"Eu achei que era amor, que ele me amava. mas tudo não passava de uma ambição."
Agora ela pensa que vai cuidar do bebê sozinha... ou talvez não.
Montserrat vai encontrar o amor de uma forma clichê e inesperada.
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- Tem certeza disso? - Vicent me olha incerto e depois olho para o grande parque a nossa frente, é a primeira vez que o vejo assim. Está diferente da carranca usual que ele sempre tem, a cara de indiferente fazendo todos pensar que ele não liga pra nada nem ninguém.
Já faz uma semana desde os avós dele vieram nos visitar, ele não quis vê-los pelo o que eu entendi. Ainda vou perguntar o porquê disso, mas agora espero ter um bom momento com ele aqui.
- O que foi? - pela cara que ele está fazendo não parece querer. - Okay então, vamos embora.
Pego a mão dele e viro para sairmos do parque, ele realmente parece não querer estar aqui e respeito isso. Mas apenas dou um passo e sinto ele me puxar de volta, o olho sem entender. Ele sequer se moveu, continua olhando fixamente para os brinquedos à nossa frente.
- O que foi? - ele suspira e então me encara. - Tudo bem se não quiser ficar aqui, podemos ir para outro lugar. Podemos ir jantar ou ir ao cinema... não tem problema.
- Posso fazer isso. - ele diz, mas acho que foi para se mesmo do que para mim. - Não tenho boas lembranças de parques, mas se você quer posso tentar.
- Não tem boas lembranças? Porquê? - não escondo a curiosidade, ele suspira e desvia os olhos. - Certo, entendi. Hmm... se você se sente desconfortável, podemos ir para outro lugar. Não quero que fique em um lugar que te trás lembranças ruins.
- Não é desconforto, é nostalgia. Alguém de quem eu gostava muito adorava parques, e depois que ela partiu nunca mais pisei em um...
- Ah, sinto muito por isso, amor. Você está bem? Não quer mesmo ir embora?
- Estou bem, eu acho. Nunca cheguei a conversar com alguém sobre isso, a verdade é que desde que essa morreu me afastei de tudo e todos. Ela era igual a você, não na aparência mas no que representa. Ela não teve medo de mim quando me viu pela primeira vez, ao contrário disso, ela me acolheu e cuidou de mim. Me abraçou quando precisei e me apoiou, embora a gente fosse criança eu a amava muito... ela era muito importante para mim. Perde-la foi a pior coisa já me aconteceu.
- Isso explica muita coisa sobre você... - digo sem pensar. Está mais que óbvio que ele se sente culpado pela morte dessa pessoa, seja ela quem for. - Obrigada por ter confiado em mim para contar isso, deve ser difícil pra você.
- Tem razão. - ele olha ao redor como se estivesse procurando alguém, mas acho que só está evitando me olhar. - É difícil falar disso, é a única coisa que nós dois concordamos em fazer. Se passaram dez anos mas ainda é como se fosse ontem... é muito estanho conversar sobre isso no meio de um parque.
Rio e olho ao redor, estamos literalmente no meio do gramado do parque a alguns metros diante dele. As pessoas estão indo e vindo sem se preocupar com a nossa presença, tem crianças correndo, adolescentes em grupos e casais de todas as idades andando felizes e tranquilamente.