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— E agora todos sabem que o salão vai funcionar como um restaurante de verdade. E classe é o que não falta ao lugar, não é?

Verônica olhou do terraço para o salão brilhantemente decorado.

— E está milhares de anos-luz à frente da espelunca que era antes. Estamos só começando, Camila. Aposto que você terá tanto sucesso quanto Lauren tem tido.

— Lauren?

— Ela tem tido muito sucesso, garota, ainda que seu gosto em termos de decoração seja abominável. Lauren sabe como manter os fregueses. Ela e Arthur.

De má vontade. Camila teve de admitir que Betty tinha razão.

Lauren dava um toque mágico ao bar.

— Mesmo assim, há mais de uma maneira de dirigir o SummerSun— ela comentou.

— Não precisa provar tudo isso num dia. Agora, feche o salão e vá para casa — ordenou Verônica.

— Num instante. Só quero verificar mais alguns detalhes…

— Bom, eu desisto — Verônica se levantou. — Até amanhã.

— Boa noite, Verônica . E muito obrigada. Sem você, eu…

— Não teria conseguido. — Verônica piscou um olho. — Eu sei.

Camila passou mais meia hora no salão, calculando os rendimentos do almoço. Faltavam só dois dólares, o que considerava um milagre em vista do pesadelo que fora arranjar troco para trinta pessoas. Mas sobrevivera e algumas das mulheres até tinham falado em voltar, quando o SummerSun abrisse diariamente para o almoço. Contudo, nunca imaginara que fosse tão estafante trabalhar num restaurante, tanto física quanto emocionalmente. Ela e Verônica haviam trabalhado na cozinha desde as oito da manhã. Para a surpresa de Camila, Arthur deixara uma travessa gigante de salada de camarão na prateleira de Verônica, no refrigerador das cervejas. Verônica apenas sorrira misteriosamente diante do presente dele, passando depois a instruir Camila como limpar e preparar os ingredientes que utilizariam.

Camila desfiara peitos de frango, picara aipo e cebolas, cortara tomates e abacates em fatias e alfaces em tiras. Depois arrumara as mesas, recebera os fregueses, anotara os pedidos, servira os pratos, as bebidas e o café, além de apresentar o bolo de aniversário que Verônica havia preparado.

Graças a Deus, Lauren não estivera presente para vê-la correndo de um lado para o outro, como Bob atrás de uma gaivota. Graças a Deus, não a vira derramar chá na sra. Perry. Graças a Deus…

— Quem se importa com o que Lauren Jauregui pensa a respeito de alguma coisa? — perguntou a si mesma em voz alta.

Saiu do salão com o envelope na bolsa. Pararia no caixa automático a caminho de casa. Depois, seguiria o conselho de Verônica e tomaria um bom banho e um copo de vinho antes de uma longa noite de sono.

Trancou a porta do salão ao sair e parou um momento no terraço. O céu estava rajado com tons de laranja, rosa e fúcsia que emanavam da bola vermelha representada pelo sol, pairando à superfície das águas.

— Uau! — exclamou, apreciando o espetáculo. Deveria reservar alguns minutos por dia para assistir ao pôr-do-sol no Golfo.

— É de graça. E é também o mais belo espetáculo do Golfo.

Espantada, Camila se virou ao som da voz de Lauren.

Ela subiu devagar a escada e ficou ao lado dela, junto ao parapeito. Estava de pés descalços e só de short.

— Não a ouvi chegar. — O tom era acusatório.

— Vim da praia. Andei pescando com uns amigos, do outro lado do cabo.

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