fácil sentar e falar sobre coisas que nos deixam mal psicologicamente... não é que a gente não queira te contar, apenas é doloroso.

- Tudo bem, desculpa se estou te pressionando muito, mas te ver daquele jeito me deixou muito assustada... Se possível não quero te ver daquele jeito nunca mais.

Ele acena e me puxa para um abraço. Esse abraço era tudo o que eu estava precisando para me acalmar, não existe lugar mas seguro e calmo para mim do que os braços dele.

- Você está realmente bem, não é? - o encaro, ele sorrir e deixa um beijo na minha testa.

- Estou ótimo e com você por perto tudo fica melhor.

Amor InesperadoOnde histórias criam vida. Descubra agora