Capítulo 17

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As árvores inclinavam seus troncos para frente e jogavam seus galhos com tudo na tentativa de acertar Beatriz que tentava se esquivar dos golpes que dançavam no ar, enquanto corria agachada, com a mão pressionando o abdômen ferido. À medida que corria a lama ia ficando mais fofa e Beatriz foi tendo dificuldade em se locomover com velocidade. O tênis atolava no lamaçal. Tudo estava escuro a sua volta, pois os galhos das árvores escondiam o brilho da lua. A cada passo dado o pé vinha mais pesado de lama. Tentou olhar para trás quando viu outro galho vim com tudo em sua direção. O galho acertou seu braço, arremessando-a para longe das árvores.

Beatriz sentiu o corpo afundar, o gosto de terra entrar em sua boca. Tentou se equilibrar, ficar de pé. Estava completamente suja de lama. Dentro de um pântano que batia em sua cintura. O cheiro frio da terra penetravam suas narinas. Seu corpo estava pesado e lentamente ia afundando naquele pântano. De longe dava para avistar o final do pântano e um caminho de terra firme. Beatriz só não sabia se chegaria viva ao outro lado.

Foi movimentando-se lentamente para evitar se afundar muito depressa. A lama estava extremamente gélida e Beatriz tinha medo de morrer de hipotermia. Andou um pouco mais quando sentiu seu corpo esbarrar em alguma coisa embaixo da terra. Beatriz parou, com medo do que fosse que tivesse encostado, mas nada apareceu. O que quer que fosse que tivesse embaixo daquele pântano, permaneceu lá embaixo. Ela encostou a mão direita na superfície do pântano como se procurasse alguma coisa e mesmo com o escuro da noite, clareada apenas por uma lua avermelhada no céu, ela pôde ver, boiando entre seus dedos, longos fios de cabelos.

Havia uma pessoa ali embaixo. Beatriz se desesperou e afundou os dois braços dentro do pântano para tentar salvar aquela pessoa, se é que ainda dava tempo de salvá-la. O corpo era pesado e Beatriz teve que usar bastante força para puxá-lo para a superfície. E quando conseguiu puxar ao menos a cabeça viu seu próprio rosto saindo de dentro do pântano, mais sujo de lama, mas não havia duvidas, era ela.

O rosto enlameado deu um sorriso para o rosto assustado que se afastava assustada para trás. Foi tirando o próprio corpo de dentro do pântano, revelando o pescoço, os ombros e os seios nus. E quando se retirou um pouco mais de dentro do pântano a verdadeira Beatriz deu um rouco grito de pânico. Do tórax para baixo a pele de sua sósia era escamosa e roxa, como a pele de uma cobra. Ao ouvir o grito de Beatriz, rouco pelo frio e quase inaudível pelo barulho do vento, a criatura avançou para frente e segurou a cabeça da moça com bastante força, empurrando-a com tudo para baixo do pântano.

Beatriz sentiu filetes de areia ferir seu rosto enquanto a terra entrava pela sua boca. Não estava conseguindo respirar. Balançava seus braços bruscamente para tentar se soltar da criatura. Foi quando uma grossa cauda enroscou-se no seu corpo e começou a apertá-la violentamente. A cauda ao menos a aquecia. Beatriz fechou os olhos e a boca e desistiu de lutar. Imaginando como iria morrer primeiro: afogada ou esmagada?

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