Capítulo 10

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•/Luísa Souza/•

Abro o armário destrancado a minha frente.

Uma bolsa de pano preta cai de dentro dele.

Pego a bolsa e percebo que dentro dela tem um short jeans preto e um cropped branco.

Sabia!

Eu não costumo estar errada.

Meus instintos não costumam estar errados.

Principalmente quando se trata de um assunto que eu já tenho experiência.

Dei a bolsa, com as roupas ainda dentro, para o Matheus. E comecei a vasculhar o armário do Alex.

Vejo uma foto nossa colada no fundo do armário. Olho para o lado e percebo que não foi só eu que vi. Matheus me olha sem entender.

Ignoro e me viro para continuar o meu trabalho. Encontro um caderno preto pequeno. Ele tem um elástico na frente, típico de agenda.

Nunca vi o Alex com ele. Tenho certeza que não é novo, pois na lateral das folhas, eu posso perceber que quase metade das folhas estão meio amassadas.

Já pegou um caderno usado, fechou ele e olhou pela lateral do mesmo? Reparou nas folhas? Se não, faça um dia, repare nas folhas. As que já estão usadas, ficam diferentes das que estão em branco.

Peguei o caderno e coloquei no bolso da jaqueta que Matheus me emprestou.

Fecho o armário e vejo a diretora virando o corredor. Pego a bolsa da mão do garoto que me olha confuso e está ao meu lado. Levanto a bolsa e mostro a velha.

- Não foi ele. Ele nem está vindo. Foi a Geovanna. Ela sabe a combinação do armário dele. E quem pegou do meu foi ela mesmo. Com a ajuda da Ana, é claro. Eu fui encher a minha garrafa e a Ana veio me distrair. Plano perfeito. Só que eu sou mais. - Pisquei para ela - Sou uma ótima detetive, não?

Virei as costas e saí. Matheus veio atrás.

- Alex é o popular (e galinha) da escola. Clichê, não é? Bom, teve uma época que ele começou a gostar de mim. Se aproximou e virou meu amigo. Só que depois de um tempo, ele disse quais eram as intenções dele. Eu não correspondi, mas continuamos a amizade. Depois que eu percebi que ele só era meu amigo por gostar de mim e que não estava disposto a mudar esse fato, acabei com a amizade. Hoje em dia, ele pega várias, mas descarta e investe em mim. As vezes ele se junta com a Geovanna. Mas só se beneficiar ele também.

- Eita. Sua história é meio clichê.

- Eu sei. Mas aguarde. Ainda vai ter muita história. Geovanna, Ana, Alex e Arthur (e minha mãe também) estão aqui para provar isso.

- O que tem o Arthur?

- Sei lá. Não fui muito com a cara dele. Eu espero o pior das pessoas, entende? Porque se eu colocar expectativas nelas, eu vou me frustrar.

Ele murmura um "hum" e continua caminhando ao meu lado. Entramos no vestiário, ele fica no corredor de armários enquanto eu entro em uma das cabines onde tomamos banho.

Tiro a jaqueta e penduro na porta. Visto minha roupa, coloco a bolsa no meu ombro e pego a jaqueta.

Vou até onde Matheus está. Coloco a bolsa no armário, me viro e levanto a jaqueta na direção do dono.

Ele põe a mão por cima da minha e empurra delicadamente a minha contra o meu corpo. Diz um "fica" acompanhado de um sorriso fraco.

Olho para ele com uma cara divertida. Ele me olha com uma cara alegre. As vezes, como agora, ele é indecifrável.

ElaOnde histórias criam vida. Descubra agora