Capítulo 30

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•/Luísa Souza/•

Ouço o barulho de um carro se aproximando. Abro os olhos devagar e suspiro frustada quando percebo que tudo não passava de um sonho.

Sonhei que estava com Matheus em uma sala toda branca com vários balões de coração vermelhos no teto, por causa do gás hélio.

Estávamos juntos conversando e nos beijando, aproveitando a presença um do outro. Ele pegava um dos balões e me dava. Eu sorria apaixonadamente boba para ele.

Eu o beijava. E para cortar o clima, Peter forçava uma tosse para que notassemos sua presença. Ele vinha até nós já puxando assunto.

Após um tempo, Carol chegada por trás do namorado e dava um tapa fraco em sua nuca. Deduzo que foi pelo fato dele ter ''cortado o clima".

Meu pai aparecia por trás de mim, me abraçando. Fiquei ali, perto de todos. Só aproveitando a presença de cada um. Ouvindo todos falarem e agradecendo mentalmente por ter cada um em minha vida.

Sim, era um sonho. Tinha que ser. Sinto saudades deles. De cada um deles. Mas é bem provável que eu nunca mais vá ver eles.

Sento rapidamente na cama quando ouço a porta ser aberta com força. Tento regular minha respiração ofegante pelo susto e olho para a figura a minha frente.

A única pessoa que eu estou vendo esses dias. A última que eu queria ver. Marina. A pessoa que deveria estar cuidando de mim. Mas está me sequestrando.

- Bom dia!

- Bom dia, minha mãe querida! - Digo totalmente sarcástica. Em todas as partes. Sem sinceridade nenhuma em minhas palavras.

- Vem comigo! - Ordena me pegando pelo braço. Levanto e solto meu braço que já estava vermelho.

- Eu sei andar. - Forço um sorriso e sigo ela.

Entro em seu carro branco pelo lado do carona. Coloco o cinto de segurança e ela dá partida.

Paramos em um terreno vazio. Olho em volta e me preocupo ao perceber que não tem absolutamente nada por perto.

- Mandaram um presente para você. - Diz estendendo um pedaço de papel dobrado em minha direção.

- O que é isso? - Pergunto pegando o papel de sua mão. Como não obtenho resposta, analiso o papel.

Meu nome escrito em tinta de caneta preta me chama atenção. Não é a letra da Marina. Quem me enviou esse bilhete?

Desdobro o papel e leio atentamente as palavras escritas nele. Tento reconhecer a letra, mas é em vão.

"PARABÉNS!

Você está conseguindo destruir a vida das pessoas que você gosta!

Seu pai está desolado. Não está dormindo de tanta preocupação com você. Nem trabalhando mais. Isso com certeza não é bom para a empresa...

Peter está muito preocupado com você. Mas está tendo que aguentar Carol desesperada. Ele tem que passar tranquilidade para ela. Deve ser muito difícil esconder seus sentimentos. Você sabe bem como é, certo?

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